{"id":4088,"date":"2010-02-23T00:00:00","date_gmt":"2010-02-22T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4088"},"modified":"2010-02-23T00:00:00","modified_gmt":"2010-02-22T23:00:00","slug":"iluminao-pblica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/iluminao-pblica\/","title":{"rendered":"Ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica"},"content":{"rendered":"<p>Uma cidade, por defini\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 apenas um maior aglomerado de casas e pessoas ou uma aldeia em ponto grande. A vida econ\u00f3mica das cidades assenta em bases muito diferentes das do mundo rural e implica tamb\u00e9m uma adapta\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es humanas \u00e0 maior densidade populacional.<\/p>\n<p>Viver numa cidade \u00e9 a maneira de se poder usufruir de comodidades que, de outra maneira, seriam incomport\u00e1veis ou de muito dif\u00edcil obten\u00e7\u00e3o para quem vive isolado, como saneamento b\u00e1sico e energia.<\/p>\n<p>Luanda tem \u00e1reas que se assemelham a uma cidade, onde as infra-estruturas existem e v\u00e3o funcionando na medida do poss\u00edvel, mas tamb\u00e9m tem \u00e1reas que s\u00e3o verdadeiras aldeias grandes, onde os problemas dos mundos urbanos e rurais se sobrep\u00f5em e anulam quaisquer vantagens de ambos os mundos. As pessoas vivem amontoadas umas nas outras nos bairros de lata que se desenvolvem em c\u00edrculos conc\u00eantricos em volta da cidade de bet\u00e3o, sem usufruir de estradas, esgotos, \u00e1gua ou electricidade, e vendo as terras para cultivo ser ocupadas por mais casas, negando eventuais fontes de rendimento que n\u00e3o os expedientes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Candeeiro improvisado\" border=\"0\" alt=\"Candeeiro improvisado\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/IMGP2752.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Ilumina\u00e7\u00e3o semi-p\u00fablica<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da energia \u00e9 muito importante para Luanda, que apresenta um d\u00e9fice cr\u00f3nico de cerca de 100 MW no abastecimento aos cerca de cinco milh\u00f5es de habitantes. Este d\u00e9fice poderia ser diminu\u00eddo mesmo sem um aumento na capacidade de produ\u00e7\u00e3o se a utiliza\u00e7\u00e3o de energia fosse feita de forma mais racional, mas o pre\u00e7o a que \u00e9 vendida, altamente subsidiado, n\u00e3o incentiva a poupan\u00e7a.<\/p>\n<p>A ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica nas \u00e1reas mais desenvolvidas da cidade costuma estar acesa dia e noite, mostrando que nem os servi\u00e7os p\u00fablicos est\u00e3o verdadeiramente preocupados com o desperd\u00edcio. Apenas se apaga em caso de avaria ou de falta de energia.<\/p>\n<p>Nas zonas mais pobres, os candeeiros est\u00e3o ausentes. Assim que se p\u00f5e o Sol as ruas ficas \u00e0s escuras e tornam-se perigosas. Os bandidos escondem-se nas sombras, dizem-me. Alguns habitantes improvisam a sua vers\u00e3o de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, que montam e pagam do seu pr\u00f3prio bolso, esperando que a porta de sua casa fique mais segura. S\u00e3o instala\u00e7\u00f5es muito artesanais, que provocar\u00e3o curto-circuitos em caso de chuva, mas que resolvem o problema onde os munic\u00edpios ainda n\u00e3o o fizeram.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma cidade, por defini\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 apenas um maior aglomerado de casas e pessoas ou uma aldeia em ponto grande. A vida econ\u00f3mica das cidades assenta em bases muito diferentes das do mundo rural e implica tamb\u00e9m uma adapta\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es humanas \u00e0 maior densidade populacional. 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