{"id":3509,"date":"2009-10-12T00:00:00","date_gmt":"2009-10-11T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3509"},"modified":"2009-10-04T03:00:25","modified_gmt":"2009-10-04T02:00:25","slug":"a-voz-da-conscincia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/a-voz-da-conscincia\/","title":{"rendered":"A voz da consci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Muito se fala da voz da consci\u00eancia e daquelas famosas figuras que se sentam nos ombros das personagens de banda desenhada, vestidas de diabinho e anjinho, segredando conselhos mais ou menos s\u00e1bios nos momentos de d\u00favida.<\/p>\n<p>Por muito que pense no assunto, sinto-me incapaz de definir a minha voz interior. N\u00e3o sei se \u00e9 grave, aguda ou desafinada ou at\u00e9 mesmo de falsete. Ali\u00e1s, nem sei bem se me oi\u00e7o pensar ou se os pensamentos s\u00f3 surgem como palavras escritas, que \u00e0s vezes me sucede pensar por escrito; o que leva a interrogar-me acerca da forma dos pensamentos de quem n\u00e3o sabe ler. Um mist\u00e9rio quase t\u00e3o bom \u00e9 descobrir porque raz\u00e3o a minha caligrafia do pensamento \u00e9 t\u00e3o ordeira e a que me sai dos dedos t\u00e3o trapalhona.<\/p>\n<p>Poder\u00e1 acontecer que esteja t\u00e3o habituado \u00e0 minha voz interior, que, qual tradutor simult\u00e2neo perfeito, me explica e ordena o turbilh\u00e3o em que a cabe\u00e7a se transforma, que j\u00e1 n\u00e3o seja capaz de a definir. Temo mesmo que, se algu\u00e9m inventar uma maneira de a escutar, me pare\u00e7a t\u00e3o estranha como a nossa voz gravada, que os outros ouvem habitualmente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Sombras\" border=\"0\" alt=\"Sombras\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/sombras.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>\u201cOlha para ali\u201d, disse-me a voz em mim<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que a l\u00edngua que falamos parece ser a \u00fanica maneira de traduzir os nossos pensamentos. \u00c9 atrav\u00e9s dela que exploramos melhor as potencialidades do c\u00e9rebro. Acaba por ser a l\u00edngua a moldar-nos o pensamento, a imp\u00f4r limites ou a expandir horizontes. Se a nossa voz interior n\u00e3o souber o significado de uma palavra, nunca poderemos expressar verdadeiramente o pensamento que lhe est\u00e1 associado. Uma l\u00edngua pobre&#160; estabelece fronteiras apertadas \u00e0 mente. Uma l\u00edngua rica permite explorar todas aquelas pequenas grada\u00e7\u00f5es que surgem nos sin\u00f3nimos que, apesar de serem semelhantes, diferem sempre nalguma coisa.<\/p>\n<p>Procurava saber como era a minha voz interior e descobri que me levou por outros caminhos, quase como se se estivesse a vingar de todas aquelas vezes em que a ponho \u00e0 procura da palavra certa, aquela palavra perfeita, que descreve exactamente aquilo em que pensamos mas que se mostra esquiva porque a mem\u00f3ria n\u00e3o colabora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito se fala da voz da consci\u00eancia e daquelas famosas figuras que se sentam nos ombros das personagens de banda desenhada, vestidas de diabinho e anjinho, segredando conselhos mais ou menos s\u00e1bios nos momentos de d\u00favida. Por muito que pense no assunto, sinto-me incapaz de definir a minha voz interior. 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