{"id":4371,"date":"2010-05-02T00:00:00","date_gmt":"2010-05-01T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4371"},"modified":"2010-04-30T20:59:26","modified_gmt":"2010-04-30T19:59:26","slug":"na-quibala","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/na-quibala\/","title":{"rendered":"Na Quibala"},"content":{"rendered":"<p>A Quibala j\u00e1 viu dias melhores. A guerra civil deixou-lhe marcas fundas, com quase todos os edif\u00edcios do centro semi-destru\u00eddos e a reconstru\u00e7\u00e3o nacional passou-lhe ao lado, por haver cidades mais importantes na lista.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Edif\u00edcio destru\u00eddo\" border=\"0\" alt=\"Edif\u00edcio destru\u00eddo\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Quibala11.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>No centro<\/p>\n<p>O seu campo de concentra\u00e7\u00e3o dos tempos da rep\u00fablica popular trouxe-lhe uma notoriedade indesejada, que a colocou no mapa como a terra para onde se enviavam os mais indesej\u00e1veis, com a esperan\u00e7a de que n\u00e3o regressassem. At\u00e9 ent\u00e3o a Quibala era apenas mais um cruzamento importante no planalto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Edif\u00edcio destru\u00eddo\" border=\"0\" alt=\"Edif\u00edcio destru\u00eddo\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Quibala2.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Em frente ao quartel<\/p>\n<p>A cidade cresceu para os arrabaldes \u00e0 custa de muitos telhados de chapa zincada e ruas enlameadas. O que resta do centro colonial assemelha-se a uma cidade-fantasma, esvaziada de vida. Tem habitantes, mas parecem sentir-se deslocados. Alguns velhos letreiros, que resistem at\u00e9 aos dias de hoje, apontam para neg\u00f3cios h\u00e1 muito fechados e simbolizam muitas vidas interrompidas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Banco BCCI\" border=\"0\" alt=\"Banco BCCI\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Quibala31.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Banco desaparecido&#160;&#160; <\/p>\n<p>Junto das muralhas do antigo forte empoleirado no bat\u00f3lito de granito que domina a paisagem, o ponto mais alto da povoa\u00e7\u00e3o, ficam os velhos dep\u00f3sitos de \u00e1gua, que estiveram largos anos sem serventia. Actualmente, uma <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3155\" target=\"_blank\">deriva\u00e7\u00e3o feia<\/a> traz \u00e1gua at\u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento de a\u00e7o inox israelita. \u00c1gua pot\u00e1vel j\u00e1 h\u00e1, mas electricidade ainda n\u00e3o, assim o indicam as ruas escuras e o barulho dos pequenos geradores a arrancar no meio dos bairros ao p\u00f4r-do-Sol.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"A disciplina \u00e9 a base fundamental na organiza\u00e7\u00e3o da unidade\" border=\"0\" alt=\"A disciplina \u00e9 a base fundamental na organiza\u00e7\u00e3o da unidade\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Quibala4.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Na porta de armas<\/p>\n<p>Ao lado do quartel vazio, h\u00e1 uma pens\u00e3o. V\u00e1rias casas baixas organizadas em torno de dois p\u00e1tios, permitem alojar os viajantes que pernoitam na Quibala. Os pre\u00e7os s\u00e3o os habituais, chegando quase aos cem d\u00f3lares por noite nos quartos duplos. \u00c1gua poder\u00e1 ou n\u00e3o haver, dependendo do n\u00edvel do dep\u00f3sito no telhado. O pequeno gerador n\u00e3o tem pot\u00eancia suficiente para a bomba do po\u00e7o, os frigor\u00edficos do bar e as l\u00e2mpadas de 100 W dos quartos, que iluminam com a convic\u00e7\u00e3o de uma vela.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"100 W\" border=\"0\" alt=\"100 W\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Quibala5.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Gerador fraquinho<\/p>\n<p>Com o fim da guerra as pessoas come\u00e7aram a refazer as suas vidas. Os pequenos neg\u00f3cios v\u00e3o surgindo um pouco por todo lado, com mercadorias a chegar por estradas agora em boas condi\u00e7\u00f5es. Os primeiros chineses que c\u00e1 chegaram abriram tamb\u00e9m lojas de fotografia que fazem um sucesso tremendo e ao final do dia as ruas enchem-se com as risadas e as batas brancas dos muitos alunos da Quibala.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Kibala English Center\" border=\"0\" alt=\"Kibala English Center\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Quibala61.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Escola de Ingl\u00eas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quibala j\u00e1 viu dias melhores. A guerra civil deixou-lhe marcas fundas, com quase todos os edif\u00edcios do centro semi-destru\u00eddos e a reconstru\u00e7\u00e3o nacional passou-lhe ao lado, por haver cidades mais importantes na lista. 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