{"id":3644,"date":"2009-11-05T00:00:00","date_gmt":"2009-11-04T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3644"},"modified":"2016-01-15T17:06:05","modified_gmt":"2016-01-15T16:06:05","slug":"em-luanda-cheio-de-sono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/em-luanda-cheio-de-sono\/","title":{"rendered":"Em Luanda, cheio de sono"},"content":{"rendered":"<p>Regressei a Luanda num dia t\u00e3o nublado que quase diria ser de Cacimbo. O aeroporto e os telhados de chapa com pedras que o rodeiam s\u00f3 surgiram nos \u00faltimos segundos da viagem. Antes disso, a \u00fanica recorda\u00e7\u00e3o de uma viagem dormida \u00e0 janela \u00e9 a de ver rel\u00e2mpagos iluminar as nuvens algures sobre o equador.<\/p>\n<p>Muitas caras cansadas fizeram fila para o controlo de passaportes. As filas, mais ou menos ordeiras, avan\u00e7avam lentamente. De vez em quando algu\u00e9m tentava furar o esquema e apresentar-se no controlo de passaportes diplom\u00e1ticos ou de tripula\u00e7\u00f5es. Nem sempre eram recusados, apesar de terem de conversar um pouco a justificar a pressa.<\/p>\n<p>Imediatamente a seguir ao carimbo aplicado pela funcion\u00e1ria sonolenta vem o controlo \u00e0 esquina. Por alguma raz\u00e3o, os servi\u00e7os de estrangeiros acham que o controlo da validade dos vistos feito no computador \u00e9 de qualidade inferior ao olhar de esguelha que lhe deitam ainda antes da tinta do carimbo secar.<\/p>\n<p>Uma novidade a que j\u00e1 n\u00e3o estava habituado no novo terminal de chegadas \u00e9 o controlo sanit\u00e1rio. O formul\u00e1rio destac\u00e1vel que era carimbado \u00e0 entrada foi substitu\u00eddo pelo question\u00e1rio universal da gripe su\u00edna entregue ainda no avi\u00e3o e pela apresenta\u00e7\u00e3o do boletim de vacinas antes da recolha das malas.<\/p>\n<p>Ao cruzar a porta, fui brindado com um daqueles dias abafados que promete chuva mas sabemos que n\u00e3o vai cumprir. Luanda n\u00e3o \u00e9 quente, mas tem dias em que nos sentimos cozer. Contra o corrim\u00e3o acotovelavam-se centenas de pessoas a esticar o pesco\u00e7o para a porta. Algumas seguravam folhas de papel com nomes de empresas e pessoas. Uns chegavam mesmo a interpelar passageiro a passageiro se eram a pessoa referida no papel. Fiquei a pensar no que aconteceria se tivesse dito que sim\u2026<\/p>\n<p>A grande novidade do novo terminal de chegadas \u00e9 que a pol\u00edcia conseguiu correr com os mo\u00e7os das bagagens que se agarram \u00e0s malas dos incautos e as transportam em passo acelerado at\u00e9 ao carro sabendo perfeitamente que s\u00f3 as voltam a largar a troco de alguns kwanzas. Dentro do parque de estacionamento n\u00e3o se v\u00eaem, mas, perto das sa\u00eddas, assim que o pol\u00edcia vira costas entram logo a correr dois ou tr\u00eas para \u00abservir\u00bb quem sai. Com sorte arranjam cliente, com azar, uma traulitada com o cassetete.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: inline; border: 0px;\" title=\"Autocarro \u00abVoo Terrestre\u00bb\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/voo_terrestre.jpg\" alt=\"Autocarro \u00abVoo Terrestre\u00bb\" width=\"600\" height=\"400\" border=\"0\" \/><br \/>\nAntes de avi\u00e3o<\/p>\n<p>Fui directamente para o escrit\u00f3rio, sem passar na casa da partida ou receber os 2\u2019000$00 \u2013 sim, ainda sou do tempo do Monop\u00f3lio em escudos. Cheio de sono e com um longo dia pela frente at\u00e9 ao banho e a soneca, antecipei um dia mau\u2026 e foi.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regressei a Luanda num dia t\u00e3o nublado que quase diria ser de Cacimbo. O aeroporto e os telhados de chapa com pedras que o rodeiam s\u00f3 surgiram nos \u00faltimos segundos da viagem. 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