{"id":4927,"date":"2010-10-13T00:00:00","date_gmt":"2010-10-12T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4927"},"modified":"2010-10-13T00:00:00","modified_gmt":"2010-10-12T23:00:00","slug":"coincidncias-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/coincidncias-2\/","title":{"rendered":"Coincid&ecirc;ncias"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de haver dias em que acreditamos sermos apenas um min\u00fasculo gr\u00e3o de poeira num mundo imenso, outros h\u00e1 em que nos convencemos de que, afinal, est\u00e1 tudo muito mais pr\u00f3ximo do que julgamos e as rela\u00e7\u00f5es humanas entrecruzam-se de formas inesperadas.<\/p>\n<p>Descobrimos tamb\u00e9m personagens que surgem ami\u00fade nas nossas hist\u00f3rias, sem raz\u00e3o aparente. O motorista da empresa em Angola, o <a title=\"Artigo: Fen\u00f3menos\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=573\" target=\"_blank\">fen\u00f3meno<\/a> descrito noutros epis\u00f3dios, \u00e9 uma delas. De vez em quando intromete-se em <a title=\"Artigo: Uma mini-saia de parar o tr\u00e2nsito\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3683\" target=\"_blank\">hist\u00f3rias alheias<\/a>, quase como um <em>Deus Ex Machina<\/em> de romances de cordel.<\/p>\n<p>Ao deixar Angola, julguei ver-me livre das entradas, nem sempre oportunas, do fen\u00f3meno nas hist\u00f3rias que tento contar. Claramente, foi um excesso de confian\u00e7a, uma vez que continuo a <a title=\"Artigo: Cabidela humana\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2125\" target=\"_blank\">trope\u00e7ar<\/a> no valente ca\u00e7ador de le\u00f5es com fisga.<\/p>\n<p>Conheci o Sr. C. quando fui ver a <a title=\"Artigo: O sonho torna-se realidade\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4914\" target=\"_blank\">capa do livro<\/a> ser impressa. Era o tip\u00f3grafo que operava a m\u00e1quina de offset. Pediu-me desculpa por estar de trombas, mas tinha ido para Angola com tr\u00eas anos e viveu l\u00e1 os vinte e seis seguintes. Era tamb\u00e9m um retornado e o livro que imprimia fazia-o lembrar esses tempos. Tentando aligeirar o ambiente, perguntei-lhe o que fazia em Angola. Tinha sido tip\u00f3grafo desde sempre. Come\u00e7ou a trabalhar com doze anos e agora, cinquenta anos depois, ainda fazia o mesmo.<\/p>\n<p>Tip\u00f3grafo em Luanda? A express\u00e3o pareceu-me familiar e depressa me recordei do fen\u00f3meno, que tamb\u00e9m tinha exercido a profiss\u00e3o na Rua Salvador Correia, hoje Rainha Ginga.<\/p>\n<p>A conversa rapidamente descabou em troca de refer\u00eancias, nomes e datas, para saber se alguma vez se tinham cruzado o tip\u00f3grafo que me imprimia o livro e o tip\u00f3grafo que me apresentou a verdadeira Angola. Sendo quase dez anos mais novo, \u00e9 prov\u00e1vel que se tenham cruzado, mas os mais velhos raramente davam confian\u00e7a aos aprendizes e, entretanto, o Sr. C. veio para Portugal em 1975.<\/p>\n<p>Voltou a Angola no princ\u00edpio da d\u00e9cada seguinte, como cooperante, mas acabou por abandonar de vez a terra que lhe faz brilhar os olhos quando o filho come\u00e7ou a escola.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Guerra e retornados na impressora\" border=\"0\" alt=\"Guerra e retornados na impressora\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/chapa62.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>\u00daltima chapa &#8211; Guerra e retornados <\/p>\n<p>Da \u00faltima vez que convers\u00e1mos, confessou que tinha lido algumas passagens do livro enquanto afinava a m\u00e1quina, coisa que n\u00e3o costuma fazer. E depois segredou-me: \u00abAquilo n\u00e3o mudou nada. J\u00e1 em 82 era assim!\u00bb<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de haver dias em que acreditamos sermos apenas um min\u00fasculo gr\u00e3o de poeira num mundo imenso, outros h\u00e1 em que nos convencemos de que, afinal, est\u00e1 tudo muito mais pr\u00f3ximo do que julgamos e as rela\u00e7\u00f5es humanas entrecruzam-se de formas inesperadas. Descobrimos tamb\u00e9m personagens que surgem ami\u00fade nas nossas hist\u00f3rias, sem raz\u00e3o aparente. O [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1,364,27,14,25,360],"tags":[416,1000,657,3,737],"class_list":["post-4927","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola","category-distrito-de-lisboa","category-lisboa","category-luanda","category-portugal","category-provincia-de-luanda","tag-aerograma","tag-coincidencias","tag-fenomeno","tag-gentes","tag-livro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4927\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}