{"id":3150,"date":"2009-09-14T00:00:00","date_gmt":"2009-09-13T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3150"},"modified":"2009-08-17T20:00:32","modified_gmt":"2009-08-17T19:00:32","slug":"o-outro-terminal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/o-outro-terminal\/","title":{"rendered":"O outro terminal"},"content":{"rendered":"<p>A grande revolu\u00e7\u00e3o social em \u00e1frica foi o telefone m\u00f3vel. No resto do mundo complementou as redes de comunica\u00e7\u00e3o j\u00e1 existentes, mas aqui tornou-se o \u00fanico meio de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em cada esquina de Luanda vemos revendedores de chamadas telef\u00f3nicas, oficiais ou informais. Os <em>kinguilas<\/em> agitam ma\u00e7os de notas e serpentinas de <em>saldos<\/em> nas bermas das estradas. Os <em>saldos<\/em> s\u00e3o os cart\u00f5es de carregamento de chamadas, medidos em UTT, que \u00e9 uma unidade de contagem de blindagem contra as varia\u00e7\u00f5es do Kwanza. No meio do tr\u00e2nsito, zungueiros passeiam telefones brilhantes, com os respectivos carregadores nos bolsos. N\u00e3o \u00e9 invulgar ver casas com tomadas nas paredes exteriores para ligar o carregador do telefone enquanto se cuida da mercadoria \u00e0 venda no quintal.<\/p>\n<p>Angola, dir\u00e3o alguns, passou da idade dos tambores \u00e0 idade da telefonia sem fios sem sequer ter tocado nas etapas interm\u00e9dias. Os correios n\u00e3o funcionam, mas consegue-se telefonar de uma ponta para a outra do pa\u00eds com relativa facilidade.<\/p>\n<p>Luanda tem metade da popula\u00e7\u00e3o concentrada em poucas centenas de quil\u00f3metros quadrados. E s\u00e3o exactamente os luandenses que t\u00eam maior poder de compra e se d\u00e3o ao luxo de comprar telefones. A explos\u00e3o de utilizadores de telem\u00f3vel n\u00e3o foi acompanhada pelo correspondente aumento de capacidade da rede. Obviamente que nem toda a gente telefona ao mesmo tempo, mas n\u00e3o h\u00e1 linhas suficientes para que as coisas funcionem normalmente.<\/p>\n<p>As chamadas que caem a meio, os n\u00famero alternadamente ocupados, inacess\u00edveis ou desligados ou as inexplic\u00e1veis aus\u00eancias moment\u00e2neas de cobertura s\u00e3o sinais de satura\u00e7\u00e3o extrema. A situa\u00e7\u00e3o chega a dar azo a que se distor\u00e7a as mensagens publicit\u00e1rias das operadoras: <em>UNITEL \u2013 O pr\u00f3ximo mais distante<\/em>.<\/p>\n<p>Porque ningu\u00e9m consegue falar com ningu\u00e9m a um dado momento, toda a gente se socorre do expediente de comprar dois telefones, para o caso de um estar a funcionar mal. A situa\u00e7\u00e3o, que era m\u00e1, acaba por ficar duas vezes pior. Cada telefone ligado luta pelas poucas vagas existentes, tentando chutar outro qualquer do sistema. Pelo que me dizem, todos sentem que o seu telefone \u00e9 um perp\u00e9tuo perdedor nesta luta desleal. Sei que o meu \u00e9.<\/p>\n<p>Quando se pede um n\u00famero de telefone a algu\u00e9m, ouvimos sempre a frase-chave \u00ab<em>e o meu outro terminal \u00e9\u2026<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>A corrida aos n\u00fameros de reserva, os <em>terminais<\/em>, j\u00e1 levou a que se inaugurasse a segunda numera\u00e7\u00e3o da Unitel. Mais dez milh\u00f5es de n\u00fameros dispon\u00edveis para lutar pelos recursos da rede. Acho que vou aprender a comunicar com os tambores, que o telefone vai deixar de funcionar.<\/p>\n<p>Curioso, curioso, \u00e9 que toda a gente diz estar sem saldo\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A grande revolu\u00e7\u00e3o social em \u00e1frica foi o telefone m\u00f3vel. 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