{"id":3885,"date":"2010-01-02T00:00:00","date_gmt":"2010-01-01T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3885"},"modified":"2009-12-30T23:41:03","modified_gmt":"2009-12-30T22:41:03","slug":"runas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/runas\/","title":{"rendered":"Ru\u00ednas"},"content":{"rendered":"<p>Por todo o mundo h\u00e1 locais tur\u00edsticos cuja principal atrac\u00e7\u00e3o s\u00e3o as ru\u00ednas de civiliza\u00e7\u00f5es ou cidades desaparecidas.<\/p>\n<p>Em volta do Mediterr\u00e2neo, um pouco por todo o lado encontramos ru\u00ednas romanas. Cidades, villas, fortifica\u00e7\u00f5es e estradas. Antes deles, outros povos deixaram as suas marcas sob a forma de castros e monumentos megal\u00edticos.<\/p>\n<p>O que mais impressiona os visitantes n\u00e3o \u00e9 a idade das pedras ou da perfei\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o. O abandono a que foram votadas \u00e9 ainda mais incompreens\u00edvel que a maneira como foram constru\u00eddas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Ru\u00ednas da Biblioteca de \u00c9feso, na Turquia\" border=\"0\" alt=\"Ru\u00ednas da Biblioteca de \u00c9feso, na Turquia\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/efeso.jpg\" width=\"400\" height=\"600\" \/>    <br \/>Biblioteca Romana<\/p>\n<p>Custa a entender como certos edif\u00edcios v\u00eaem a sua monumentalidade reduzida a um monte de pedras sem significado, como se todo o esfor\u00e7o para os construir fosse um investimento desprez\u00e1vel.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Ru\u00ednas do Circo de El Jem, Tun\u00edsia\" border=\"0\" alt=\"Ru\u00ednas do Circo de El Jem, Tun\u00edsia\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/eljem.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Circo Romano<\/p>\n<p>H\u00e1 estruturas que s\u00f3 fazem sentido em certas \u00e9pocas ou per\u00edodos civilizacionais. Para os Romanos, o Circo era parte fundamental da sociedade mas, para os povos que ocuparam o seu lugar, n\u00e3o tinha um papel assim t\u00e3o importante, portanto os Circos e Coliseus foram abandonados e utilizados como dep\u00f3sito de cantarias para constru\u00e7\u00e3o de novas casas ou reconvertidos para outras utiliza\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 invulgar ver escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas que revelam um teatro Romano soterrado por uma lixeira medieval.<\/p>\n<p>Se deixarmos de tentar perceber o que levou a que edif\u00edcios constru\u00eddos h\u00e1 vinte s\u00e9culos fossem abandonados e come\u00e7armos a olhar para \u00e9pocas mais pr\u00f3ximas, talvez encontremos um padr\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Sanat\u00f3rio dos Ferrovi\u00e1rios, na Covilh\u00e3\" border=\"0\" alt=\"Sanat\u00f3rio dos Ferrovi\u00e1rios, na Covilh\u00e3\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/covilha.jpg\" width=\"400\" height=\"600\" \/>    <br \/>Sanat\u00f3rio dos Ferrovi\u00e1rios<\/p>\n<p>O abandono ocorre, geralmente, apenas nos edif\u00edcios monumentais ou que n\u00e3o est\u00e3o associados \u00e0 vida do dia-a-dia dos povos. As casas onde moram v\u00e3o sendo ocupadas e transformadas ao longo das gera\u00e7\u00f5es e, a menos de circunst\u00e2ncias extraordin\u00e1rios, v\u00e3o perpetuando as cidades.<\/p>\n<p>Quando um edif\u00edcio \u00e9 abandonado por tempo suficiente para que a sua fun\u00e7\u00e3o seja esquecida pelas pessoas, o caminho para se transformar num objecto de valor arqueol\u00f3gico est\u00e1 tra\u00e7ado. Basta uma gera\u00e7\u00e3o para que seja esquecido o modo de usar das constru\u00e7\u00f5es especiais.<\/p>\n<p>Em Portugal, o exemplo mais recente de estruturas abandonadas s\u00e3o os sanat\u00f3rios espalhados um pouco por todo o pa\u00eds, que perderam a sua fun\u00e7\u00e3o com a descoberta de antibi\u00f3ticos e outras formas de combater a tuberculose.<\/p>\n<p>Em Angola, com a descoloniza\u00e7\u00e3o, muito do saber associado \u00e0s paredes que ficaram perdeu-se e come\u00e7amos a ver um processo de abandono e reciclagem das constru\u00e7\u00f5es coloniais. Algumas ser\u00e3o ru\u00ednas. Outras, qualquer coisa diferente. N\u00e3o deixa de ser curioso como uma pergunta feita acerca de ru\u00ednas Romanas se pode responder observando ru\u00ednas angolanas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Armaz\u00e9m Carvalho e Freitas, SARL, em Luanda\" border=\"0\" alt=\"Armaz\u00e9m Carvalho e Freitas, SARL, em Luanda\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/luanda12.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Armaz\u00e9m em Luanda<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por todo o mundo h\u00e1 locais tur\u00edsticos cuja principal atrac\u00e7\u00e3o s\u00e3o as ru\u00ednas de civiliza\u00e7\u00f5es ou cidades desaparecidas. Em volta do Mediterr\u00e2neo, um pouco por todo o lado encontramos ru\u00ednas romanas. Cidades, villas, fortifica\u00e7\u00f5es e estradas. 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