{"id":328,"date":"2008-07-25T00:00:09","date_gmt":"2008-07-24T23:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=328"},"modified":"2009-12-01T13:29:57","modified_gmt":"2009-12-01T12:29:57","slug":"miradouro-da-lua-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/miradouro-da-lua-2\/","title":{"rendered":"Miradouro da Lua"},"content":{"rendered":"<p>No dia da garoupa ainda fomos at\u00e9 ao Museu da Escravatura. Aquele edif\u00edcio branco t\u00e3o bem conservado e numa ba\u00eda t\u00e3o agrad\u00e1vel j\u00e1 nos tinha despertado curiosidade no fim-de-semana anterior.<\/p>\n<p>Logo \u00e0 entrada tivemos motivos para sorrir. O pre\u00e7o era um pouco arbitr\u00e1rio. Um carro com tr\u00eas pessoas paga 600 Kz, mas se levar duas paga 500 Kz\u2026<\/p>\n<p>O Museu aproveita um antigo entreposto de escravos, usado at\u00e9 meados do s\u00e9c. XIX. A colec\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nada de extraordin\u00e1rio e assenta sobretudo em fotografias e artigos, mas n\u00e3o deixa de ser um interessante testemunho e uma afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/072508-2157-miradouroda1.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nUma casinha bem cuidada alberga o museu<\/p>\n<p>O zelador estava sempre a abrir e a fechar as portadas das janelas. Abria-as para se ver a exposi\u00e7\u00e3o e fechava-as para proteger as pe\u00e7as do Sol africano.<\/p>\n<p>Os encantos deste museu n\u00e3o se ficavam s\u00f3 pelo interior. No exterior tamb\u00e9m havia algumas pe\u00e7as para apreciar e, acima de tudo, uma paisagem impressionante. A pen\u00ednsula do Mussulo abra\u00e7a a ba\u00eda com uma tira de verde que nos guia o olhar at\u00e9 Luanda. Os barcos dos pescadores vogam de um lado para o outro, parando nalgumas enseadas para vender o peixe. Ao contr\u00e1rio dos <em>taxistas<\/em> para o Mussulo, os barcos de pesca s\u00e3o todos \u00e0 vela.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/072508-2157-miradouroda2.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nO embondeiro observa tudo atentamente<\/p>\n<p>Como o pano de vela \u00e9 caro e custa a encontrar por estes lados, improvisa-se com o que houver \u00e0 m\u00e3o. Len\u00e7\u00f3is, bandeiras, toalhas e tecidos a metro. O resultado final \u00e9 algo semelhante ao que se v\u00ea nas repara\u00e7\u00f5es dos bate-chapa. N\u00e3o \u00e9 muito bonito, mas funciona e o cliente fica satisfeito.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/072508-2157-miradouroda3.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA vela quase duplicou de tamanho<\/p>\n<p>Nas v\u00e1rias paragens que v\u00e3o fazendo, os pescadores n\u00e3o trocam apenas peixe por dinheiro. H\u00e1 quem lhes leve gelo.<\/p>\n<p>Para um pa\u00eds tropical, h\u00e1 uma quantidade infind\u00e1vel de gelo dispon\u00edvel. Em todo o lado se v\u00ea gente a transportar blocos de gelo, sacos com gelo, \u00e1gua e gasosas geladas. Os sorvetes e os gelados tamb\u00e9m s\u00e3o vis\u00e3o habitual. Se virmos bem as coisas, aqui \u00e9 sempre Ver\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/072508-2157-miradouroda4.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\n\u00c9 f\u00e1cil saber qual \u00e9 a mulher<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/072508-2157-miradouroda5.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nEstive l\u00e1<\/p>\n<p>Depois do Museu da Escravatura, fomos descendo a costa na direc\u00e7\u00e3o do Cabo da Boa Esperan\u00e7a. N\u00e3o fomos at\u00e9 l\u00e1. No caminho havia coisas para apreciar com calma, como o Miradouro da Lua, por exemplo.<\/p>\n<p>O miradouro da Lua \u00e9 um local bizarro, que s\u00f3 poderia existir aqui. A conjuga\u00e7\u00e3o de solos muito brandos com chuvas torrenciais curtas origina superf\u00edcies de eros\u00e3o muito escarpadas. Numas dezenas de metros apenas, passa-se de um planalto a cerca de 100 metros de altitude para as cotas da praia. Ao longo de quil\u00f3metros, camadas de cores diferentes, que v\u00e3o do vermelho ao branco, v\u00e3o-se precipitando umas nas outras numa esp\u00e9cie de corrida para ver quem chega primeiro ao mar. Mas a imensid\u00e3o das formas e as cores sobrepostas n\u00e3o cabe numa descri\u00e7\u00e3o t\u00e3o curta. \u00c9 melhor mostrar umas fotografias.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/072508-2157-miradouroda6.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nAlgumas chamin\u00e9s de fada mostram superf\u00edcies antigas<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/072508-2157-miradouroda7.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nAs terras vermelhas e brancas<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/072508-2157-miradouroda8.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nTamb\u00e9m l\u00e1 estive<\/p>\n<p>Depois da Lua, fomos espreitar o rio que d\u00e1 o nome \u00e0 moeda angolana, o Kwanza.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/072508-2157-miradouroda9.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA Barra do Kwanza<\/p>\n<p>Do miradouro at\u00e9 ao Kwanza a paisagem de savana parecia estender-se at\u00e9 ao horizonte mais long\u00ednquo, onde o cacimbo j\u00e1 esconde tudo. Na \u00faltima curva da estrada antes da ponte que liga ambas as margens do Kwanza, a paisagem transforma-se em algo que se poderia descrever como um o\u00e1sis, com uma vegeta\u00e7\u00e3o t\u00e3o verde que parece brilhar. O p\u00f3 que cobre tudo at\u00e9 Luanda desaparece e at\u00e9 as pedras parecem respirar vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o atravess\u00e1mos o rio. Havia uma portagem na ponte\u2026 Fomos at\u00e9 \u00e0 praia para espreitar o cabo da margem Sul.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/072508-2157-miradouroda10.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nPorcos e c\u00e3es na praia<\/p>\n<p>Fic\u00e1mos cheios de vontade de repetir o passeio, atravessar o rio e ir ver o Parque Natural da Kissama. E parar no peixe grelhado, claro!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia da garoupa ainda fomos at\u00e9 ao Museu da Escravatura. 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