{"id":4412,"date":"2010-05-09T00:00:00","date_gmt":"2010-05-08T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4412"},"modified":"2010-05-09T00:00:00","modified_gmt":"2010-05-08T23:00:00","slug":"tribalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/tribalismo\/","title":{"rendered":"Tribalismo"},"content":{"rendered":"<p>O maior bicho-pap\u00e3o desta terra \u00e9 o racismo, que assume v\u00e1rias formas, consoante o alvo. Umas vez \u00e9 racismo, outras tribalismo ou, finalmente, \u00e9 colonialismo. Na verdade \u00e9 apenas mais um aspecto da desconfian\u00e7a que os angolanos sentem n\u00e3o s\u00f3 dos estrangeiros, mas tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3983\" target=\"_blank\">deles pr\u00f3prios<\/a>.<\/p>\n<p>Ao m\u00ednimo sinal de injusti\u00e7a contra o pr\u00f3prio, mesmo que imaginada, a \u00fanica motiva\u00e7\u00e3o poss\u00edvel s\u00f3 pode ser o racismo ou tribalismo. Em caso de preterimento para um emprego, por exemplo, a justifica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o racismo, caso o outro candidato tenha a pele mais clara ou o tribalismo, caso a etnia do escolhido seja diferente da sua, n\u00e3o importando em nada que as qualifica\u00e7\u00f5es de um e de outro indiquem claramente o mais adequado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Mural em Luanda\" border=\"0\" alt=\"Mural em Luanda\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/opressao.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Liberta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns meses, uma not\u00edcia num jornal privado indicou que mais de metade dos altos cargos governativos s\u00e3o ocupados por angolanos da etnia Kimbundo, o que poderia indicar um tribalismo latente no pr\u00f3prio Estado. Mas n\u00e3o vejamos conspira\u00e7\u00f5es sombrias logo \u00e0 partida e pensemos um pouco na Hist\u00f3ria do MPLA.<\/p>\n<p>Durante as fases mais dif\u00edceis de afirma\u00e7\u00e3o, o MPLA esteve restringido a Luanda e \u00e0s margens do Kwanza, zona predominantemente Kimbundu, pelo que ser\u00e1 natural que os quadros superiores dessa \u00e9poca fossem dessa etnia. A situa\u00e7\u00e3o modificar-se-ia se houvesse uma renova\u00e7\u00e3o r\u00e1pida destes quadros, com a entrada de gente nova de outras partes do pa\u00eds, mas as figuras que hoje encabe\u00e7am o MPLA s\u00e3o as mesmas quase desde a tomada de posse de Jos\u00e9 Eduardo dos Santos como Presidente. Os mesmos nomes alternam entre governadores de prov\u00edncia, ministros, deputados, embaixadores e governadores de prov\u00edncia novamente, ao longo de d\u00e9cadas. A exist\u00eancia de muitos Kimbundu no seio do Governo n\u00e3o \u00e9 sinal de tribalismo, \u00e9 um reflexo da Hist\u00f3ria e tamb\u00e9m do ap\u00eago ao cargo, talvez. <\/p>\n<p>Ser\u00e1 talvez por n\u00e3o se admitir que haja tribalismo que grande parte da guarda presidencial seja constitu\u00edda, segundo dizem, por soldados da etnia Ovambo, do sul de Angola, conhecidos por n\u00e3o gramarem nem um bocadinho os angolanos nascidos a norte do Kwanza, exactamente aqueles que rodeiam o Presidente. N\u00e3o \u00e9 tribalismo, \u00e9 a ironia do destino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O maior bicho-pap\u00e3o desta terra \u00e9 o racismo, que assume v\u00e1rias formas, consoante o alvo. Umas vez \u00e9 racismo, outras tribalismo ou, finalmente, \u00e9 colonialismo. Na verdade \u00e9 apenas mais um aspecto da desconfian\u00e7a que os angolanos sentem n\u00e3o s\u00f3 dos estrangeiros, mas tamb\u00e9m deles pr\u00f3prios. 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