{"id":3871,"date":"2009-12-20T00:00:00","date_gmt":"2009-12-19T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3871"},"modified":"2009-12-20T00:00:00","modified_gmt":"2009-12-19T23:00:00","slug":"central-das-mabubas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/central-das-mabubas\/","title":{"rendered":"Central das Mabubas"},"content":{"rendered":"<p>Depois de algumas visitas \u00e0 barragem das Mabubas, resolvi informar-me melhor acerca da situa\u00e7\u00e3o das minas do outro lado. No quartel disseram-me que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era t\u00e3o negra quanto tinha pintado o pol\u00edcia na <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2410\" target=\"_blank\">primeira visita<\/a>.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Tanque russo\" border=\"0\" alt=\"Tanque russo\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/mabubas2.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>  <br \/>A guardar a barragem   <\/p>\n<p>O passeio na margem esquerda do rio \u00e9 muito mais agrad\u00e1vel. Por alguma raz\u00e3o, quando se construiu a barragem fez-se tamb\u00e9m um miradouro para ver a albufeira e a povoa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Miradouro\" border=\"0\" alt=\"Miradouro\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/mabubas8.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>O miradouro<\/p>\n<p>seguindo paralelamente ao rio h\u00e1 um caminho que liga a casa dos filtros \u00e0s c\u00e2maras de equil\u00edbrio de press\u00e3o antes dos geradores. L\u00e1 em baixo correm os dois grandes tubos octogonais que levavam \u00e1gua \u00e0 central el\u00e9ctrica.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Condutas de abastecimento \u00e0 central\" border=\"0\" alt=\"Condutas de abastecimento \u00e0 central\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/mabubas5.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>O caminho da \u00e1gua<\/p>\n<p>H\u00e1 muito que a \u00e1gua deixou de correr nas condutas. A guerra e a inc\u00faria encarregaram-se disso. Hoje servem de mesa para os grupos de turistas que v\u00e3o visitar a barragem ao Domingo e resolver fazer uma patuscada \u00e0 beira-rio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Tubo rebentado\" border=\"0\" alt=\"Tubo rebentado\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/mabubas3.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Sabotagem<\/p>\n<p>O caminho reparado recentemente por uma m\u00e1quina de rastos est\u00e1 juncado de ma\u00e7os de tabaco chin\u00eas, com marcas traduzidas para Ingl\u00eas, talvez para lhes dar um ar mais internacional. Tabaco <em>Dupla Felicidade<\/em> ou <em>Drag\u00e3o Dourado<\/em> tem mais charme que tabaco de linha branca. Sem precisar de imaginar muito, adivinhamos que o empreiteiro escolhido para esta obra \u00e9 o novo parceiro oriental de Angola.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Central das Mabubas\" border=\"0\" alt=\"Central das Mabubas\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/mabubas1.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>  <br \/>Arqueologia industrial   <\/p>\n<p>Chega-se \u00e0 central pelas traseiras, de onde podemos ver a destrui\u00e7\u00e3o que a guerra civil causou. O telhado de vidro da casa dos geradores, todas as janelas, os isoladores dos cabos de m\u00e9dia tens\u00e3o que abasteciam o quartel na margem oposta e todas as paredes apresentam cicatrizes de balas de v\u00e1rios calibres. Para al\u00e9m das paredes, quase nada ficou inteiro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Ru\u00ednas\" border=\"0\" alt=\"Ru\u00ednas\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/mabubas6.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Marcas da guerra<\/p>\n<p>O parque de alta tens\u00e3o fica do lado oposto do edif\u00edcio. L\u00e1, uma m\u00e1quina vai amontoando a sucata que alguns trabalhadores retiram da central. Tratam com especial cuidado os n\u00facleos dos geradores, que, literalmente, valem o seu peso em cobre. Pe\u00e7o autoriza\u00e7\u00e3o para fotografar ao capataz. N\u00e3o falo Mandarim nem Canton\u00eas, ele n\u00e3o fala Portugu\u00eas, mas arranha Ingl\u00eas e, \u00e0 mistura com alguns gestos e acenos de cabe\u00e7a aponta-me na direc\u00e7\u00e3o pretendida com um sorriso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Interior da central\" border=\"0\" alt=\"Interior da central\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/mabubas7.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Destrui\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Descontando as actividades de desmantelamento das m\u00e1quinas e turbinas, o interior da casa dos geradores parece ter sido o palco de uma batalha sem quartel. Se do lado de fora havia muitos buracos de bala, aqui parece faltar espa\u00e7o onde fazer mais um.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Chapa caracter\u00edstica Westinghouse\" border=\"0\" alt=\"Chapa caracter\u00edstica Westinghouse\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/mabubas4.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Igual a este havia mais tr\u00eas<\/p>\n<p>No piso inferior, sombras e silhuetas iluminadas pelos ma\u00e7aricos v\u00e3o dan\u00e7ando enquanto as turbinas s\u00e3o cortadas em peda\u00e7os mais pequenos. De vez em quando vemos algu\u00e9m pousar a m\u00e1scara e acender um cigarro. Pelos buracos conseguimos espreitar mais um peda\u00e7o de arqueologia industrial que desaparece.<\/p>\n<p>As boas not\u00edcias s\u00e3o que a central est\u00e1 a ser recuperada, depois de muitos anos de abandono. Ainda n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o para a sua entrada em funcionamento, porque h\u00e1 muito para arranjar. Novas turbinas e transformadores tratam da parte el\u00e9ctrica. Reparar o t\u00fanel de alimenta\u00e7\u00e3o e a casa dos filtros tamb\u00e9m n\u00e3o deve ser uma opera\u00e7\u00e3o demorada, mas voltar a p\u00f4r as comportas a funcionar e encher a albufeira at\u00e9 aos n\u00edveis m\u00ednimos, ser\u00e1 a parte complicada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de algumas visitas \u00e0 barragem das Mabubas, resolvi informar-me melhor acerca da situa\u00e7\u00e3o das minas do outro lado. No quartel disseram-me que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era t\u00e3o negra quanto tinha pintado o pol\u00edcia na primeira visita. 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