{"id":4291,"date":"2010-04-16T00:00:00","date_gmt":"2010-04-15T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4291"},"modified":"2010-04-16T00:00:00","modified_gmt":"2010-04-15T23:00:00","slug":"misso-do-cuando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/misso-do-cuando\/","title":{"rendered":"Miss&atilde;o do Cuando"},"content":{"rendered":"<p>A alguns quil\u00f3metros do Huambo, na estrada que liga \u00e0 cidade do Cu\u00edto, um pequeno desvio leva-nos \u00e0 barragem do rio Cuando, que abastece a cidade de \u00e1gua. A albufeira est\u00e1 cheia e apenas um descarregador barulhento impede que transborde. O barulho deve-se ao v\u00e1cuo gerado pelo movimento da coluna de \u00e1gua que, a certa altura, faz com que seja aspirado ar ruidosamente. Todas as tubagens vibram e a barragem parece ter um motor a trabalhar. \u00c9 desconcertante no in\u00edcio, mas depois passa a fazer parte da personalidade do lugar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Descarregador de cheia\" border=\"0\" alt=\"Descarregador de cheia\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/kuando2.jpg\" width=\"400\" height=\"600\" \/>    <br \/>Descarregador<\/p>\n<p>Uma estrada estreita percorre o coroamento da barragem. Do outro lado, no cimo da colina, est\u00e1 a Miss\u00e3o do Cuando, que ficou um pouco \u00e0 margem dos combates de 1993, mas n\u00e3o deixou de sofrer. Hoje em dia \u00e9 um edif\u00edcio que procura manter a dignidade, apesar dos sinais de ru\u00edna serem mais que evidentes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Igreja\" border=\"0\" alt=\"Igreja\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/kuando1.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Miss\u00e3o do Cuando<\/p>\n<p>Buracos de bala, telhas arrancadas, remendos e pouca gente marcam a actualidade. Nalguns casos, a hist\u00f3ria da miss\u00e3o confunde-se com a dos seus habitantes, como \u00e9 o caso do <em>mais-velho<\/em> que l\u00e1 conhecemos, que ali tinha nascido e crescido. Tamb\u00e9m ele ostentava as mazelas da guerra.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Igreja\" border=\"0\" alt=\"Igreja\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/kuando4.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Arquitectura caracter\u00edstica<\/p>\n<p>Todos os edif\u00edcios da miss\u00e3o est\u00e3o \u00e0s escuras, com excep\u00e7\u00e3o da igreja vazia. A cruz brilhante no topo da fachada contrasta com a evidente escurid\u00e3o que enche as janelas das casas em redor. Serve de farol \u00e0 esperan\u00e7a de que dias melhores vir\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Igreja\" border=\"0\" alt=\"Igreja\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/kuando3.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>\u00c0 noite<\/p>\n<p>L\u00e1 mais abaixo, na albufeira, pescam-se os \u00faltimos peixes e toma-se banho antes de regressar a casa. Com excep\u00e7\u00e3o do perp\u00e9tuo <em>pat-pat-pat<\/em> do descarregador, o sil\u00eancio toma conta da paisagem e, por momentos, percebemos porque se escolheu aquele s\u00edtio para a miss\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A alguns quil\u00f3metros do Huambo, na estrada que liga \u00e0 cidade do Cu\u00edto, um pequeno desvio leva-nos \u00e0 barragem do rio Cuando, que abastece a cidade de \u00e1gua. 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