{"id":5032,"date":"2010-11-07T01:00:00","date_gmt":"2010-11-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5032"},"modified":"2010-11-08T12:28:39","modified_gmt":"2010-11-08T11:28:39","slug":"passam-despercebidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/passam-despercebidos\/","title":{"rendered":"Passam despercebidos"},"content":{"rendered":"<p>Quando se fala das estradas de Luanda, \u00e9 quase imposs\u00edvel deixar de mencionar as obras e os candongueiros. Fazem parte da paisagem, como os buracos e os esgotos que tamb\u00e9m poucos se esquecem.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que as obras t\u00eam trazido melhorias, embora o transtorno do prazo de conclus\u00e3o ser algo vago custe a aceitar quando se fica parado no engarrafamento horas a fio. Os tro\u00e7os de asfalto novo e as estradas mais largas permitem circular mais depressa, por vezes demasiado depressa, por exemplo quando, na estrada nova, se abre uma vala funda sem qualquer aviso. Diz quem sabe, que as invers\u00f5es de marcha nas faixas da esquerda, baratinhas em termos de constru\u00e7\u00e3o de obras de arte, acabam por se tornar verdadeiras armadilhas, com ve\u00edculos lentos a cruzar as faixas mais r\u00e1pidas.<\/p>\n<p>As estradas recuperadas em \u00e1reas urbanas tamb\u00e9m ficam conhecidas por se tornarem locais de atropelamentos mortais di\u00e1rios, como a estrada que liga Benguela ao Lobito ou a Circular de Luanda.<\/p>\n<p>Mas o que trata este artigo n\u00e3o s\u00e3o os pontos bons ou maus da estrada, nem a sua imagem. Que est\u00e3o a melhorar e a mudar todos reconhecem. O prop\u00f3sito do artigo \u00e9 acerca de algo muito comum nas ruas de Luanda, mas que, na maioria das vezes passa despercebido no meio da confus\u00e3o dos preg\u00f5es dos cobradores dos candongueiros e zungueiros. O p\u00f3 dos dias secos e a lama dos dias de chuva distrai-nos e quase sempre nos preocupamos com o que os outros condutores est\u00e3o a fazer, especialmente os dos carros mais batidos.<\/p>\n<p>Enquanto procurava fotografias interessantes para ilustrar um artigo sobre candongueiros, reparei em algo que j\u00e1 suspeitava, h\u00e1 muito mais carros de luxo a circular do que se julga, mas a verdade \u00e9 que, s\u00e3o mais s\u00f3brios que as <em>i\u00e1ces<\/em> e os <em>corolla<\/em> vermelhos assucatados, pelo menos os gama condizente com riqueza n\u00e3o-ostensiva.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Tr\u00e2nsito de Luanda\" border=\"0\" alt=\"Tr\u00e2nsito de Luanda\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/luanda11.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Preocupamo-nos com os azuis-e-brancos, o resto \u00e9 pac\u00edfico<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ajuda a passarem despercebidos o facto de os seus condutores serem, na maioria das vezes, muito mais cuidadosos que os restantes, resistindo estoicamente a <em>dar m&#8217;baias<\/em> \u00e0 primeira oportunidade. \u00c9 seguro que n\u00e3o perdem uma ocasi\u00e3o de entrar primeiro, mas raramente arriscam a pintura. Instintivamente, ignoramo-los para nos preocuparmos com a acelera a circular em contra-m\u00e3o ou o candongueiro a parar em terceira fila na via r\u00e1pida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se fala das estradas de Luanda, \u00e9 quase imposs\u00edvel deixar de mencionar as obras e os candongueiros. Fazem parte da paisagem, como os buracos e os esgotos que tamb\u00e9m poucos se esquecem. 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