{"id":5154,"date":"2010-12-16T01:00:00","date_gmt":"2010-12-16T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5154"},"modified":"2010-12-16T01:00:00","modified_gmt":"2010-12-16T00:00:00","slug":"calada-assinada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/calada-assinada\/","title":{"rendered":"Cal&ccedil;ada assinada"},"content":{"rendered":"<p>A cal\u00e7ada portuguesa \u00e9 uma das marcas das ruas de Lisboa, especialmente as da Baixa, onde os calceteiros se esmeram a criar mosaicos de pedras pretas e brancas.<\/p>\n<p>Ampliam os desenhos originais para fazer moldes de cart\u00e3o, com os quais iniciam o trabalho, preenchendo espa\u00e7os com pedras talhadas a golpe de martelo. Cubos, prismas triangulares ou pentagonais ou at\u00e9 mesmo hexagonais nos trabalhos mais delicados, v\u00e3o sendo cravados e batidos no are\u00e3o um a um.<\/p>\n<p>De joelho no ch\u00e3o e costas curvadas, os calceteiros s\u00e3o figuras an\u00f3nimas, que nunca mostram o rosto e at\u00e9 mesmo a sua obra fica an\u00f3nima, sem uma assinatura ou men\u00e7\u00e3o do autor da obra. Nas esculturas, o canteiro que talhou a pedra em nome do escultor, \u00e0s vezes \u00e9 recordado, mas os calceteiros permanecem an\u00f3nimos. Sabem que a sua obra ser\u00e1 um dia refeita por outros, tal como eles o fizeram a calceteiros de gera\u00e7\u00f5es anteriores, por causa de uma obra ou buraco inesperado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Cal\u00e7ada portuguesa\" border=\"0\" alt=\"Cal\u00e7ada portuguesa\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/calcada.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Avenida da Liberdade<\/p>\n<p>Mesmo assim, h\u00e1 alguns que n\u00e3o resistem e tentam deixar a sua marca para a posteridade. Havia, mesmo em frente ao Elevador da Gl\u00f3ria, uma dessas assinaturas an\u00f3nimas na cal\u00e7ada. O padr\u00e3o no passeio incluia v\u00e1rios c\u00edrculos pretos e num deles o calceteiro resolveu, com algumas pedras brancas, acrescentar um par de olhos e um sorriso rasgado. Era a sua marca.<\/p>\n<p>Durante umas obras prolongadas na zona, toda aquela cal\u00e7ada foi levantada e o desenho desapareceu. No final da obra, os calceteiros refizeram os desenhos segundo o padr\u00e3o original. Os mesmos c\u00edrculos pretos adornam a cal\u00e7ada, mas o sorriso-assinatura do calceteiro da gera\u00e7\u00e3o anterior ficou esquecido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cal\u00e7ada portuguesa \u00e9 uma das marcas das ruas de Lisboa, especialmente as da Baixa, onde os calceteiros se esmeram a criar mosaicos de pedras pretas e brancas. Ampliam os desenhos originais para fazer moldes de cart\u00e3o, com os quais iniciam o trabalho, preenchendo espa\u00e7os com pedras talhadas a golpe de martelo. Cubos, prismas triangulares [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[364,27,25],"tags":[110,688,1064,1074],"class_list":["post-5154","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-distrito-de-lisboa","category-lisboa","category-portugal","tag-arte","tag-artesaos","tag-calcada","tag-calceteiros"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5154"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5154\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}