{"id":4238,"date":"2010-03-22T00:00:00","date_gmt":"2010-03-21T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4238"},"modified":"2010-03-17T21:23:20","modified_gmt":"2010-03-17T20:23:20","slug":"imortais-desorientados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/imortais-desorientados\/","title":{"rendered":"Imortais desorientados"},"content":{"rendered":"<p>Um dos fen\u00f3menos mais intrigantes do tr\u00e2nsito de Luanda s\u00e3o as motinhas que circulam por todos os buracos e sentidos. \u00c9 frequente ver os sinaleiros desviarem-se de motas que seguem pela rua em que acabaram de mandar parar o tr\u00e2nsito. Poderia parecer uma situa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria, mas tanto para o pol\u00edcia como para o motociclista apenas foi mais um momento de normalidade. A impunidade com que desrespeitam as mais elementares regras de tr\u00e2nsito e autoridades s\u00f3 deixa os estrangeiros estupefactos.<\/p>\n<p>Uma regra emp\u00edrica diz que o tamanho da mota \u00e9 proporcional \u00e0 consci\u00eancia do condutor. Os condutores dos ciclomotores s\u00e3o a prova. As pequenas aceleras, j\u00e1 de si irritantes com os seus motores estridentes conduzidas aos arranques e de dedo na buzina, s\u00e3o o ve\u00edculo preferido dos condutores mais inconscientes, aqueles que circulam s\u00f3 na roda de tr\u00e1s nos passeios, a alta velocidade em contram\u00e3o, ou que se atiram pelo meio dos carros sem medir as dist\u00e2ncias. Ali\u00e1s, gra\u00e7as a este sentido de invulnerabilidade j\u00e1 ganharam um nome <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2383\" target=\"_blank\">apropriado<\/a>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Candongueiro \u00abAdvogado do vinho\u00bb\" border=\"0\" alt=\"Candongueiro \u00abAdvogado do vinho\u00bb\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/vinho.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Outro perigo<\/p>\n<p>Caracter\u00edstica distintiva destes condutores \u00e9 o seu aparente desconhecimento do destino ou percurso, embora um fraco sentido de orienta\u00e7\u00e3o seja um dos requisitos para poder conduzir a acelera, tal como a incapacidade de cumprir regras de tr\u00e2nsito, um polegar sobredesenvolvido para aplicar no bot\u00e3o da buzina e um tique nervoso no punho direito para andar sempre a dar aceleradelas. Nos outros ve\u00edculos de duas rodas n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno t\u00e3o evidente, mas n\u00e3o consigo explicar porque raz\u00e3o percorrem uma avenida inteira para, quase no final, fazer invers\u00e3o de marcha pelo meio dos carros e voltar para tr\u00e1s, como quem se lembrou que afinal deixou a carteira em casa.<\/p>\n<p>N\u00e3o dever\u00e1 ser para fugir ao tr\u00e2nsito nem para tomar um atalho, porque tr\u00e2nsito nunca apanham e atalhos tomam-se nos cruzamentos. Talvez se percam pelo caminho, embalados pelas buzinadelas ritmadas e s\u00f3 d\u00eaem por isso muito depois de passarem o destino. At\u00e9 que se consiga explicar isto, estamos sujeitos a dar de cara com uma motinha atravessada na estrada porque foi ali precisamente que o condutor se lembrou que para o outro lado \u00e9 que era bom. J\u00e1 n\u00e3o bastavam as <em>m\u2019baias<\/em> dos candongueiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos fen\u00f3menos mais intrigantes do tr\u00e2nsito de Luanda s\u00e3o as motinhas que circulam por todos os buracos e sentidos. \u00c9 frequente ver os sinaleiros desviarem-se de motas que seguem pela rua em que acabaram de mandar parar o tr\u00e2nsito. 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