{"id":4783,"date":"2010-08-20T00:00:00","date_gmt":"2010-08-19T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4783"},"modified":"2010-08-19T18:28:53","modified_gmt":"2010-08-19T17:28:53","slug":"o-princpio-custa-sempre-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/o-princpio-custa-sempre-mais\/","title":{"rendered":"O princ\u00edpio do azul \u00e9 dif\u00edcil"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 textos cuja principal dificuldade \u00e9 saber como os come\u00e7ar. A ideia j\u00e1 est\u00e1 delineada na cabe\u00e7a, o corpo do artigo mais ou menos estruturado e o fim, todo bonito, tamb\u00e9m parece escrever-se a sim mesmo. O in\u00edcio \u00e9 que custa. Come\u00e7ar de vez em quando <em>in medias res<\/em> \u00e9 aceit\u00e1vel, mas \u00e9 um recurso que deve ser usado com parcim\u00f3nia, como os trunfos na bisca lambida.<\/p>\n<p>Mas hoje poucas op\u00e7\u00f5es me restam sen\u00e3o come\u00e7ar de uma maneira deselegante, porque nem o assunto se presta a ser abordado do meio para o fim, nem do fim para o princ\u00edpio. Comecemos, ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Est\u00e1 um fabuloso dia de Agosto. Logo a abrir, uma constata\u00e7\u00e3o do \u00f3bvio e um galicismo para o confirmar. Daqui para a frente s\u00f3 pode melhorar.<\/p>\n<p>Dizia eu que est\u00e1 um fabuloso dia de Agosto, de temperatura amena e uma brisa para manter as folhas das \u00e1rvores a mostrar que o horizonte n\u00e3o \u00e9 uma tela pintada. As ruas est\u00e3o vazias. Ainda h\u00e1 muita gente de f\u00e9rias. Apesar da brisa, das crian\u00e7as no jardim e do ocasional autom\u00f3vel na avenida, o tempo parece ter parado. Tanto pode ser uma manh\u00e3 sossegada como um final de tarde de um dia pacato. Esta \u00e9 a raz\u00e3o porque n\u00e3o pude come\u00e7ar a meio da hist\u00f3ria. Hoje \u00e9 um dia sem hist\u00f3ria, que ser\u00e1 recordado n\u00e3o pelo que foi, mas pelo sentimento que deixou. A data ser\u00e1 esquecida rapidamente, por oposi\u00e7\u00e3o a este magn\u00edfico c\u00e9u de um azul que n\u00e3o cabe nos olhos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: inline; border: 0px;\" title=\"O azul\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/azul.jpg\" border=\"0\" alt=\"O azul\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nO c\u00e9u deste dia<\/p>\n<p>A cor do c\u00e9u desta tarde, um azul perfeitamente homog\u00e9neo, sem uma \u00fanica nuvem \u00e0 vista, rivaliza com as representa\u00e7\u00f5es celestes do Renascimento, quando os pintores competiam para conseguir obter o azul perfeito e guardavam as composi\u00e7\u00f5es das tintas como segredos de estado. \u00c9 de tal forma bonito, que n\u00e3o h\u00e1 c\u00e2mara fotogr\u00e1fica capaz de o registar na sua plenitude. Talvez se consiga reproduzir-lhe a cor, mas tudo o resto fica para ser imaginado.<\/p>\n<p>Com minha grande pena, apesar do azul do c\u00e9u e a brisa na cara serem um conforto para a alma, \u00e9-me imposs\u00edvel descrev\u00ea-los, mesmo que mal, porque julgo n\u00e3o haver palavras suficientemente abrangentes e, ao mesmo tempo, precisas para o fazer.<\/p>\n<p>Fico-me pelo desabafo do dif\u00edcil que \u00e9 relatar uma emo\u00e7\u00e3o indescrit\u00edvel. Podia ter escrito uma linha apenas, dizendo que o dia estava bonito, ou podia ficar o resto do m\u00eas a falar do quanto me tocou. Prefiro ir l\u00e1 para fora goz\u00e1-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 textos cuja principal dificuldade \u00e9 saber como os come\u00e7ar. A ideia j\u00e1 est\u00e1 delineada na cabe\u00e7a, o corpo do artigo mais ou menos estruturado e o fim, todo bonito, tamb\u00e9m parece escrever-se a sim mesmo. O in\u00edcio \u00e9 que custa. 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