{"id":4796,"date":"2010-08-24T00:00:00","date_gmt":"2010-08-23T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4796"},"modified":"2010-08-24T00:00:00","modified_gmt":"2010-08-23T23:00:00","slug":"estradas-a-mais-destinos-a-menos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/estradas-a-mais-destinos-a-menos\/","title":{"rendered":"Estradas a mais, destinos a menos"},"content":{"rendered":"<p>O actual modelo de desenvolvimento das infra-estruturas rodovi\u00e1rias est\u00e1 deturpado. As estradas fazem-se para contentar empreiteiros e n\u00e3o para servir popula\u00e7\u00f5es. Como as estradas secund\u00e1rias s\u00e3o baratas, investe-se em vias r\u00e1pidas, com muitas faixas para deixar os vendedores de betuminoso felizes, com muitos rails e reflectores e plaquinhas a cada dois passos, para deixar tamb\u00e9m os vendedores e importadores satisfeitos. Se se conseguir que a estrada passe pelo meio de dois ou tr\u00eas montes, quem ganha a vida nos movimentos de terras esfrega as m\u00e3os de contente. Pelo meio, est\u00e1 na moda colocar umas portagens, n\u00e3o para pagar a estrada, mas para sustentar a empresa a quem se atribui a concess\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As estradas antigas ficaram saturadas devido \u00e0 crescente press\u00e3o imobili\u00e1ria. Chega a um ponto em que as casas novas perdem valor porque ningu\u00e9m quer passar metade do dia em engarrafamentos. Ao alargar e construir estradas novas, este inconveniente desaparece, tornando apetec\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de novas urbaniza\u00e7\u00f5es com \u00edndices de constru\u00e7\u00e3o obscenos, que depressa saturar\u00e3o at\u00e9 as estradas novas, levando a que se tenha de planear outras e alimentando a pescadinha-de-rabo-na-boca.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Estradas novas\" border=\"0\" alt=\"Estradas novas\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/estradas.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Em cada canto uma estrada<\/p>\n<p>Como o espa\u00e7o entre os aglomerados populacionais come\u00e7a a faltar, encaixam-se estradas nos \u00faltimos corredores verdes, tornando a paisagem numa sucess\u00e3o mon\u00f3tona de estradas e urbaniza\u00e7\u00f5es. Para al\u00e9m do mais, como o planeamento \u00e9 feito sempre em fun\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel, as vias r\u00e1pidas acabam por estrangular as terras, das quais passa a ser quase imposs\u00edvel sair a p\u00e9 ou de bicicleta. Os caminhos perdem a dimens\u00e3o humana e tornam-se paredes s\u00f3 pass\u00edveis de ser transpostas dentro da jaula com rodas.<\/p>\n<p>Entre vias-r\u00e1pidas, n\u00f3s de liga\u00e7\u00e3o, circulares, variantes, acessos directos e viadutos, come\u00e7am a faltar os destinos e a paisagem. Mas parece que o importante das viagens \u00e9 o percurso e n\u00e3o o fim, a acreditar na filosofia chinesa que rege a civiliza\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel. Se calhar, o ideal era toda a gente comprar uma autocaravana e passar a viver exclusivamente na estrada.<\/p>\n<p>Que pensar\u00e3o os nossos descendentes ao olhar para uma paisagem totalmente descaracterizada em prol de uma m\u00e1quina?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O actual modelo de desenvolvimento das infra-estruturas rodovi\u00e1rias est\u00e1 deturpado. As estradas fazem-se para contentar empreiteiros e n\u00e3o para servir popula\u00e7\u00f5es. 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