{"id":3841,"date":"2009-12-16T00:00:00","date_gmt":"2009-12-15T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3841"},"modified":"2009-12-16T00:00:00","modified_gmt":"2009-12-15T23:00:00","slug":"os-confortos-do-mundo-moderno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/os-confortos-do-mundo-moderno\/","title":{"rendered":"Os confortos do mundo moderno"},"content":{"rendered":"<p>Como capital moderna e progressista, inserida na sociedade global, Luanda orgulha-se de contar com todos os confortos habituais do mundo moderno. Apenas os sistemas de aquecimento central est\u00e3o ausentes, por manifesta falta de necessidade.<\/p>\n<p>As redes de \u00e1gua canalizada, muito danificadas durante os primeiros anos da guerra civil, v\u00e3o-se recompondo lentamente. Novas condutas de calibres m\u00e9dios est\u00e3o a ser instaladas um pouco por toda a cidade, melhorando muito a qualidade da \u00e1gua distribu\u00edda e diminu\u00edndo a frequ\u00eancia das falhas.<\/p>\n<p>Um pouco por toda a \u00e1rea metropolitana de Luanda h\u00e1 dep\u00f3sitos de g\u00e1s de cozinha para abastecer os milh\u00f5es de habitantes da cidade. Segundo informa\u00e7\u00f5es da Sonangol, enchem-se diariamente trinta mil garrafas, o que equivaler\u00e1 mais de duzentas e cinquenta toneladas de g\u00e1s. \u00c9 preciso resistir a fazer as contas que agora est\u00e3o na moda para calcular a quantidade de di\u00f3xido de carbono resultante da queima de tanto g\u00e1s. As pessoas t\u00eam de cozinhar e, se n\u00e3o usarem o g\u00e1s, v\u00e3o usar carv\u00e3o vegetal de fabrico artesanal, o que significa muitas \u00e1rvores abatidas por essa \u00c1frica fora.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s\" border=\"0\" alt=\"Distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/gas.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>O g\u00e1s que uns levam \u00e0 cabe\u00e7a e outros esperam em casa<\/p>\n<p>Os combust\u00edveis que alimentam a cada vez maior frota de autom\u00f3veis angolana chegam em cada vez maior quantidade ao pa\u00eds, sendo vendidos a um pre\u00e7o altamente subsidiado que n\u00e3o incentiva em nada a sua poupan\u00e7a. Estando habituado a pre\u00e7os da gasolina e gas\u00f3leo a variar semanalmente em fun\u00e7\u00e3o do valor do barril de petr\u00f3leo, n\u00e3o deixo de estranhar que um litro de gasolina custe 40 Kz com o <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1219\" target=\"_blank\">c\u00e2mbio<\/a> para o d\u00f3lar a 75 ou a 90 e com o custo do barril a variar loucamente. Em Angola tudo aumenta de pre\u00e7o excepto a gasolina, que fica cada vez mais barata.<\/p>\n<p>Como em qualquer pa\u00eds civilizado, a rede de caixas autom\u00e1ticos permite levantar dinheiro a qualquer hora do dia e sem esperar nas filas dos bancos. O limite de levantamento di\u00e1rio foi aumentado para 36\u2019000 Kz, facilitando ainda mais a vida \u00e0s pessoas. Talvez seja a prepara\u00e7\u00e3o para a febre consumista que se prev\u00ea com a abertura da pr\u00f3xima dezena de centros comerciais repletos de lojas de luxo.<\/p>\n<p>Milhares de m\u00e1quinas de ar condicionado revestem as fachadas de todo o tipo de edif\u00edcios de Luanda, desde as mais modestas casas de blocos e chapa, at\u00e9 \u00e0s torres de vidro do centro. Como \u00e9 natural, necessitam de electricidade para funcionar, tal como todos os frigor\u00edficos, televisores, l\u00e2mpadas e receptores de sat\u00e9lite. Mesmo que a produ\u00e7\u00e3o da EDEL seja insuficiente para a cidade inteira, sempre se pode contar com um gerador com combust\u00edvel subsidiado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Sonangol e CIF iluminadas\" border=\"0\" alt=\"Sonangol e CIF iluminadas\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/luzes.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Bairros inteiros \u00e0s escuras<\/p>\n<p>As redes de telefone fixo foram, por raz\u00f5es pragm\u00e1ticas, substitu\u00eddas pelos telefones m\u00f3veis. H\u00e1 quase tantos <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3150\" target=\"_blank\">n\u00fameros em servi\u00e7o<\/a> como angolanos vivos. As poucas linhas fixas que ainda resistem sofrem avarias demoradas, mas v\u00e3o trabalhando.<\/p>\n<p>Para melhorar os servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es, constou-me que j\u00e1 se tinha conclu\u00eddo o anel de fibra \u00f3ptica em Luanda. Esta infra-estrutura permite maiores larguras de banda para internet e telefones, aproximando a situa\u00e7\u00e3o actual dos padr\u00f5es m\u00ednimos do resto do mundo.<\/p>\n<p>Os transportes p\u00fablicos t\u00eam sofrido grandes investimentos em vias e material circulante, tanto a n\u00edvel de autocarros, como de comb\u00f3ios. Foi tamb\u00e9m noticiada a aquisi\u00e7\u00e3o, pelo <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3812\" target=\"_blank\">Estado Angolano<\/a>, de um cargueiro para transporte de carros, claramente uma prioridade para a satisfa\u00e7\u00e3o dos apetites burgueses da nova classe m\u00e9dia em termos de autom\u00f3veis importados.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Candongueiro \u00abMe chulao ja\u00bb\" border=\"0\" alt=\"Candongueiro \u00abMe chulao ja\u00bb\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/chulao.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Os transportes actuais n\u00e3o satisfazem<\/p>\n<p>Tenho de concluir que, numa cidade com tantas condi\u00e7\u00f5es, devo ter um azar desgra\u00e7ado. A luz falta h\u00e1 seis horas e a \u00e1gua outras tantas. O gas\u00f3leo para o gerador e a gasolina para o carro est\u00e3o esgotadas nas bombas mais pr\u00f3ximas. Se o g\u00e1s acabar n\u00e3o h\u00e1 onde comprar sem ser no mercado negro, a dez vezes o pre\u00e7o normal, mas, a menos que o sistema Multicaixa voltar a ficar operacional brevemente, tamb\u00e9m n\u00e3o vou ter dinheiro para isso.<\/p>\n<p>Os telefones fixos h\u00e1 semanas que n\u00e3o d\u00e3o sinal de vida e os telem\u00f3veis reclamam com a rede demasiado congestionada. Ningu\u00e9m faz ou recebe chamadas e nem adianta reclamar, que a resposta vai ser a do costume: \u00ab<em>que uma empresa cortou a fibra \u00f3ptica a abrir uma vala<\/em>\u00bb. \u00c9 uma empresa azarada ou ent\u00e3o a fibra foi enterrada a um palmo da superf\u00edcie.<\/p>\n<p>A internet n\u00e3o passa de um boato que circula por a\u00ed e, sinceramente, j\u00e1 nem me lembro quando foi a \u00faltima vez que tive not\u00edcias de semelhante fen\u00f3meno. Em vez de descrever a qualidade da liga\u00e7\u00e3o pela largura de banda, terei de passar a falar em intermit\u00eancia de banda.<\/p>\n<p>Ainda quis escrever uma carta para relatar o sucedido, mas parece que os <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2448\" target=\"_blank\">Correios<\/a> n\u00e3o ma entregam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como capital moderna e progressista, inserida na sociedade global, Luanda orgulha-se de contar com todos os confortos habituais do mundo moderno. Apenas os sistemas de aquecimento central est\u00e3o ausentes, por manifesta falta de necessidade. As redes de \u00e1gua canalizada, muito danificadas durante os primeiros anos da guerra civil, v\u00e3o-se recompondo lentamente. 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