{"id":4092,"date":"2010-02-24T00:00:00","date_gmt":"2010-02-23T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4092"},"modified":"2010-02-24T00:00:00","modified_gmt":"2010-02-23T23:00:00","slug":"a-cantora-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/a-cantora-grossa\/","title":{"rendered":"A cantora grossa"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos resqu\u00edcios de um Ver\u00e3o que durou at\u00e9 ao final de Outubro, embarc\u00e1mos com rumo ao Mediterr\u00e2neo Oriental. Foi uma viagem memor\u00e1vel em todos os aspectos. Alguns ficar\u00e3o s\u00f3 para n\u00f3s dois, mas outros fazem parte da hist\u00f3ria que temos obriga\u00e7\u00e3o de contar.<\/p>\n<p>Um desses epis\u00f3dios envolveu a cantora inglesa muito alta que costumava actuar ao ser\u00e3o numa das salas do navio. Ao fim de alguns dias j\u00e1 lhe conhec\u00edamos o report\u00f3rio todo, mas n\u00e3o desiludia. Certa noite, depois de um jantar um pouco mais demorado, entrou na sala j\u00e1 com os m\u00fasicos a tocar a sua segunda ou terceira m\u00fasica. Vinha toda sorrisos, muito mais do que era costume.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de ser muito alta, costumava cal\u00e7ar sapatos com saltos imposs\u00edveis, que a faziam crescer mais um palmo. Equilibrar-se naqueles sapatos num barco que se inclina para um lado e para o outro constantemente \u00e9 um desafio, mas ela fazia-o como se fosse f\u00e1cil. Desta vez, com o mar quase ch\u00e3o, parecia ter esquecido a arte e tentava evitar que os p\u00e9s lhe fugissem. Pediu ajuda ao teclista e, com uma gargalhada, agarrou-lhe as duas m\u00e3os para subir ao palco.<\/p>\n<p>Os olhos vidrados e as gargalhadas abafadas que dava sempre que olhava em volta faziam crer que o jantar tinha sido bem regado. Os m\u00fasicos iniciaram mais uma can\u00e7\u00e3o sem letra, sem saber muito bem como salvar a situa\u00e7\u00e3o. Ela insistiu em cantar na m\u00fasica seguinte, mas n\u00e3o foi capaz de ler a letra pequenina das folhas e a mem\u00f3ria falhava. A can\u00e7\u00e3o come\u00e7ou bem, mas acabou como instrumental.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"B\u00fassola\" border=\"0\" alt=\"B\u00fassola\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/rumo.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Sem rumo <\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o de recurso foi usar o computador do baterista, mostrando a letra da m\u00fasica em tamanho garrafal. A banda come\u00e7ou a tocar <em>I\u2019m in Heaven<\/em> e a cantora parecia conseguir seguir a letra. Os risos disfar\u00e7ados da banda come\u00e7aram \u00e0 primeira f\u00edfia da cantora \u00ab<em>Aaaahh-min r\u00e9eevan ba diu ba di ba di<\/em>\u00bb, mas depressa se tornaram em olhares preocupados assim que perceberam que n\u00e3o iriam ter muito mais que grunhidos de voz arrastada \u00ab<em>Aaahh caen aaaaaaa-dliciii<\/em>\u00bb. Aos poucos cortam-lhe o microfone e apressaram o final da m\u00fasica. O resto de espect\u00e1culo foi instrumental, com uma cantora de trombas a assitir esparramada numa cadeira nos bastiadores.<\/p>\n<p>Os m\u00fasicos demonstraram um grande sangue-frio e profissionalismo perante a monumental bebedeira da cantora, mas foi imposs\u00edvel disfar\u00e7ar a bronca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos resqu\u00edcios de um Ver\u00e3o que durou at\u00e9 ao final de Outubro, embarc\u00e1mos com rumo ao Mediterr\u00e2neo Oriental. Foi uma viagem memor\u00e1vel em todos os aspectos. 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