{"id":3443,"date":"2009-10-26T00:00:00","date_gmt":"2009-10-25T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3443"},"modified":"2009-09-25T21:40:55","modified_gmt":"2009-09-25T20:40:55","slug":"caxito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/caxito\/","title":{"rendered":"Caxito"},"content":{"rendered":"<p>Ao contr\u00e1rio do Dondo, que sempre foi o meu destino final noutros passeios, o Caxito, uma pequena cidade a meia centena de quil\u00f3metros de Luanda, no caminho para U\u00edge ou M\u2019Banza Congo, tem sido apenas um ponto de passagem onde nunca me dei ao luxo de passear sem hora marcada. Ali mesmo ao lado fica a Barragem das Mabubas, pelo que se percebe logo como a compara\u00e7\u00e3o seria injusta. Mesmo assim, j\u00e1 l\u00e1 almocei e fiz a minha quota-parte de fotografias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Suma\u00fama\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/Caxito01.jpg\" alt=\"Suma\u00fama\" width=\"400\" height=\"600\" \/><br \/>\nA caminho<\/p>\n<p>A primeira impress\u00e3o que tive da cidade foi estranha. Pareceu-me bem organizada e limpa, comparada com Luanda, mas com um ambiente um pouco mais opressivo. Talvez porque para l\u00e1 norte da vala haja apenas capim rasteiro, nos talh\u00f5es de cana-a\u00e7ucareira abandonados e toda a cidade viva encostada a uma fronteira invis\u00edvel quase parecendo o limite de um campo minado. As ruas vazias perto dos edif\u00edcios oficiais, ao contr\u00e1rio do que acontece no Dondo tamb\u00e9m ter\u00e3o contribu\u00eddo para o ambiente pesado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Antigo coreto\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/Caxito06.jpg\" alt=\"Antigo coreto\" width=\"600\" height=\"373\" \/><br \/>\nO antigo coreto \u00e9 agora um quiosque<\/p>\n<p>O Caxito desenvolve-se ao longo de uma estrada, como algumas povoa\u00e7\u00f5es ribatejanas, pelo que a visita \u00e0 cidade \u00e9 feita come\u00e7ando numa ponta e acabando noutra.<\/p>\n<p>Logo depois de cruzar a vala de irriga\u00e7\u00e3o que tem acompanhado a estrada pela direita, chegamos ao centro da cidade, onde se encontram os edif\u00edcios oficiais, as igrejas principais e as casas mais antigas. \u00c9 tamb\u00e9m aqui que a povoa\u00e7\u00e3o aparenta ter mais quarteir\u00f5es paralelos \u00e0 estrada e, mesmo aos Domingos, \u00e9 poss\u00edvel encontrar um restaurante aberto, o que d\u00e1 muito jeito.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Igreja do Caxito\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/Caxito02.jpg\" alt=\"Igreja do Caxito\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nArquitectura moderna<\/p>\n<p>As primeiras impress\u00f5es confirmaram-se noutra visita quando, ao tentar fotografar uma igreja, fomos abordados por um pol\u00edcia dizendo que era proibido fazer fotografias no Caxito sem autoriza\u00e7\u00e3o do Governo. Fez-me lembrar a proibi\u00e7\u00e3o de fotografar a sede do MPLA no Huambo. Parece que a guerra ainda n\u00e3o acabou por aqui.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Torre sineira\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/Caxito04.jpg\" alt=\"Torre sineira\" width=\"201\" height=\"601\" \/><br \/>\nNem o sino ficou como recorda\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A quest\u00e3o resolveu-se sem discuss\u00e3o ou gasosas. Arrum\u00e1mos as m\u00e1quinas e desej\u00e1mos um bom dia ao senhor, que deve ter ficado todo satisfeito por ter cumprido a sua miss\u00e3o. Ainda equacion\u00e1mos mostrar-lhe a folha com as orienta\u00e7\u00f5es do Comando Nacional da Pol\u00edcia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fotografia em locais p\u00fablicos, mas suspeit\u00e1mos que ele haveria de insistir que tinha raz\u00e3o at\u00e9 nos cansarmos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Escadas para o coro\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/Caxito03.jpg\" alt=\"Escadas para o coro\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nInterior da igreja<\/p>\n<p>Recentemente, o Caxito ficou famoso pelas piores raz\u00f5es. A vala de irriga\u00e7\u00e3o que acompanha a estrada ao longo da qual a cidade cresceu \u00e9 usada para fornecer \u00e1gua para beber, cozinhar, lavar a roupa ou carros, tomar banho e nadar, mas tamb\u00e9m de latrina pelos mais pregui\u00e7osos. Como seria de esperar, uma epidemia de c\u00f3lera grassou durante meses na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 melhor n\u00e3o pensar muito nisso quando nos servem salada no restaurante\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao contr\u00e1rio do Dondo, que sempre foi o meu destino final noutros passeios, o Caxito, uma pequena cidade a meia centena de quil\u00f3metros de Luanda, no caminho para U\u00edge ou M\u2019Banza Congo, tem sido apenas um ponto de passagem onde nunca me dei ao luxo de passear sem hora marcada. 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