{"id":4912,"date":"2010-10-08T00:00:00","date_gmt":"2010-10-07T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4912"},"modified":"2010-10-04T09:13:20","modified_gmt":"2010-10-04T08:13:20","slug":"acordo-ortogrfico-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/acordo-ortogrfico-2\/","title":{"rendered":"Acordo ortogr\u00e1fico"},"content":{"rendered":"<p>O malfadado acordo ortogr\u00e1fico recentemente ratificado, foi acolhido de bra\u00e7os abertos pelas editoras, invocando exactamente os mesmos argumentos que usaram para criticar o antigo. Segundo eles, o facto de se escrever de forma diferente no Brasil e em Portugal implicava ter de corrigir e imprimir livros novos para chegar a ambos os mercados. Agora, com todos os livros desactualizados, enchem prateleiras de livrarias e, especialmente, supermercados, com novas impress\u00f5es dos mesmos textos corrigidos.<\/p>\n<p>Muitas outras l\u00ednguas t\u00eam v\u00e1rias ortografias, como extens\u00e3o dos sotaques de cada povo, mas n\u00e3o \u00e9 por isso que as pessoas deixam de se entender. N\u00e3o me choca ler autores brasileiros com ortografia brasileira, mas ao ler cl\u00e1ssicos portugueses corrigidos para o novo acordo ortogr\u00e1fico, acabo sempre a ler trechos inteiros com sotaque de novela da Globo.<\/p>\n<p>J\u00e1 anteriormente expus <a title=\"Artigo: Acordo ortogr\u00e1fico\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3796\" target=\"_blank\">alguns argumentos<\/a> para a minha n\u00e3o adop\u00e7\u00e3o do acordo ortogr\u00e1fico. Uma das quais \u00e9 a falta de rigor na defini\u00e7\u00e3o da ortografia aceite. Se o anterior institu\u00eda regras concretas e algumas excep\u00e7\u00f5es not\u00e1veis, este aparenta ser uma lista de palavras que se escrevem de forma diferente, com crit\u00e9rios d\u00fabios de aplica\u00e7\u00e3o na maioria dos casos.<\/p>\n<p>Se se estabelecesse que os <em>hh<\/em> mudos deixariam de se escrever, justificando assim que humilde e humidade passem a <em>umilde<\/em> e <em>umidade<\/em>, porque n\u00e3o se escreve ent\u00e3o <em>umano<\/em> e <em>umanidade<\/em>? Outros exemplos se podem encontrar demonstrativos da cretinice de certas novas conven\u00e7\u00f5es. Se Egipto passa a <em>Egito<\/em>, porque raz\u00e3o os seus habitantes continuam a ser os eg\u00edpcios?<\/p>\n<p>A palavra <em>acto<\/em>, doravante escrita como <em>ato<\/em>, prestando-se a confus\u00f5es quanto ao <em>acto<\/em> de <em>atar<\/em> (ou talvez <em>ato<\/em> de <em>atar<\/em>) quando fora de contexto, perde o seu <em>c<\/em> que, apesar de mudo, introduzia um quase impercept\u00edvel prolongar da primeira letra da palavra, distinguindo-a da que significava dar um n\u00f3.<\/p>\n<p>O acordo foi pol\u00edtico e muito apoiado por quem tinha interesses econ\u00f3micos na quest\u00e3o. A l\u00edngua desprezada, como sempre. At\u00e9 porque as diferen\u00e7as entre o Portugu\u00eas falado em Portugal e o falado no Brasil n\u00e3o se limitam a ortografias diferentes em meia-d\u00fazia de palavras. A estrutura da l\u00edngua \u00e9 diferente e essa n\u00e3o se muda por decreto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Venden-se Portoins Uzados\" border=\"0\" alt=\"Venden-se Portoins Uzados\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/portoins2.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Acordo ortogr\u00e1fico<\/p>\n<p>Mas sinto uma grande satisfa\u00e7\u00e3o ao <a title=\"Artigo: Aerograma, o livro\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4320\" target=\"_blank\">publicar um livro<\/a> que agora est\u00e1 cheio de erros ortogr\u00e1ficos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O malfadado acordo ortogr\u00e1fico recentemente ratificado, foi acolhido de bra\u00e7os abertos pelas editoras, invocando exactamente os mesmos argumentos que usaram para criticar o antigo. 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