{"id":4961,"date":"2010-10-21T00:00:00","date_gmt":"2010-10-20T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4961"},"modified":"2010-10-21T21:07:16","modified_gmt":"2010-10-21T20:07:16","slug":"gua-radioactiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/gua-radioactiva\/","title":{"rendered":"\u00c1gua radioactiva"},"content":{"rendered":"<p>Com uma d\u00e9cada entrada no s\u00e9culo XXI, na Beira interior, ainda h\u00e1 aldeias sem \u00e1gua canalizada, para n\u00e3o falar de redes de esgotos e tratamento de \u00e1guas residuais. H\u00e1 certas comodidades que se d\u00e3o por garantidas no mundo moderno, fazendo at\u00e9 parte das f\u00f3rmulas de c\u00e1lculo dos \u00edndices de desenvolvimento humano. O saneamento b\u00e1sico \u00e9 uma delas.<\/p>\n<p>No Concelho do Sabugal, o lugar de Quinta do Cl\u00e9rigo ainda est\u00e1 um pouco \u00e0 margem deste desenvolvimento. A \u00e1gua canalizada limitava-se aos fontan\u00e1rios, abastecidos por nascentes pr\u00f3ximas. A pouca popula\u00e7\u00e3o e a zona remota onde est\u00e1 a aldeia votaram-na a um quase esquecimento.<\/p>\n<p>Mas os poucos que l\u00e1 vivem resolveram tomar medidas e instalaram eles mesmos uma rede de \u00e1gua canalizada, \u00e0 semelhan\u00e7a do que foi feito noutras aldeias. Fizeram tamb\u00e9m um furo capaz de abastecer toda a aldeia, para n\u00e3o depender das nascentes. Mais tarde a C\u00e2mara trataria de colocar contadores e assegurar o tratamento da \u00e1gua.<\/p>\n<p>A obra fez-se e todos acharam ser uma grande vit\u00f3ria ter \u00e1gua em casa. A C\u00e2mara instalou os contadores, com a condi\u00e7\u00e3o de zelar pela qualidade de \u00e1gua. Fizeram-se as primeiras an\u00e1lises e vieram as m\u00e1s not\u00edcias. A \u00e1gua que tanto tinha custado a conseguir, era impr\u00f3pria para consumo. Os <a title=\"Artigo: \u00c1gua Radioactiva\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4881\" target=\"_blank\">n\u00edveis de radioactividade<\/a> eram v\u00e1rias vezes superiores ao limites m\u00e1ximos aceit\u00e1veis para ser considerada pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ao que parece, o furo foi demasiado fundo, atingindo um len\u00e7ol fre\u00e1tico ao n\u00edvel dos fil\u00f5es de volfr\u00e2mio e ur\u00e2nio que tornaram famosas as minas da regi\u00e3o na altura da Segunda Grande Guerra. A \u00e1gua daquela profundidade nem para regar as hortas era apropriada, segundo os t\u00e9cnicos da C\u00e2mara.<\/p>\n<p>A dos po\u00e7os e nascentes, essa sim, continuava boa. Por muito que custasse, a \u00e1gua canalizada teria de ser adiada. A solu\u00e7\u00e3o foi voltar aos fi\u00e9is fontan\u00e1rios.<\/p>\n<p>Para as gentes da regi\u00e3o a not\u00edcia n\u00e3o foi surpresa nenhuma. \u00c9 contada n\u00e3o com espanto, mas com resigna\u00e7\u00e3o; foi um azar que aconteceu. Hist\u00f3rias de \u00e1gua radioactiva s\u00e3o correntes e, no fundo desse vale, as ru\u00ednas das termas das \u00c1guas Radium s\u00e3o a prova de que, noutras \u00e9pocas, n\u00e3o se achavam nocivas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: inline; border: 0px;\" title=\"\u00c1guas Radium\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/radium.jpg\" border=\"0\" alt=\"\u00c1guas Radium\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nRu\u00ednas das termas<\/p>\n<p>Para j\u00e1, n\u00e3o se avista solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida para o problema da Quinta do Cl\u00e9rigo e da sua rede de \u00e1gua canalizada radioactiva. Talvez uma nova capta\u00e7\u00e3o, mais distante dos fil\u00f5es das minas ou um dep\u00f3sito elevado abastecido por um furo menos profundo. A ver vamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma d\u00e9cada entrada no s\u00e9culo XXI, na Beira interior, ainda h\u00e1 aldeias sem \u00e1gua canalizada, para n\u00e3o falar de redes de esgotos e tratamento de \u00e1guas residuais. H\u00e1 certas comodidades que se d\u00e3o por garantidas no mundo moderno, fazendo at\u00e9 parte das f\u00f3rmulas de c\u00e1lculo dos \u00edndices de desenvolvimento humano. 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