{"id":3694,"date":"2009-11-20T00:00:00","date_gmt":"2009-11-19T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3694"},"modified":"2009-11-20T00:00:00","modified_gmt":"2009-11-19T23:00:00","slug":"isso-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/isso-angola\/","title":{"rendered":"Isso &eacute; Angola&hellip;"},"content":{"rendered":"<p>A express\u00e3o que mais custa ouvir nesta terra \u00e9 o encolher de ombros vocalizado \u00ab<em>Isso \u00e9 Angola\u2026<\/em>\u00bb. Serve de desculpa para tudo, desde as falhas associadas a um pa\u00eds com as infra-estruturas degradadas ou em estado embrion\u00e1rio, at\u00e9 \u00e0s inerentes ao comodismo ou pregui\u00e7a de cada um.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Resto de elevador\" border=\"0\" alt=\"Resto de elevador\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/issoehangola5.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Com o elevador avariado, o contrapeso foi roubado<\/p>\n<p>\u00c9 a outra face do excesso de orgulho e falta de brio com que se consegue caracterizar os angolanos. T\u00eam muito orgulho na sua terra e no seu pa\u00eds, com as riquezas enterradas e potenciais agr\u00edcola e tur\u00edstico enormes, mas n\u00e3o h\u00e1 nenhum sentimento de frustra\u00e7\u00e3o por n\u00e3o se explorar os motivos de orgulho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Cabriteria\" border=\"0\" alt=\"Cabriteria\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/issoehangola3.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Falta de higiene num \u00abrestaurante\u00bb<\/p>\n<p>Da mesma maneira que alguns encolhem os ombros ao ver algu\u00e9m despejar lixo fora do s\u00edtio, outros partem garrafas na praia com um imenso sorriso e exclamam \u00ab<em>Isso \u00e9 Angola!<\/em>\u00bb. A pouco e pouco, o sentimento generalizado \u00e9 que Angola \u00e9 assim e n\u00e3o h\u00e1 volta a dar. N\u00e3o pode evoluir para n\u00e3o perder essa genuidade definida nas tr\u00eas palavrinhas de <em>Isso \u00e9 Angola<\/em>.&#160;&#160;&#160;&#160; <\/p>\n<p>Depois de tr\u00eas d\u00e9cadas de guerra, com as dificuldades a serem enfrentadas e resolvidas individualmente por ser imposs\u00edvel pensar nos outros, todos se habituaram a n\u00e3o exigir condi\u00e7\u00f5es. Se falta a electricidade, h\u00e1 que comprar um gerador porque <em>Isso \u00e9 Angola<\/em> e n\u00e3o h\u00e1 volta a dar. Se falta a \u00e1gua, investe-se num dep\u00f3sito porque ningu\u00e9m espera que a \u00e1gua corrente seja um servi\u00e7o b\u00e1sico universal.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Marco de correio semi-enterrado\" border=\"0\" alt=\"Marco de correio semi-enterrado\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/issoehangola4.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Alguns servi\u00e7os b\u00e1sicos desapareceram<\/p>\n<p>Nos jornais l\u00ea-se que os angolanos n\u00e3o podem tolerar que os filhos do novo presidente da Z\u00e2mbia, no poder h\u00e1 menos de um ano, j\u00e1 estejam milion\u00e1rios. N\u00e3o questionam quem s\u00e3o os mais ricos de Angola nem a sua rela\u00e7\u00e3o com o poder. Afinal de contas, \u00e9 Angola.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Vendedora e c\u00e3o sarnento\" border=\"0\" alt=\"Vendedora e c\u00e3o sarnento\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/issoehangola2.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Enquanto isso, uns ganham a vida vendendo no ch\u00e3o<\/p>\n<p>Criticar os defeitos alheios e branquear os nossos \u00e9 um pecadilho frequente. N\u00e3o estou esquecido da promiscuidade entre poderes p\u00fablicos e empresas privadas que grassa l\u00e1 no hemisf\u00e9rio Norte, mas essa \u00e9 uma hist\u00f3ria para outra altura. Espero que os portugueses se indignem tanto da sua situa\u00e7\u00e3o como os angolanos da dos zambianos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Vendedoras de p\u00e3o\" border=\"0\" alt=\"Vendedoras de p\u00e3o\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/issoehangola1.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Para sobreviver, tudo se faz<\/p>\n<p><em>Isso \u00e9 Angola<\/em> n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um desabafo, \u00e9 sinal de desist\u00eancia. \u00c9 sinal de falta de esperan\u00e7a no futuro. Diz-nos que a guerra ainda n\u00e3o acabou, pelo menos a n\u00edvel psicol\u00f3gico. Ningu\u00e9m precisa de se preocupar com nada, o brio profissional \u00e9 algo quase desconhecido e tudo continuar\u00e1 como dantes. Isso \u00e9 Angola. Antes assim que pior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A express\u00e3o que mais custa ouvir nesta terra \u00e9 o encolher de ombros vocalizado \u00abIsso \u00e9 Angola\u2026\u00bb. Serve de desculpa para tudo, desde as falhas associadas a um pa\u00eds com as infra-estruturas degradadas ou em estado embrion\u00e1rio, at\u00e9 \u00e0s inerentes ao comodismo ou pregui\u00e7a de cada um. 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