{"id":3718,"date":"2009-11-24T00:00:00","date_gmt":"2009-11-23T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3718"},"modified":"2009-11-24T00:00:00","modified_gmt":"2009-11-23T23:00:00","slug":"a-inflaco-na-ponta-dos-dedos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/a-inflaco-na-ponta-dos-dedos\/","title":{"rendered":"A inflac&ccedil;&atilde;o na ponta dos dedos"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 certos conceitos que sabemos serem verdadeiros mas que, na verdade, n\u00e3o somos capazes de apresentar um exemplo concreto dos seus efeitos. A inflac\u00e7\u00e3o \u00e9 um deles. Nas sociedades capitalistas, sabemos que os pre\u00e7os variam com a aplica\u00e7\u00e3o da lei da oferta e da procura. Geralmente sobem, o que, \u00e9 considerado bom sinal, caso a subida seja controlada e moderada.<\/p>\n<p>Numa economia saud\u00e1vel, o facto de os pre\u00e7os subirem, s\u00f3 por si n\u00e3o traz grandes desvantagens, uma vez que os sal\u00e1rios, pelo menos em teoria, acompanham esta subida. Por este motivo, apesar de sabermos que as coisas est\u00e3o mais caras, os efeitos no dia-a-dia s\u00e3o modestos e s\u00f3 fazendo um esfor\u00e7o mental para nos lembrarmos do quanto custavam as coisas no passado \u00e9 que nos apercebemos das varia\u00e7\u00f5es. Geralmente, esquecemo-nos de recordar quanto se ganhava na altura.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Corrida nas zungueiras\" border=\"0\" alt=\"Corrida nas zungueiras\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/kwanzas1.jpg\" width=\"533\" height=\"400\" \/>    <br \/>Uma corrida nas zungueiras<\/p>\n<p>A menos de uma mudan\u00e7a de divisa, que nos congela as refer\u00eancias de pre\u00e7os numa determinada \u00e9poca, a inflac\u00e7\u00e3o normal n\u00e3o deixa marcas permanentes. Claro que fiquei espantado quando encontrei uma prova f\u00edsica dos efeitos da inflac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando estava a organizar os trocos que tinha na carteira, separando por valores as v\u00e1rias notas de kwanza de pequeno valor que se v\u00e3o acumulando com o passar das semanas, reparei numa coisa intrigante. Em meados de 2008, as notas mais usadas e sujas eram as de 10 e 5 Kz, \u00e0 conta das muitas vezes trocarem de m\u00e3os nos trocos e, devido ao seu baixo valor, serem pouco estimadas. As notas de 50 kz circulavam muito gastas, mas comparativamente mais limpas, talvez porque ainda valiam alguma coisa. Pouco mas valiam. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Vendedoras\" border=\"0\" alt=\"Vendedoras\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/kwanzas2.jpg\" width=\"533\" height=\"400\" \/>    <br \/>Margens magras<\/p>\n<p>Ano e meio depois, as notas de 50 kz juntaram-se \u00e0s de menor valor no seu estado de conserva\u00e7\u00e3o. As de 100 Kz ocuparam o seu lugar. N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o se emitam novas notas para substituir as estragadas, porque se v\u00eaem muitas notas novas, ainda duras e brilhantes, a circular. S\u00f3 que o que os 50 Kz valem n\u00e3o paga o cuidado em preservar as notas. S\u00e3o apenas trocos.<\/p>\n<p>Nunca pensei que a inflac\u00e7\u00e3o se pudesse notar tanto que levasse a mudar a denomina\u00e7\u00e3o da unidade monet\u00e1ria mais circulada. Numa conclus\u00e3o apressada, em cerca de 18 meses, o pre\u00e7o m\u00ednimo das coisas duplicou. O estranho \u00e9 que, com os pre\u00e7os absurdos que se praticam em Angola, nem mesmo adiantando uma inflac\u00e7\u00e3o anual de 30%, fico minimamente preocupado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 certos conceitos que sabemos serem verdadeiros mas que, na verdade, n\u00e3o somos capazes de apresentar um exemplo concreto dos seus efeitos. A inflac\u00e7\u00e3o \u00e9 um deles. Nas sociedades capitalistas, sabemos que os pre\u00e7os variam com a aplica\u00e7\u00e3o da lei da oferta e da procura. 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