{"id":4948,"date":"2010-10-18T00:00:00","date_gmt":"2010-10-17T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4948"},"modified":"2010-10-19T11:08:32","modified_gmt":"2010-10-19T10:08:32","slug":"ciclo-vicioso-do-desinvestimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/ciclo-vicioso-do-desinvestimento\/","title":{"rendered":"Ciclo vicioso do desinvestimento"},"content":{"rendered":"<p>O <a title=\"Artigo: Desertifica\u00e7\u00e3o rural\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4877\" target=\"_blank\">cont\u00ednuo desinvestir<\/a> do Estado e empresas p\u00fablicas nos servi\u00e7os que deveriam ser assegurados para garantirem a qualidade de vida, implica que, a partir de certa altura, os ideiais neoliberais que justificaram essas pol\u00edticas de desinvestimento se sustentem a eles mesmos. Desinveste-se porque n\u00e3o h\u00e1 lucro ou porque se houver, esse lucro tem de ser direccionados para o sector privado.<\/p>\n<p>H\u00e1 sectores que, por natureza s\u00e3o deficit\u00e1rios. Fartos de pagar impostos para que se desperdice dinheiro andamos todos n\u00f3s, mas julgo que ningu\u00e9m ficaria aborrecido se visse os impostos aplicados na coes\u00e3o social do pa\u00eds. A sa\u00fade p\u00fablica n\u00e3o pode dar lucro, tal como a educa\u00e7\u00e3o e algumas linhas de comboio. Mas, desde que se instituiu o conceito do utilizador-pagador e se assumiu que at\u00e9 mesmo os servi\u00e7os p\u00fablicos devem ser lucrativos, incutiu-se o sentimento de que esta\u00e7\u00f5es de correios, transportes p\u00fablicos e centros de sa\u00fade devem ser pagos apenas por quem deles se servem. O papel social do Estado desaparece, afogado nas liga\u00e7\u00f5es ao sector privado.<\/p>\n<p>Passamos a ter um pa\u00eds de ricos, que podem pagar a sa\u00fade, as estradas onde circulam e a educa\u00e7\u00e3o dos filhos e um pa\u00eds de pobres, que n\u00e3o podem pagar nada disto. A dada altura, at\u00e9 os ricos ficar\u00e3o sem estradas porque eles n\u00e3o ser\u00e3o em n\u00famero suficiente para pagar a manuten\u00e7\u00e3o das vias. Suspeito que ent\u00e3o revertam para o Estado, para que os pobres as paguem com os impostos, \u00e0 semelhan\u00e7a do que tem acontecido nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: inline; border: 0px;\" title=\"Esta\u00e7\u00e3o de Marvila\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/marvila.jpg\" border=\"0\" alt=\"Esta\u00e7\u00e3o de Marvila\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nEsta\u00e7\u00e3o encerrada, m\u00e1quina de bilhetes avariada<\/p>\n<p>As esta\u00e7\u00f5es de comboio fecham ou tornam-se apeadeiros vandalizados porque t\u00eam poucos passageiros. Os passageiros passam a afluir cada vez menos e a decis\u00e3o de encerrar a esta\u00e7\u00e3o deficit\u00e1ria justifica-se a si mesma.<\/p>\n<p>As novas urbaniza\u00e7\u00f5es partem do princ\u00edpio de que todos t\u00eam carro, de que n\u00e3o existem transportes p\u00fablicos em quantidade e regularidade suficiente para servirem os novos moradores, ali\u00e1s, a rede de transportes p\u00fablicos \u00e9 ignorada. Os pr\u00f3prios moradores partem desse princ\u00edpio e procuram casas sem sequer pensar na rede de transportes. As pr\u00f3prias c\u00e2maras municipais sabem disso e n\u00e3o coordenam os novos projectos com redes de transportes, insistindo em subsidiar carreiras de autocarros que circulam vazias, prestando um servi\u00e7o meramente simb\u00f3lico. Finge-se servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cont\u00ednuo desinvestir do Estado e empresas p\u00fablicas nos servi\u00e7os que deveriam ser assegurados para garantirem a qualidade de vida, implica que, a partir de certa altura, os ideiais neoliberais que justificaram essas pol\u00edticas de desinvestimento se sustentem a eles mesmos. 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