{"id":4140,"date":"2010-03-28T00:00:00","date_gmt":"2010-03-27T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4140"},"modified":"2010-03-28T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-27T23:00:00","slug":"uma-dcada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/uma-dcada\/","title":{"rendered":"Uma d&eacute;cada"},"content":{"rendered":"<p>O tempo \u00e9 uma coisa estranha. A cada instante vivemos o presente e temos a convic\u00e7\u00e3o de que houve um passado e haver\u00e1 um futuro, embora n\u00e3o possamos voltar ao passado para confirmar que alguma vez tenha existido nem ir ao futuro e regressar para contar como ser\u00e1. At\u00e9 poder\u00e1 acontecer que o tempo n\u00e3o exista e que apenas o imaginemos.<\/p>\n<p>No espa\u00e7o f\u00edsico n\u00e3o temos essas limita\u00e7\u00f5es. Podemos andar para tr\u00e1s e para diante, fazer observa\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios pontos no mesmo instante, medir dist\u00e2ncias e, se usarmos a no\u00e7\u00e3o de tempo, calcular velocidades e acelera\u00e7\u00f5es, comparar medidas anteriores, fazer contas e tentar perceber o mundo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Riscas na estrada\" border=\"0\" alt=\"Riscas na estrada\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/tempo.jpg\" width=\"400\" height=\"600\" \/>    <br \/>O tempo n\u00e3o p\u00e1ra<\/p>\n<p>O tempo comporta-se como um referencial exterior ao qual n\u00e3o temos acesso. N\u00e3o fazemos a m\u00ednima ideia se o tempo anda depressa ou devagar porque a \u00fanica medida fidedigna de que dispomos \u00e9 o presente, todas as outras fazem parte da mem\u00f3ria. Por isso \u00e9 que h\u00e1 alturas em que o tempo passa devagar e outras em que passa a correr.<\/p>\n<p>A \u00faltima d\u00e9cada passou por mim a correr. Ao recordar o que aconteceu nestes dez anos tenho a certeza de que houve alturas em que o tempo passou devagar mas agora, vendo o panorama todo, concluo que foi apenas um instante, um acumular de acontecimentos que culminaram neste instante a que chamo de agora e neste a quem chamo Eu.<\/p>\n<p>Como todos os instantes s\u00e3o o presente, n\u00e3o faria sentido pensar na \u00faltima d\u00e9cada de forma aleat\u00f3ria. \u00c9 preciso escolher um ponto na mem\u00f3ria do passado em rela\u00e7\u00e3o ao qual amarro o meu presente. Esta d\u00e9cada come\u00e7ou no dia em que o meu pai morreu. Continuo sem acreditar que j\u00e1 passaram dez anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tempo \u00e9 uma coisa estranha. A cada instante vivemos o presente e temos a convic\u00e7\u00e3o de que houve um passado e haver\u00e1 um futuro, embora n\u00e3o possamos voltar ao passado para confirmar que alguma vez tenha existido nem ir ao futuro e regressar para contar como ser\u00e1. At\u00e9 poder\u00e1 acontecer que o tempo n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[36,579,612],"class_list":["post-4140","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-portugal","tag-divagacoes","tag-pai","tag-tempo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4140"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4140\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}