{"id":3582,"date":"2009-10-10T00:00:00","date_gmt":"2009-10-09T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3582"},"modified":"2009-09-24T00:22:56","modified_gmt":"2009-09-23T23:22:56","slug":"sublimao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/sublimao\/","title":{"rendered":"Sublima&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>A naftalina \u00e9 um composto conhecido, n\u00e3o s\u00f3 por habitar urin\u00f3is e roupeiros, mas tamb\u00e9m por passar do estado s\u00f3lido ao gasoso \u00e0 temperatura ambiente. Na maior parte do mundo, \u00e9 um fen\u00f3meno f\u00edsico reservado a algumas subst\u00e2ncias. Em Luanda, tal coisa sucede \u00e0s mat\u00e9rias mais diversas, especialmente as embaladas e transportadas por estrada. H\u00e1 relatos absolutamente fidedignos de sublima\u00e7\u00e3o de grades de cerveja, sacas de cimento, barras de a\u00e7o e caixas de azulejos pirosos para casa-de-banho no trajecto entre o armaz\u00e9m e o cliente. J\u00e1 \u00e9 ponto assente que os cami\u00f5es costumam chegar com menos carga ao destino do que aquela com que partiram, quase como se caixas e sacos passassem do estado s\u00f3lido ao gasoso e desaparecessem na atmosfera sem deixar rasto.<\/p>\n<p>\u00c9 um verdadeiro mist\u00e9rio. A mercadoria \u00e9 contada e conferida \u00e0 sa\u00edda do armaz\u00e9m. Ao cliente chega metade. O motorista, pessoa da mais absoluta confian\u00e7a, faz a sua rota e demora as habituais seis horas a atravessar a cidade. Tanto ele como o ajudante juram que nunca sa\u00edram do cami\u00e3o. Para evitar perder tempo, compraram comida e bebida no engarrafamento da estrada de Viana, \u00e0s mulheres e aos rapazes que passavam entre os carros.<\/p>\n<p>A \u00fanica coisa fora do habitual que viram, foi uns vendedores que, \u00e0 ida, n\u00e3o levavam nada, mas \u00e0 volta, traziam umas caixas de mosaicos iguaizinhas \u00e0s que eles levavam na caixa de carga do cami\u00e3o. O condutor bem ficou de olho nos espelhos, para ver se algu\u00e9m subia, mas com a lona a tapar, nunca deu para perceber. A \u00fanica explica\u00e7\u00e3o \u00e9 a sublima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os empres\u00e1rios avisados j\u00e1 fazem as contas ao factor de sublima\u00e7\u00e3o, que tem em conta n\u00e3o s\u00f3 a dist\u00e2ncia da entrega, mas tamb\u00e9m quantos quil\u00f3metros de tr\u00e2nsito compacto ser\u00e1 necess\u00e1rio cruzar.<\/p>\n<p>H\u00e1 outros, mais c\u00e9pticos ou com um esp\u00edrito cient\u00edfico mais apurado, que enviam observadores treinados para tentar perceber como funciona o fen\u00f3meno da sublima\u00e7\u00e3o da mercadoria. Estes aprendizes de laborat\u00f3rio viajam na caixa de carga ou no atrelado, sempre de olho na mercadoria, atentos a todo e qualquer sinal de sublima\u00e7\u00e3o. Se se aperceberem dele, reagem logo, espetando um soco no agente catalizador da sublima\u00e7\u00e3o, que, geralmente, apanhado de surpresa, desata a correr rua fora, pelo meio dos carros parados, deixando os chinelos para tr\u00e1s.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Dois funcion\u00e1rios viajam deitados sobre a carga no semi-atrelado\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/samba.jpg\" border=\"0\" alt=\"Dois funcion\u00e1rios viajam deitados sobre a carga no semi-atrelado\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nT\u00e9cnicos de laborat\u00f3rio impedindo a sublima\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A naftalina \u00e9 um composto conhecido, n\u00e3o s\u00f3 por habitar urin\u00f3is e roupeiros, mas tamb\u00e9m por passar do estado s\u00f3lido ao gasoso \u00e0 temperatura ambiente. 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