{"id":4584,"date":"2010-06-03T00:00:00","date_gmt":"2010-06-02T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4584"},"modified":"2010-06-03T00:00:00","modified_gmt":"2010-06-02T23:00:00","slug":"peregrinao-muxima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/peregrinao-muxima\/","title":{"rendered":"Peregrina&ccedil;&atilde;o &agrave; Muxima"},"content":{"rendered":"<p>Em jeito de despedida do Kwanza, aproveitei o \u00faltimo fim-de-semana em Angola para regressar ao santu\u00e1rio da <a title=\"Artigo: Regresso \u00e0 Muxima\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1551\" target=\"_blank\">Nossa Senhora da Muxima<\/a>.<\/p>\n<p>Ao longo de 118 km de estrada de terra batida, apenas nos cruz\u00e1mos com outros dois ve\u00edculos, que se avistavam \u00e0 dist\u00e2ncia pelo p\u00f3 que levantavam. A grande surpresa surgiu logo ap\u00f3s o cruzamento com a estrada da Cabala, com um engarrafamento digno da capital nos \u00faltimos quatro quil\u00f3metros de caminho. Sem sabermos, a nossa visita coincidiu com uma peregrina\u00e7\u00e3o de dois dias que levou ao santu\u00e1rio milhares de pessoas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Engarrafamento\" border=\"0\" alt=\"Engarrafamento\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/muxima6.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>A perder de vista<\/p>\n<p>A estrada da Cabala \u00e0 Muxima est\u00e1 em obras e, em muitos tro\u00e7os, interditada, pelo que se circula quase sempre numa pista paralela provis\u00f3ria, com muitos buracos e mais estreita. Por causa de um autocarro que avariou num estrangulamento da picada, ningu\u00e9m podia passar. Ao longo do caminho que subia e descia os montes s\u00f3 se viam autocarros e candongueiros parados, como uma grande serpente met\u00e1lica. Os <a title=\"Artigo: Afinal somos boas pessoas\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1559\" target=\"_blank\">peregrinos<\/a> abrigavam-se do Sol \u00e0 sombra dos carros, sentados no p\u00f3 fino, ou em pequenas clareiras no capim das bermas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Autocarros encravados\" border=\"0\" alt=\"Autocarros encravados\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/muxima5.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Encravados<\/p>\n<p>Com muitas opini\u00f5es sobre como seria a melhor maneira de retirar o autocarro avariado, a solu\u00e7\u00e3o tardou, mas acabou por se conseguir abrir uma passagem e pudemos seguir viagem.<\/p>\n<p>A meio da tarde, o adro j\u00e1 estava vazio e apenas os \u00faltimos devotos marcavam presen\u00e7a na igreja, como atestava o reduzido n\u00famero de sapatos que ocupava os degraus da escadaria. Antes de cada missa, a igreja \u00e9 varrida e lavada e os fi\u00e9is entram descal\u00e7os, como numa mesquita.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Sapatos nos degraus\" border=\"0\" alt=\"Sapatos nos degraus\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/muxima7.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>O p\u00f3 do caminho fica l\u00e1 fora<\/p>\n<p>A nave est\u00e1 silenciosa. Duas d\u00fazias de mulheres reza baixinho nos bancos, segurando velas apagadas e fotografias de familiares muito amarrotadas. Outras ficam de p\u00e9, em frente ao altar, de bra\u00e7os abertos rezando \u00e0 Senhora da Muxima, capaz das maiores gra\u00e7as. No ch\u00e3o, junto do altar, est\u00e1 o pagamento de uma promessa, duas grades de gasosa e um garraf\u00e3o de vinho tinto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Pedidos \u00e0 Muxima\" border=\"0\" alt=\"Pedidos \u00e0 Muxima\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/muxima2.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Pedidos \u00e0 Mam\u00e3 Muxima<\/p>\n<p>Um grupo mais pequeno \u00e9 o das mulheres que andam de joelhos enquanto rezam. Ajoelham-se \u00e0 entrada e pedem protec\u00e7\u00e3o para as pessoas de quem seguram as fotografias. Quando chegam em frente ao altar levantam-se, voltam para a porta e repete o circuito tantas vezes quantas as prometidas. Mant\u00e9m os olhos fixos na imagem da padroeira e s\u00f3 os l\u00e1bios a mexer denunciam a reza. As crian\u00e7as, ainda sem perceber o que se passa, tentam subir para o colo das m\u00e3es de bra\u00e7os abertos, e n\u00e3o percebem porque n\u00e3o lhes ligam nenhuma.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Pagando a promessa de joelhos\" border=\"0\" alt=\"Pagando a promessa de joelhos\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/muxima1.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>A promessa&#160;&#160;&#160;&#160; <\/p>\n<p>Nas celebra\u00e7\u00f5es religiosas, as mulheres vestem quase todas o mesmo, como se usassem uma farda. A roupa de-ir-ver-a-Deus resume-se a um pano estampado com motivos religiosos enrolado \u00e0 cintura que serve de saia, os cabelos cobertos com um len\u00e7o e uma camisa ou t-shirt brancas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Fotografia perdida\" border=\"0\" alt=\"Fotografia perdida\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/muxima8.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Promessa perdida<\/p>\n<p>No adro, pequenos rect\u00e2ngulos de papel brilhante espalhados ao acaso reflectem o Sol do final do dia. S\u00e3o fotografias dos entes queridos que se perderam na confus\u00e3o. Talvez a Mam\u00e3 Muxima tenha atendido as preces.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em jeito de despedida do Kwanza, aproveitei o \u00faltimo fim-de-semana em Angola para regressar ao santu\u00e1rio da Nossa Senhora da Muxima. 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