{"id":4997,"date":"2010-11-02T01:00:00","date_gmt":"2010-11-02T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=4997"},"modified":"2010-11-02T20:58:49","modified_gmt":"2010-11-02T19:58:49","slug":"porto-outonal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/porto-outonal\/","title":{"rendered":"Porto Outonal"},"content":{"rendered":"<p>O Porto \u00e9, para mim, uma segunda casa, uma cidade de afectos constru\u00eddos ao longo de um ano inteiro de visitas semanais. J\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os la\u00e7os familiares que me l\u00e1 prendem. H\u00e1 ruas e edif\u00edcios que reconhe\u00e7o da mem\u00f3ria de uma visita e a pr\u00f3pria atmosfera particular da cidade, que alguns dizem ser sombria ou at\u00e9 mesmo cinzenta, me parece ser perfeitamente ajustada.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de Lisboa, cidade que vive dos dias luminosos de Ver\u00e3o, aqui, as fachadas revestidas a azulejos escurecidos e o granito cinzento dos cunhais e monumentos parecem cinzent\u00f5es nos dias ensolarados, aqueles em que os turistas visitam a cidade. O Porto precisa ser visto com a luz adequada, a dos dias de Outono, com chuva mi\u00fada batida pelo vento que arrasta as folhas amarelas e vermelhas dos pl\u00e1tanos. O contraste das pedras cinzentas e paradas com as folhas coloridas esvoa\u00e7antes cria uma atmosfera \u00fanica, em que o desconforto do clima \u00e9 compensado pelo lavar de olhos da paisagem urbana.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Portas do Porto\" border=\"0\" alt=\"Portas do Porto\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/porto.jpg\" width=\"400\" height=\"600\" \/>    <br \/>Portas, como n\u00e3o poderia deixar de ser<\/p>\n<p>Sob esta luz especial, at\u00e9 os pecadilhos de novo-riquismo da pequena burguesia se desculpam, como as portas suficientemente altas para poder entrar um piano de cauda, moda de h\u00e1 um s\u00e9culo que hoje marca muitas fachadas da cidade.<\/p>\n<p>Talvez por isso sinta que o Porto \u00e9 uma cidade Outonal, que s\u00f3 se revela verdadeiramente nesta esta\u00e7\u00e3o, em que a Torre dos Cl\u00e9rigos parece mais alta quando desaparece no c\u00e9u cinzento, com as fachadas de azulejos das igrejas lavadas do p\u00f3 que se acumulou no Ver\u00e3o e que as vielas h\u00famidas pare\u00e7am estar apenas h\u00famidas porque o c\u00e9u assim o ditou com gotas grossas. Ou que as frentes dos edif\u00edcios com os seis metros de largura regulamentares pare\u00e7am t\u00e3o encolhidas como o frio vindo do rio nos faz sentir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Porto \u00e9, para mim, uma segunda casa, uma cidade de afectos constru\u00eddos ao longo de um ano inteiro de visitas semanais. J\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os la\u00e7os familiares que me l\u00e1 prendem. H\u00e1 ruas e edif\u00edcios que reconhe\u00e7o da mem\u00f3ria de uma visita e a pr\u00f3pria atmosfera particular da cidade, que alguns dizem ser [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1026,1028,25],"tags":[527,33,345,1027],"class_list":["post-4997","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-distrito-do-porto","category-porto","category-portugal","tag-clima","tag-edificios","tag-memorias","tag-outono"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4997","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4997"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4997\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4998,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4997\/revisions\/4998"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}