{"id":4939,"date":"2010-10-17T00:00:00","date_gmt":"2010-10-16T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4939"},"modified":"2010-10-17T00:00:00","modified_gmt":"2010-10-16T23:00:00","slug":"trigo-de-quatro-cantos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/trigo-de-quatro-cantos\/","title":{"rendered":"Trigo de quatro cantos"},"content":{"rendered":"<p>Muito do que me espanta neste pa\u00eds t\u00e3o pequeno tem a ver com o seu tamanho, mas n\u00e3o \u00e9 a sua dimens\u00e3o reduzida que deixa admirado. Como costumo dizer, Portugal \u00e9 pequenino, mas muito variado. Esta variedade, no entanto, n\u00e3o enfraqueceu a identidade portuguesa. \u00c9 talvez esta mistura perfeita de variedade e unidade que define Portugal.<\/p>\n<p>J\u00e1 antes procurei saber se seria a paisagem a <a title=\"Artigo: Horizontes largos\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1738\" target=\"_blank\">moldar a personalidade<\/a>, se seria a dist\u00e2ncia do horizonte que definia a maior ou menor abertura das gentes. Fiz a pergunta e tentei responder-lhe com o que sabia dos portugueses que nasceram em \u00c1frica e dos que nasceram na Europa, mas agora, depois de uma longa viagem pelo pa\u00eds, desde as terras quentes do <a title=\"Artigo: Alentejo profundo\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4755\" target=\"_blank\">Alentejo<\/a> at\u00e9 \u00e0s fragas frias de Tr\u00e1s-os-Montes, apercebi-me de que o mesmo exerc\u00edcio se pode aplicar tamb\u00e9m s\u00f3 a Portugal.<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 variedade. Os <a title=\"Artigo: Peixe enjoado\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=780\" target=\"_blank\">regionalismos<\/a>, por exemplo, marcam fronteiras culturais nem sempre bem definidas, mas que n\u00e3o perturbam a identidade. At\u00e9 lhe trazem mais car\u00e1cter.<\/p>\n<p>O p\u00e3o, alimento universal, muda de nome ao longo do pa\u00eds. Para al\u00e9m das diferen\u00e7as entre o trigo, centeio e milho, a pr\u00f3pria forma do p\u00e3o d\u00e1 azo a nomes diferentes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Trigo de Quatro Cantos\" border=\"0\" alt=\"Trigo de Quatro Cantos\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/trigo.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>P\u00e3o de Quartos<\/p>\n<p>Um tipo de p\u00e3o que surge habitualmente nas padarias de todo o pa\u00eds, cuja forma se assemelha a quatro pequenas bolas unidas, \u00e9 conhecido por v\u00e1rios nomes. Por Lisboa sempre o vi vendido como G\u00e9meos, mas na Beira interior \u00e9 o P\u00e3o de Quartos. Em Tr\u00e1s-os-Montes \u00e9 o Trigo de Quatro Cantos, aludindo n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 forma mas tamb\u00e9m ao facto de n\u00e3o ser de centeio, cereal mais usado na regi\u00e3o para o p\u00e3o. H\u00e1 ainda regi\u00f5es onde lhe chamam o P\u00e3o de Padas e estou certo que haver\u00e1 ainda mais nomes.<\/p>\n<p>Cada um destes nomes identifica as tais <a title=\"Artigo: Fronteira da Fub\u00e1\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=780\" target=\"_blank\">fronteiras indefinidas<\/a>, que por vezes se cruzam com as dos sotaques ou acidentes naturais, o que torna as visitas \u00e0s padarias uma forma de aprender mais um pouco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito do que me espanta neste pa\u00eds t\u00e3o pequeno tem a ver com o seu tamanho, mas n\u00e3o \u00e9 a sua dimens\u00e3o reduzida que deixa admirado. Como costumo dizer, Portugal \u00e9 pequenino, mas muito variado. Esta variedade, no entanto, n\u00e3o enfraqueceu a identidade portuguesa. \u00c9 talvez esta mistura perfeita de variedade e unidade que define [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[24,364,25,584],"tags":[48,465,1007,956,92],"class_list":["post-4939","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-alentejo","category-distrito-de-lisboa","category-portugal","category-tras-os-montes","tag-cultura","tag-fronteiras","tag-pao","tag-regionalismos","tag-sotaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4939","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4939"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4939\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4940,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4939\/revisions\/4940"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4939"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}