{"id":4636,"date":"2010-07-07T00:00:00","date_gmt":"2010-07-06T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4636"},"modified":"2010-07-02T11:47:36","modified_gmt":"2010-07-02T10:47:36","slug":"experincias-marcantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/experincias-marcantes\/","title":{"rendered":"Mais dezanove anos de espera"},"content":{"rendered":"<p>Por alguma raz\u00e3o, h\u00e1 dias que nos ficam marcados na mem\u00f3ria de forma mais persistente que outros, \u00e0s vezes com recorda\u00e7\u00f5es que ficam adormecidas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Durante dois anos, a Lua, especialmente nos dias em que enchia o c\u00e9u com um sorriso bonito ou uma cara bolachuda, foi o ponto de encontro de olhares a meio mundo de dist\u00e2ncia e permitiu recordar rumbas dan\u00e7adas ao relento em noites de Ver\u00e3o. Agora, nos primeiros dias da esta\u00e7\u00e3o quente, com a noite a chegar tarde, a sua mancha branca preenche um c\u00e9u vazio de nuvens e desperta recorda\u00e7\u00f5es velhas de vinte anos.<\/p>\n<p>Na altura em que os terrenos do jardim em volta do Pal\u00e1cio ainda eram utilizados para ensaio de sementes e a estrada n\u00e3o tinha engolido a Ribeira das Forcadas, lembro-me que decidi ver nascer o Sol numa manh\u00e3 dos \u00faltimos dias de Junho. Dois dias seguidos acordei cedinho, subi o monte e esperei. Teria sido um momento sem muito mais significado que assistir ao dealbar do novo dia se, ao segundo dia, n\u00e3o tivesse olhado para o outro lado, em busca das sombras que desapareciam, e l\u00e1 estava ela, a Lua Cheia enquadrada por duas oliveiras centen\u00e1rias.<\/p>\n<p>Lembro-me que achei interessante repetir a experi\u00eancia, mas depressa me desiludi, porque para ter o Sol e a Lua nas mesmas posi\u00e7\u00f5es relativas e assistir a tudo do mesmo s\u00edtio implicaria esperar que os calend\u00e1rios solar e lunar voltassem a bater certo, coisa que s\u00f3 a cada dezanove anos acontece. Ver a Lua Cheia desaparecer entre aquelas duas oliveiras na alvorada teria de esperar.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"Lua\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Lua.jpg\" alt=\"Lua\" \/><\/p>\n<p>Lua de Luanda<\/p>\n<p>Tudo isto ficou esquecido at\u00e9 agora, que reparei na Lua, que incha continuamente \u00e0 medida que o fim do m\u00eas se aproxima. Talvez a experi\u00eancia se repita agora porque dezanove anos \u00e9 muito tempo para esperar por alguns minutos de contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na noite marcada, com os hor\u00e1rios bem estudados, acordei duas horas mais cedo, excitado. Pela janela fui espreitando a posi\u00e7\u00e3o da Lua e o horizonte Oriental a mudar de cor. Tudo parecia perfeito. A cerca de meia-hora de sair de casa, algumas nuvens come\u00e7aram a ocultar a Lua, em sinal de mau agoiro. O c\u00e9u l\u00edmpido da madrugada, a prometer espect\u00e1culo igual ao anterior foi ficando farrusco e acabou por esconder o momento ansiado. Que desilus\u00e3o.<\/p>\n<p>A paci\u00eancia \u00e9 uma virtude e daqui a dezanove anos tudo se repete.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por alguma raz\u00e3o, h\u00e1 dias que nos ficam marcados na mem\u00f3ria de forma mais persistente que outros, \u00e0s vezes com recorda\u00e7\u00f5es que ficam adormecidas d\u00e9cadas. 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