{"id":4281,"date":"2010-04-11T00:00:00","date_gmt":"2010-04-10T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4281"},"modified":"2010-04-11T00:00:00","modified_gmt":"2010-04-10T23:00:00","slug":"kupapatas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/kupapatas\/","title":{"rendered":"Kupapatas"},"content":{"rendered":"<p>Com a importa\u00e7\u00e3o de motorizadas de baixo custo e as cadeias de distribui\u00e7\u00e3o a funcionar melhor, levando de forma regular combust\u00edveis at\u00e9 \u00e0s prov\u00edncias mais distantes, surgiu um novo neg\u00f3cio, os moto-t\u00e1xis. Nos arredores de Luanda, mas especialmente nas zonas rurais, onde as estradas ainda n\u00e3o foram todas recuperadas, as motas tornaram-se rapidamente um meio de transporte de elei\u00e7\u00e3o, capaz de encurtar muito a dura\u00e7\u00e3o das viagens. Com ou sem carga, mesmo nos caminhos mais estreitos, os taxistas de duas rodas v\u00e3o a todo o lado.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o \u00e9 partilhado, o trajecto fica naturalmente mais caro que num candongueiro, mas os duzentos ou trezentos kwanzas da corrida s\u00e3o recuperados por chegar mais cedo e sair mais tarde do mercado, n\u00e3o perdendo parte do dia a caminho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"kupapatas\" border=\"0\" alt=\"kupapatas\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/kupapatas.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Esperando os clientes<\/p>\n<p>Quase ningu\u00e9m lhes chama t\u00e1xis. Da mesma maneira que as <em>i\u00e1ces<\/em> s\u00e3o os <em>candongueiros<\/em>, os moto-t\u00e1xis s\u00e3o os <em>kupapatas<\/em>, palavra que descreve bem as condi\u00e7\u00f5es de transporte. Uma tradu\u00e7\u00e3o livre para <em>kupapatas<\/em> ser\u00e1 qualquer coisa como <em>mete-a-pata<\/em>, porque \u00e9 com um p\u00e9 de cada lado que os menos experientes v\u00e3o equilibrando as motorizadas nos s\u00edtios mais dificeis.<\/p>\n<p>Um pormenor que distingue os mais experientes \u00e9 o casaco grosso que costumam vestir. Depressa aprendem que o frio de mota \u00e9 muito pior que o frio a p\u00e9 e, numa terra conhecida pela pouca roupa usada, andam encasacados e de golas levantadas. Nos dias mais frios alguns chegam mesmo a vestir o casaco ao contr\u00e1rio, para o vento n\u00e3o entrar pelos fechos.<\/p>\n<p>Os capacetes, que se tornaram obrigat\u00f3rios apenas recentemente, foram ganhando adeptos. Juntamente com os \u00f3culos escuros, emprestam um ar mais profissional ao motorista e t\u00eam a vantagem de proteger a cabe\u00e7a. Alguns levam tamb\u00e9m consigo um capacete para os passageiros, mas muitos optam por n\u00e3o o usar.<\/p>\n<p>Os <em>kupapatas<\/em> n\u00e3o servem apenas para transportar pessoas. Nas zonas onde operam come\u00e7am de imediato a surgir pequenos neg\u00f3cios de revenda de gasolina, repara\u00e7\u00e3o de furos, lavagem de motas ou angaria\u00e7\u00e3o de clientes. Numa terra onde as oportunidades ainda s\u00e3o escassas, cada um trata de preencher o seu nicho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a importa\u00e7\u00e3o de motorizadas de baixo custo e as cadeias de distribui\u00e7\u00e3o a funcionar melhor, levando de forma regular combust\u00edveis at\u00e9 \u00e0s prov\u00edncias mais distantes, surgiu um novo neg\u00f3cio, os moto-t\u00e1xis. 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