{"id":4027,"date":"2010-02-06T00:00:00","date_gmt":"2010-02-05T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4027"},"modified":"2010-02-06T00:00:00","modified_gmt":"2010-02-05T23:00:00","slug":"poca-das-queimadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/poca-das-queimadas\/","title":{"rendered":"&Eacute;poca das queimadas"},"content":{"rendered":"<p>Durante a esta\u00e7\u00e3o seca, as plan\u00edcies angolanas est\u00e3o cobertas de capim seco, intercalado por uma ou outra mancha verde perto dos cursos de \u00e1gua. O Ver\u00e3o traz a chuva que faz germinar em poucos dias as sementes do ano anterior. Quem julga que o capim angolano \u00e9 semelhante \u00e0 erva dos lameiros ter\u00e1 uma surpresa. Consoante a quantidade de \u00e1gua, o capim cresce entre dois a tr\u00eas metros, formando barreiras quase impenetr\u00e1veis. Ao longo das estradas que, meses antes tinham um horizonte long\u00ednquo, ergue-se um muro verde de cada lado.<\/p>\n<p>O capim era usado para a constru\u00e7\u00e3o de casas e telhados, mas tem vindo a ser substitu\u00eddo pelas chapas onduladas, menos adaptadas ao clima tropical, mas implicam muito menos trabalho. N\u00e3o \u00e9 usado como forragem, por isso agora apenas preenche a paisagem.<\/p>\n<p>Um pouco por todo o pa\u00eds, com o aproximar do Cacimbo os camponeses come\u00e7am a pensar em maneiras r\u00e1pidas de preparar os campos. As lavras novas t\u00eam de ser conquistadas \u00e0s matas e as velhas foram engolidas pelo capim que cresceu durante o Ver\u00e3o. A desmata\u00e7\u00e3o e as queimadas s\u00e3o fun\u00e7\u00e3o dos homens. As mulheres vir\u00e3o depois para o cultivo.<\/p>\n<p>Assim que as chuvas come\u00e7am a rarear, o horizonte enche-se de colunas de fumo. Cada uma marca uma queimada, que \u00e9 o processo mais expedito para limpar os terrenos. Enquanto o capim ainda est\u00e1 verde as queimadas s\u00e3o mais ou menos control\u00e1veis e \u00e0 noite as chamas acabam por esmorecer. Alguns fogos duram v\u00e1rios dias e queimam grandes \u00e1reas, mas as queimadas fazem parte de uma tradi\u00e7\u00e3o que vem sendo passada de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o h\u00e1 s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Por esta \u00e9poca, na prov\u00edncia \u00e9 f\u00e1cil saber onde ficam as povoa\u00e7\u00f5es mais remotas. Mesmo que n\u00e3o apare\u00e7am nos mapas, haver\u00e1 uma coluna de fumo a indicar as lavras.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Lavras na Barragem das Mabubas\" border=\"0\" alt=\"Lavras na Barragem das Mabubas\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/lavras.jpg\" width=\"600\" height=\"312\" \/>    <br \/>Lavras na Barragem das Mabubas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante a esta\u00e7\u00e3o seca, as plan\u00edcies angolanas est\u00e3o cobertas de capim seco, intercalado por uma ou outra mancha verde perto dos cursos de \u00e1gua. O Ver\u00e3o traz a chuva que faz germinar em poucos dias as sementes do ano anterior. Quem julga que o capim angolano \u00e9 semelhante \u00e0 erva dos lameiros ter\u00e1 uma surpresa. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[724,745,746,28],"class_list":["post-4027","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola","tag-agricultura","tag-camponeses","tag-queimadas","tag-tradicoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4027","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4027"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4027\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}