{"id":4833,"date":"2010-09-05T00:00:00","date_gmt":"2010-09-04T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4833"},"modified":"2010-09-05T00:00:00","modified_gmt":"2010-09-04T23:00:00","slug":"peixe-enjoado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/peixe-enjoado\/","title":{"rendered":"Peixe enjoado"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 acep\u00e7\u00f5es de certas palavras que nem os mais met\u00f3dicos dicionaristas registam. Algumas, por se tratarem de cal\u00f5es profissionais ou regionalismos pouco conhecidos, acabam por se perder com o fim de certas profiss\u00f5es e a cada vez maior homogeneidade da l\u00edngua que a televis\u00e3o trouxe.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a falta ou excesso de uso que torna as palavras bonitas ou feias. Sem grande trabalho, lembro-me de algumas que est\u00e3o na moda e que me enchem de arrepios, recepcionar, por exemplo.<\/p>\n<p>As palavras mais bonitas s\u00e3o aquelas que se aplicam a conceitos pequenos ou grandes, mas que, com poucas s\u00edlabas, substituem frases inteiras, libertando o discurso para outros assuntos.<\/p>\n<p>Uma dessas express\u00f5es que se arrisca a desaparecer \u00e9 o peixe-enjoado, percebida em comunidades piscat\u00f3rias e que sobrevive, a custo, nos mais velhos habitantes da Nazar\u00e9.<\/p>\n<p>Nem sempre os pescadores vendiam todo o peixe fresco. Parte dele costumava ser seco ao Sol, em tabuleiros na praia. Actualmente, a seca do peixe caiu em desuso. A congela\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo mais pr\u00e1tico de conserva\u00e7\u00e3o, embora implique um maior desperd\u00edcio de energia. Por outro lado, a seca do peixe ao ar livre vai contra uma s\u00e9rie de normas de higiene recentes. Quem as redigiu nem sequer pensou nesta actividade e esqueceu-se de abrir excep\u00e7\u00f5es para um m\u00e9todo de conserva\u00e7\u00e3o milenar.<\/p>\n<p>Peixe fresco e peixe seco s\u00e3o termos que todos conhecem e marcam o in\u00edcio e o fim do processo. Pelo meio, quando o peixe muda de textura, mas ainda n\u00e3o est\u00e1 seco, chama-se peixe enjoado, devido \u00e0 sua consist\u00eancia e paladar caracter\u00edstico. Alguns pratos regionais requerem exactamente o peixe enjoado para sa\u00edrem perfeitos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Peixe a secar ao Sol\" border=\"0\" alt=\"Peixe a secar ao Sol\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/peixeenjoado.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>O peixe enjoado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 acep\u00e7\u00f5es de certas palavras que nem os mais met\u00f3dicos dicionaristas registam. Algumas, por se tratarem de cal\u00f5es profissionais ou regionalismos pouco conhecidos, acabam por se perder com o fim de certas profiss\u00f5es e a cada vez maior homogeneidade da l\u00edngua que a televis\u00e3o trouxe. N\u00e3o \u00e9 a falta ou excesso de uso que torna [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[955,550,378,869,956],"class_list":["post-4833","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-portugal","tag-dicionario","tag-expressoes","tag-palavras","tag-peixe-seco","tag-regionalismos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4833","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4833"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4833\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}