{"id":3360,"date":"2009-09-17T00:00:00","date_gmt":"2009-09-16T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3360"},"modified":"2009-09-17T00:49:24","modified_gmt":"2009-09-16T23:49:24","slug":"amndio-o-retornado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/amndio-o-retornado\/","title":{"rendered":"Am&acirc;ndio, o retornado"},"content":{"rendered":"<p>Gra\u00e7as a um trabalho que, h\u00e1 uns anos, me levou ao interior de Tr\u00e1s-os-Montes, fiquei a conhecer um pedacinho mais do Portugal profundo que tanto gosto. Vi paisagens que ainda hoje me preenchem os sonhos mas, acima de tudo, conheci pessoas interessantes.<\/p>\n<p>Uma delas foi o Sr. Am\u00e2ndio, de Mogadouro, que ficava de trombas sempre que o Porto perdia um jogo. Ao contr\u00e1rio dos restantes transmontanos da sua idade, falava mais com os bra\u00e7os do que com palavras mas, \u00e0 semelhan\u00e7a dos demais, em cada tr\u00eas palavras, uma ou duas eram um palavr\u00e3o. Era muito engra\u00e7ado ouvi-lo falar.<\/p>\n<p>A dona do caf\u00e9 onde ele trabalhava um dia explicou-me muito baixinho, como se fosse um daqueles segredos negros que \u00e9 bom manter escondido, porque raz\u00e3o o Sr. Am\u00e2ndio era assim \u00ab<em>N\u00e3o ligue, ele \u00e9 retornado\u2026<\/em>\u00bb Trinta anos depois de regressar a Portugal, o estigma de retornado ainda o perseguia. Mogadouro \u00e9 uma terra consevadora, evidentemente.<\/p>\n<p>Uma coisa que fazia muita confus\u00e3o \u00e0s pessoas era que o Sr. Am\u00e2ndio e outro retornado da mesma idade de vez em quando desatavam a falar a <em>l\u00edngua dos pretos<\/em> um com o outro e ningu\u00e9m os percebia. Ambos tinham sido comerciantes no interior de Angola e falavam Kimbundo fluentemente. Era a maneira de matar as saudades da terra para onde tinham ido ainda crian\u00e7as.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Em Mogadouro\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/mogadouro.jpg\" border=\"0\" alt=\"Em Mogadouro\" width=\"400\" height=\"533\" \/><br \/>\nEm Mogadouro<\/p>\n<p>Como todos os retornados, era sempre com olhos brilhantes que falava de \u00c1frica. Em 1975 rumou a Mogadouro, onde os pais tinham deixado algumas terras e recome\u00e7ou a vida. A conversa que tive com o <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2806\" target=\"_blank\">mais-velho de N\u2019Dalatando<\/a> fez-me lembrar esta personagem. Julgo que j\u00e1 morreu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gra\u00e7as a um trabalho que, h\u00e1 uns anos, me levou ao interior de Tr\u00e1s-os-Montes, fiquei a conhecer um pedacinho mais do Portugal profundo que tanto gosto. Vi paisagens que ainda hoje me preenchem os sonhos mas, acima de tudo, conheci pessoas interessantes. Uma delas foi o Sr. Am\u00e2ndio, de Mogadouro, que ficava de trombas sempre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[25,584],"tags":[169,509,585],"class_list":["post-3360","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-portugal","category-tras-os-montes","tag-kimbundu","tag-retornados","tag-sr-amandio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3360"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3360\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3517,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3360\/revisions\/3517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}