{"id":4219,"date":"2010-03-27T00:00:00","date_gmt":"2010-03-26T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4219"},"modified":"2010-03-20T13:25:38","modified_gmt":"2010-03-20T12:25:38","slug":"ndalatando-a-cidade-jardim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/ndalatando-a-cidade-jardim\/","title":{"rendered":"N\u2019Dalatando, a cidade jardim"},"content":{"rendered":"<p>A capital do Kwanza Norte herdou do tempo colonial o ep\u00edteto de cidade-jardim. Apesar de me <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2806\" target=\"_blank\">terem dito<\/a> que nos tempos de ocupa\u00e7\u00e3o da UNITA tinha ficado muito estragada, quase uma d\u00e9cada volvida do fim da guerra o centro est\u00e1 arranjado e bonito.<\/p>\n<p>N\u00e3o foram aqui travados combates prolongados como no Huambo e Cu\u00edto, mas ru\u00ednas do tempo da guerra, com algumas marcas de balas ou simplesmente abandonadas existem. Mesmo no centro encontramos a direc\u00e7\u00e3o provincial de educa\u00e7\u00e3o em recupera\u00e7\u00e3o, rodeada de tapumes e andaimes, e a delega\u00e7\u00e3o do Banco de Angola ainda \u00e0 espera.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Cidade-jardim\" border=\"0\" alt=\"Cidade-jardim\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/ndalatando1.jpg\" width=\"600\" height=\"213\" \/>    <br \/>Em frente ao pal\u00e1cio do governo provincial<\/p>\n<p>Chegados \u00e0 cidade, ainda sem saber muito bem que ruas percorrer ou o que fotografar, descobrimos que h\u00e1 esquadras da pol\u00edcia em quase todas as esquinas do centro. Em Luanda seria sinal de que as fotografias estariam proibidas, \u00e0 revelia das instru\u00e7\u00f5es emanadas pelo comando geral da pol\u00edcia, mas em N\u2019Dalatando basta perguntar a um pol\u00edcia o que se pode ou n\u00e3o fotografar. Somos informados de que se pode fotografar tudo, com as excep\u00e7\u00f5es do costume.<\/p>\n<p>No final da conversa, onde se falou dos edif\u00edcios a recuperar e das escolas novas no munic\u00edpio, deseja-nos um bom passeio. Com este pequeno gesto, um pol\u00edcia fez mais pelo turismo angolano, ao fazer sentir os visitantes bem-vindos, que um campeonato de futebol inteiro, destinado ao consumo interno.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Banco de Angola\" border=\"0\" alt=\"Banco de Angola\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/ndalatando2.jpg\" width=\"600\" height=\"246\" \/>    <br \/>Banco abandonado<\/p>\n<p>\u00c0 volta da cidade cresceram bairros de casas com paredes de adobe e telhados de chapa. As casas s\u00e3o vermelhas como o ch\u00e3o de onde parecem brotar. Parecem maiores e mais afastadas umas das outras que as dos bairros em volta da capital do pa\u00eds. Pelo meio ainda h\u00e1 espa\u00e7o para campos de futebol e balizas improvisadas com tr\u00eas paus. A necessidade de combust\u00edvel para cozinhar tem feito a floresta recuar, pelo que a cidade parece rodeada por um c\u00edrculo vermelho de casas de adobe, um c\u00edrculo verde de capim e um c\u00edrculo verde escuro de \u00e1rvores tropicais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Largo do mercado\" border=\"0\" alt=\"Largo do mercado\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/ndalatando3.jpg\" width=\"600\" height=\"192\" \/>    <br \/>Mercado Municipal<\/p>\n<p>Na rua cruzamo-nos com um grupo de rapazes que finge trope\u00e7ar \u00e0 nossa frente. Uma brincadeira apenas, para ver se assustam os brancos. N\u00e3o intu\u00edmos mal\u00edcia e trocamos sorrisos. Mais \u00e0 frente, ao fundo de uma longa avenida, chegamos \u00e0 catedral. \u00c9 um edif\u00edcio imponente e bem conservado. Hoje \u00e9 dia de reuni\u00e3o dos escutas e o p\u00e1tio lateral est\u00e1 cheio de pequenos uniformes a formar um c\u00edrculo em torno dos chefes. Debaixo do alpendre est\u00e1 uma freira algo anafada de h\u00e1bito branco e \u00f3culos na ponta do nariz a acenar com ar aprovador.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Catedral de N&#39;Dalatando\" border=\"0\" alt=\"Catedral de N&#39;Dalatando\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/ndalatando4.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Catedral<\/p>\n<p>Ao final do dia, com uma luz laranja a come\u00e7ar a encher as sombras, pequenas colunas de fumo v\u00e3o subindo dos quintais. \u00c9 hora de preparar o jantar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A capital do Kwanza Norte herdou do tempo colonial o ep\u00edteto de cidade-jardim. 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