{"id":4008,"date":"2010-02-01T00:00:00","date_gmt":"2010-01-31T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4008"},"modified":"2010-01-27T14:45:04","modified_gmt":"2010-01-27T13:45:04","slug":"pisadelas-palmadas-e-pontaps","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/pisadelas-palmadas-e-pontaps\/","title":{"rendered":"Pisadelas, palmadas e pontap&eacute;s"},"content":{"rendered":"<p>Quem vive num grande centro urbano, mesmo que seja no cora\u00e7\u00e3o de \u00c1frica, acha que a vida selvagem \u00e9 algo de parecido com o que se v\u00ea nos jardins zool\u00f3gicos. Longe do pensamento est\u00e1 tamb\u00e9m dar de caras com alguma dessas feras, at\u00e9 porque s\u00e3o precedidas por hist\u00f3rias de arrepiar cabelo que lhes d\u00e3o fama de sanguin\u00e1rios. Le\u00f5es e jacar\u00e9s s\u00e3o giros, mas \u00e9 l\u00e1 longe.<\/p>\n<p>C\u00e1 em casa n\u00e3o nos podemos queixar de falta de interac\u00e7\u00e3o com a fauna angolana. Pisadelas, palmadas e pontap\u00e9s s\u00e3o o modo mais frequente de reagir \u00e0s investidas das feras que insistem em visitar-nos. Entre mosquitos sedentos de sangue, baratas a fugir dos esgotos ou pequenos ratinhos a fazer barulho atr\u00e1s dos m\u00f3veis, h\u00e1 muito por onde escolher, at\u00e9 porque a vida selvagem africana n\u00e3o se resume \u00e0 que os ca\u00e7adores gostam de exibir como trof\u00e9us. Imagino j\u00e1 um ca\u00e7ador a mostrar, orgulhoso, um mosquito empalhado ou a cabe\u00e7a de um grilo na parede.<\/p>\n<p>Temos tamb\u00e9m um buraquinho qualquer, que ainda n\u00e3o descobrimos onde, suficientemente pequeno para s\u00f3 deixar passar ratos do tamanho de um polegar. Como aconteceu em Janeiro do ano passado, as chuvas de Ver\u00e3o multiplicaram o n\u00famero de ratos na cidade e somos novamente confrontados com a invas\u00e3o de uma ninhada de ratos inocentes e, apesar de cobertos de p\u00ealo, imberbes. Nunca aprenderam a conviver com os humanos e abusam. Tirando um ou outro afortunado que se esgueira para n\u00e3o sabemos onde, os restantes n\u00e3o chegam a velhos e acabam debaixo de um chinelo, corridos \u00e0 vassourada ou com um pontap\u00e9 estrat\u00e9gico em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 porta aberta da varanda, naquilo a que chamamos de futerrato.<\/p>\n<p>Estas sess\u00f5es de viol\u00eancia mustel\u00eddea decorrem quase sempre em hor\u00e1rio de expediente, mas abrimos excep\u00e7\u00f5es quando um deles se lembra de ir escarafunchar atr\u00e1s de uma cama e n\u00e3o nos deixa dormir. Revolvemos o quarto at\u00e9 o apanharmos. Nas \u00faltimas semanas j\u00e1 tivemos de lidar com quatro destas feras\u2026<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"rato\" border=\"0\" alt=\"rato\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/rato.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>A repousar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem vive num grande centro urbano, mesmo que seja no cora\u00e7\u00e3o de \u00c1frica, acha que a vida selvagem \u00e9 algo de parecido com o que se v\u00ea nos jardins zool\u00f3gicos. 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