{"id":4792,"date":"2010-08-22T00:00:00","date_gmt":"2010-08-21T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4792"},"modified":"2010-08-22T00:00:00","modified_gmt":"2010-08-21T23:00:00","slug":"as-mentiras-dos-bilhetes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/as-mentiras-dos-bilhetes\/","title":{"rendered":"As mentiras dos bilhetes"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 uns anos, sob o pretexto de economia de recursos e modernidade, os bilhetes de papel do metropolitano de Lisboa, da Carris e da Cp come\u00e7aram a ser substitu\u00eddos por outros, tamb\u00e9m de papel, mas com um circuito electr\u00f3nico integrado. Prometiam poder usar-se em qualquer um dos transportes e acabar com o lixo no fim da viagem. De caminho, aproveitou-se para reduzir o pessoal afecto \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o e deixar o controlo dos acessos a cargo de m\u00e1quinas antrop\u00f3fagas &#8211; pelo menos a julgar pela velocidade com que fecham as mand\u00edbulas \u00e0 volta dos passageiros.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o de pessoal n\u00e3o foi plenamente conseguida, uma vez que em cada \u00e1trio \u00e9 necess\u00e1rio estar algu\u00e9m para intervir caso haja uma avaria ou um passageiro com o bilhete estragado. A solu\u00e7\u00e3o passou pela subcontrata\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7as e vigilantes, como de costume. Pelo menos nas contas os encargos fixos com pessoal diminu\u00edram drasticamente.<\/p>\n<p>Mas voltemos aos outros argumentos, o da universalidade dos bilhetes e o da redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio de papel. O primeiro \u00e9 uma grande mentira. Um bilhete comprado na CP s\u00f3 poder\u00e1 ser usado com bilhetes da CP, mesmo que esteja vazio. O mesmo se passa com bilhetes de Metro e de autocarro. Mesmo tendo um bilhete na carteira, \u00e9 quase certo que se tenha de comprar outro e tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel utilizar o cart\u00e3o das assinaturas mensais, que funcionam com a mesma tecnologia. Cart\u00f5es r\u00edgidos s\u00e3o para os passes, bilhetes normais s\u00e3o para viagens avulsas. E, mesmo que em bom estado, ao fim de um ano deixam de se poder usar. O passageiro compra outro ou vai a p\u00e9.<\/p>\n<p>O segundo argumento, o do fim do desperd\u00edcio de papel nos bilhetes, cai por terra sempre que se carrega o cart\u00e3o. Somos sempre brindados com um papel, maior que o bilhete antigo, para acompanhar o bilhete electr\u00f3nico. Supostamente, \u00e9 a \u00fanica maneira de provar que se tem o cart\u00e3o carregado no caso deste avariar. At\u00e9 parece que cada cart\u00e3o n\u00e3o tem um n\u00famero de s\u00e9rie \u00fanico e que os carregamentos n\u00e3o s\u00e3o opera\u00e7\u00f5es pass\u00edveis de serem arquivadas num registo central, mesmo que com algum atraso. Esta solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, como j\u00e1 \u00e9 usada noutros sistemas integrados de transporte europeus.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Bilhetes\" border=\"0\" alt=\"Bilhetes\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/bilhetes.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>O bilhete que evita desperd\u00edcio e o desperd\u00edcio n\u00e3o evitado<\/p>\n<p>O sistema actual conseguiu manter todos os inconvenientes do anterior, exactamente os mesmos que se dizia ir eliminar, mas sempre se ficou com um ar mais moderno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uns anos, sob o pretexto de economia de recursos e modernidade, os bilhetes de papel do metropolitano de Lisboa, da Carris e da Cp come\u00e7aram a ser substitu\u00eddos por outros, tamb\u00e9m de papel, mas com um circuito electr\u00f3nico integrado. 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