{"id":3626,"date":"2009-11-01T00:00:00","date_gmt":"2009-10-31T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3626"},"modified":"2016-01-15T17:08:01","modified_gmt":"2016-01-15T16:08:01","slug":"a-fronteira-na-areia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/a-fronteira-na-areia\/","title":{"rendered":"A fronteira na areia"},"content":{"rendered":"<p>Os jactos modernos, para poupar combust\u00edvel, voam muito alto. A paisagem costuma ser mon\u00f3tona, vendo-se quase sempre apenas a parte de cima das v\u00e1rias camadas de nuvens. Com um pouco de sorte encontramos algumas abertas que nos permitem espreitar o ch\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: inline; border-width: 0px;\" title=\"Por cima das nuvens\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/deserto4.jpg\" alt=\"Por cima das nuvens\" width=\"600\" height=\"400\" border=\"0\" \/><br \/>\nPor cima das nuvens do equador<\/p>\n<p>Na mudan\u00e7a de esta\u00e7\u00e3o, h\u00e1 dias excepcionais, em que n\u00e3o se avista uma \u00fanica nuvem assim que se cruza o tr\u00f3pico de C\u00e2ncer. Tive a felicidade de, num destes dias sem nuvens, ver o deserto do Saara surgir da savana cada vez mais rala.<\/p>\n<p>A primeira ideia que temos do deserto \u00e9 a de paisagem mon\u00f3tona, como geralmente s\u00e3o retratados nos filmes. O Saara \u00e9 tudo menos um mar de areia mon\u00f3tono. A cada centena de metros a cor do ch\u00e3o muda, h\u00e1 ravinas e leitos de rios, arbustos e pedras espalhados segundo um padr\u00e3o intrincado e n\u00e3o nos custa acreditar que seja poss\u00edvel memorizar estes acidentes naturais para nos orientarmos no ch\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: inline; border-width: 0px;\" title=\"Estruturas geol\u00f3gicas no deserto\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/deserto2.jpg\" alt=\"Estruturas geol\u00f3gicas no deserto\" width=\"600\" height=\"400\" border=\"0\" \/><br \/>\nTudo menos mon\u00f3tono<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ser todo igual, \u00e9 de tal maneira grande que somos incapazes de recordar muitos pormenores e tudo se confunde. N\u00e3o encontramos grande diferen\u00e7a entre a areia fina e amarela do senegal e o cascalho cinzento de certas partes dos Atlas. S\u00e3o diferentes, mas acabam por ser iguais por n\u00e3o os conseguirmos abarcar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: inline; border-width: 0px;\" title=\"Meandros nas faldas dos Atlas\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/deserto3.jpg\" alt=\"Meandros nas faldas dos Atlas\" width=\"600\" height=\"400\" border=\"0\" \/><br \/>\nEros\u00e3o<\/p>\n<p>Talvez por isso, \u00e9 estranho encontrar uma fronteira desenhada no deserto. Procuramos, debalde, raz\u00f5es que expliquem o tra\u00e7ado daquela linha. Procuramos descortinar o que h\u00e1 de diferente entre um e outro lado da fronteira e, sinceramente, parece-nos que \u00e9 tudo igual.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: inline; border-width: 0px;\" title=\"Linha tra\u00e7ada no deserto\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/deserto1.jpg\" alt=\"Linha tra\u00e7ada no deserto\" width=\"600\" height=\"400\" border=\"0\" \/><br \/>\nFronteira no deserto<\/p>\n<p>Mas, a separar Marrocos do resto de \u00c1frica, uma linha mais clara rasga o deserto. De um lado e de outro, algumas estradas mais estreitas correm paralelas. Pequenos edif\u00edcios ao longo da linha relembram que algures ali h\u00e1 uma terra de ningu\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os jactos modernos, para poupar combust\u00edvel, voam muito alto. A paisagem costuma ser mon\u00f3tona, vendo-se quase sempre apenas a parte de cima das v\u00e1rias camadas de nuvens. 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