{"id":5213,"date":"2011-01-07T01:00:00","date_gmt":"2011-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5213"},"modified":"2011-01-07T01:00:00","modified_gmt":"2011-01-07T00:00:00","slug":"borregas-de-vendas-novas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/borregas-de-vendas-novas\/","title":{"rendered":"Borregas de Vendas Novas"},"content":{"rendered":"<p>Os dias frios sabem sempre melhor com uma lareira acesa \u00e0 espera em casa, n\u00e3o s\u00f3 pelo calor que liberta, mas tamb\u00e9m pelo fasc\u00ednio hipn\u00f3tico das chamas. Com as suas formas sempre em sobressalto, parecem querer contar romances de cavalaria, com corc\u00e9is incans\u00e1veis de galope recreado \u00e0 custa de estalos das achas e drag\u00f5es zangados sempre que um jacto de g\u00e1s quente escapa do interior da madeira e se inflama com um silvo. Mais tarde, com o borralho silencioso a aquecer a sala, imaginamos o descanso do her\u00f3i. Partir\u00e1 \u00e0 procura da donzela na torre assim que lhe acordarmos o cavalo, juntando lenha nova \u00e0 lareira.<\/p>\n<p>Com a chuva e o frio, a primeira tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 ir usando a lenha melhor, deixando os troncos grandes, que ardem mal, para o final. Chega um dia em que no telheiro da lenha sobram apenas estes. \u00c9 preciso rach\u00e1-los em cavacos para podermos continuar a hist\u00f3ria e aquecer os p\u00e9s.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 simples. Duas cunhas de metal, uma marreta e uma machadinha revezam-se at\u00e9 que o tronco se rache em dois e depois quatro e oito. Infelizmente, n\u00e3o o fazem sozinhos e \u00e9 necess\u00e1rio aplicar marretadas na cunhas com entusiasmo para se chegar a algum lado.<\/p>\n<p>As mais dif\u00edceis s\u00e3o as primeiras, em que teimamos em bater na cunha de esguelha, mas depressa nos lembramos como se acerta nela com os bra\u00e7os bem esticados, bem no centro, como se estiv\u00e9ssemos a pregar carris \u00e0s travessas. O ranger da madeira e o vibrar met\u00e1lico das cunhas contam outras hist\u00f3rias, mas a que nos interessa mesmo \u00e9 a da lareira, por isso continuamos a martelar.<\/p>\n<p>Ao fim de algumas horas, h\u00e1 lenha rachada suficiente para mais uns dias de hist\u00f3rias e p\u00e9s quentes, o que vem mesmo a calhar, porque h\u00e1 tamb\u00e9m umas costas doridas e tr\u00eas aborrecidas bolhas nas m\u00e3os para curar &#8211; as tais borregas, como lhes chamam em Vendas Novas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os dias frios sabem sempre melhor com uma lareira acesa \u00e0 espera em casa, n\u00e3o s\u00f3 pelo calor que liberta, mas tamb\u00e9m pelo fasc\u00ednio hipn\u00f3tico das chamas. Com as suas formas sempre em sobressalto, parecem querer contar romances de cavalaria, com corc\u00e9is incans\u00e1veis de galope recreado \u00e0 custa de estalos das achas e drag\u00f5es zangados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[24,829,364,25,60,1008],"tags":[658,1094,1093,399],"class_list":["post-5213","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-alentejo","category-distrito-de-evora","category-distrito-de-lisboa","category-portugal","category-queluz","category-vendas-novas","tag-historias","tag-lareira","tag-lenha","tag-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5213","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5213"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5213\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}