{"id":4112,"date":"2010-03-03T00:00:00","date_gmt":"2010-03-02T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4112"},"modified":"2010-02-26T23:08:37","modified_gmt":"2010-02-26T22:08:37","slug":"olhos-estrangeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/olhos-estrangeiros\/","title":{"rendered":"Olhos estrangeiros"},"content":{"rendered":"<p>Cada um acha que o mundo em que cresceu \u00e9 o mais apropriado, a sua civiliza\u00e7\u00e3o a mais justa e a mais bela alguma vez existente. A identidade nacional \u00e9 como a m\u00e3e de cada povo, que poder\u00e1 n\u00e3o ser perfeita mas n\u00e3o se admite que outros digam mal dela.<\/p>\n<p>Filhos de outras m\u00e3es poder\u00e3o apontar defeitos e virtudes \u00e0 nossa, ocasi\u00e3o em que lhe reconheceremos todas as virtudes, mesmo as que desconhec\u00edamos, mas refutaremos at\u00e9 os defeitos mais evidentes. Faz parte da natureza humana, suponho.<\/p>\n<p>O mesmo se passar\u00e1 com a maneira como os estrangeiros encaram outros povos. O seu padr\u00e3o de compara\u00e7\u00e3o \u00e9 o mundo em que cresceram e s\u00f3 ap\u00f3s uma conviv\u00eancia prolongada poder\u00e3o come\u00e7ar a ver a m\u00e3e alheia como sua.<\/p>\n<p>O que os turistas acham t\u00edpico e digno de fotografias poder\u00e1 ser apenas a maneira como sempre foram as coisas para os locais, sem nada de extraordin\u00e1rio que mere\u00e7a tanto alarido. A neve, por exemplo, n\u00e3o ser\u00e1 um fen\u00f3meno particularmente marcante para um finland\u00eas, mas para um algarvio a coisa muda de figura.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Cat\u00e2nia\" border=\"0\" alt=\"Cat\u00e2nia\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/estrangeiro.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Diferente, para um estrangeiro<\/p>\n<p>Quando cheguei a Angola tudo era novidade, com gentes de h\u00e1bitos e tradi\u00e7\u00f5es diferentes, um clima diferente, mas tamb\u00e9m muito pontos em comum, fruto de uma Hist\u00f3ria partilhada. A princ\u00edpio tentei usar estes pontos comuns para poder calibrar as diferen\u00e7as que encontrava e descobrir o que separava os angolanos dos portugueses. Fui-me apercebendo de que as diferen\u00e7as n\u00e3o eram assim t\u00e3o grandes e que, \u00e0 medida que convivia com elas, me pareciam cada vez mais insignificantes.<\/p>\n<p>A imagem mental do povo que trazemos \u00e0 chegada vai sendo refinada com o que aprendemos todos os dias. Primeiro procuramos as diferen\u00e7as e tentamos explic\u00e1-las. Assim que as compreendemos passam a fazer parte da nova ideia que temos das gentes que nos acolhem e deixamos de as considerar diferen\u00e7as. Aos poucos, os olhos do estrangeiro habituam-se ao que \u00e9 a normalidade da terra. A m\u00e3e alheia adopta-nos, por assim dizer.<\/p>\n<p>Talvez seja por isso que os estrangeiros se sintam capazes de escrever um livro sobre o novo pa\u00eds nos primeiros dias, mas que tudo se resuma a uma p\u00e1gina ou algumas frases uns meses depois. A novidade d\u00e1 lugar \u00e0 normalidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada um acha que o mundo em que cresceu \u00e9 o mais apropriado, a sua civiliza\u00e7\u00e3o a mais justa e a mais bela alguma vez existente. A identidade nacional \u00e9 como a m\u00e3e de cada povo, que poder\u00e1 n\u00e3o ser perfeita mas n\u00e3o se admite que outros digam mal dela. Filhos de outras m\u00e3es poder\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[271],"tags":[453,3,335,426,28],"class_list":["post-4112","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","tag-estrangeiros","tag-gentes","tag-habitos","tag-povos","tag-tradicoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4112"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4116,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4112\/revisions\/4116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}