{"id":4600,"date":"2010-06-09T00:00:00","date_gmt":"2010-06-08T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4600"},"modified":"2010-06-09T00:00:00","modified_gmt":"2010-06-08T23:00:00","slug":"a-estiga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/a-estiga\/","title":{"rendered":"A estiga"},"content":{"rendered":"<p>A angolanidade pode-se definir de muitas maneiras, mas talvez o dom\u00ednio da estiga seja um bom come\u00e7o. A estiga \u00e9 o dito jocoso, quase caricatura falada que todos reconhecem o alvo ou acham a inven\u00e7\u00e3o apropriada. Os bons estigadores t\u00eam sempre resposta pronta e, pegando na estiga que lhes dirigem, devolvem-na com mestria, saindo airosamente na m\u00f3 de cima. Ganha quem deixar o advers\u00e1rio sem palavras ou perdido de riso e estas coisas s\u00e3o ainda melhores num grande grupo de amigos.<\/p>\n<p>Na \u00faltima sess\u00e3o de estiga a que assisti, porque ainda n\u00e3o tenho categoria para participar, houve alturas memor\u00e1veis, em que at\u00e9 os visados se desmancharam a rir, como quando o Didi fez a m\u00edmica certa, com gestos grandes e teatrais, e disse:<\/p>\n<p>\u00ab<em>Lembram-se quando o Zambi escorregava pelo monte abaixo? Aquilo n\u00e3o era brincadeira, era a \u00fanica maneira de co\u00e7ar a sarna que tinha nas costas!<\/em>\u00bb<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"C\u00e3o aborrecido\" border=\"0\" alt=\"C\u00e3o aborrecido\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/estiga.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>J\u00e1 me estigaram&#8230;<\/p>\n<p>A \u00fanica regra que todos respeitam \u00e9 a de n\u00e3o estigar os ausentes. A estiga s\u00f3 \u00e9 l\u00edcita se tiver direito de resposta. Se algu\u00e9m come\u00e7a a brincar com quem n\u00e3o est\u00e1, todos se calam e fecham a cara. \u00c9 feio estigar sem ser cara-a-cara.<\/p>\n<p>A estiga surge nos momentos mais inesperados. O mais t\u00edmido do grupo, sempre caladinho a um canto e rindo baixinho para n\u00e3o darem por ele, viu-se no centro das aten\u00e7\u00f5es quando algu\u00e9m disse \u00ab<em>Sil\u00eancio, que agora \u00e9 a vez do Nelson falar!<\/em>\u00bb. O rapaz n\u00e3o sabia o que havia de dizer e olhou para os lados na esperan\u00e7a de que houvesse l\u00e1 um <em>xar\u00e1<\/em>, mas n\u00e3o havia. L\u00e1 se encheu de coragem e encheu o peito de ar, mas este instante de hesita\u00e7\u00e3o foi o suficiente para que algu\u00e9m anunciasse \u00ab<em>Um minuto de sil\u00eancio!<\/em>\u00bb e todos soltassem gargalhadas sonoras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A angolanidade pode-se definir de muitas maneiras, mas talvez o dom\u00ednio da estiga seja um bom come\u00e7o. A estiga \u00e9 o dito jocoso, quase caricatura falada que todos reconhecem o alvo ou acham a inven\u00e7\u00e3o apropriada. Os bons estigadores t\u00eam sempre resposta pronta e, pegando na estiga que lhes dirigem, devolvem-na com mestria, saindo airosamente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1,14,360],"tags":[189,848,871],"class_list":["post-4600","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola","category-luanda","category-provincia-de-luanda","tag-amigos","tag-brincadeira","tag-estiga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4600"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4600\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}