{"id":522,"date":"2008-08-09T00:00:56","date_gmt":"2008-08-08T23:00:56","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=522"},"modified":"2009-08-08T22:40:10","modified_gmt":"2009-08-08T21:40:10","slug":"barra-do-kwanza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/barra-do-kwanza\/","title":{"rendered":"Barra do Kwanza"},"content":{"rendered":"<p>Depois de termos conhecido o Miradouro da Lua era obrigat\u00f3rio passar a fronteira que d\u00e1 o nome \u00e0 moeda do pa\u00eds. Atravessar o Kwanza \u00e9 um marco. Sai-se da prov\u00edncia de Luanda e entra-se na Prov\u00edncia do Bengo. Sai-se de Luanda e entra-se no resto de Angola. Na Angola mais selvagem, sem casas amontoadas e sem tr\u00e2nsito. Gostaria de dizer uma Angola sem lixo, mas ele l\u00e1 vai aparecendo aqui e ali.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan1.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA caminho do Sul<\/p>\n<p>A ponte, constru\u00edda no princ\u00edpio da d\u00e9cada de 1970, foi recuperada recentemente e est\u00e1 com um ar digno de cruzar o grande Kwanza. Mas tem uma portagem! Na nossa anterior visita \u00e0 Barra do Kwanza, n\u00e3o t\u00ednhamos dinheiro para atravessar o rio. Foi preciso adiar alguns dias.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan2.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nDepois de recuperada<\/p>\n<p>Desta vez j\u00e1 cont\u00e1vamos com a portagem, mas n\u00e3o sab\u00edamos quanto custaria. O curioso \u00e9 que o pre\u00e7o tamb\u00e9m pode n\u00e3o ser t\u00e3o fixo quanto o esperado. A caminho da margem esquerda par\u00e1mos na portagem e entreg\u00e1mos 1000 Kz. O portageiro disse que n\u00e3o tinha troco. Pergunt\u00e1mos quanto era, n\u00e3o fosse acontecer termos dinheiro trocado. Antes de responder, devolveu-nos a nota e disse &#8220;Siga, n\u00e3o tenho troco!&#8221; enquanto apontava para a ponte, mais \u00e0 frente&#8230;<\/p>\n<p>Como fic\u00e1mos com um ar espantado repetiu &#8220;Pode seguir, n\u00e3o tenho troco&#8221;.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o foi um pouco surreal, mas mais valia aproveitar a borla. J\u00e1 do outro lado do rio, desat\u00e1mos \u00e0 gargalhada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan3.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nCactos e embondeiros<\/p>\n<p>A paisagem luxuriante da foz do Kwanza depressa deu lugar \u00e0 savana mais seca, sarapintada de embondeiros, semelhante \u00e0 que rodeia Luanda. Aquele aspecto de deserto a esconder terra f\u00e9rtil j\u00e1 nos era familiar. Uma recta a perder de vista fez-nos desistir de ir mais para Sul, por ser j\u00e1 tarde.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan4.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nEstrada infinita<\/p>\n<p>A foz do rio tem uma restinga na margem esquerda que desvia as \u00e1guas para Norte. A esse bra\u00e7o de terra que tenta fechar o rio, deu-se o nome de Bico do Kwanza. Curiosamente, houve algu\u00e9m que se lembrou de l\u00e1 colocar uma geocache&#8230; n\u00e3o se podia desperdi\u00e7ar esta oportunidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan5.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nUm embondeiro de guarda<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan6.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nNo Bico do Kwanza<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan7.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nO ar salgado faz notar os seus efeitos<\/p>\n<p>Fomos at\u00e9 ao cimo da arriba e demos de caras com um v\u00e9rtice geod\u00e9sico. A cache j\u00e1 tinha desaparecido, mas a paisagem valia bem essa pequena desilus\u00e3o. Mas falando em geocaches desaparecidas, em Angola s\u00f3 h\u00e1 cinco, mas quatro delas acho que j\u00e1 n\u00e3o existem&#8230;<\/p>\n<p>Apesar da arriba n\u00e3o parecer muito alta, l\u00e1 de cima avista-se o mundo inteiro. Os palmares plantados na v\u00e1rzea escondem o rio de \u00e1guas escuras. Na outra margem vemos o local onde par\u00e1mos da outra vez. E l\u00e1 em baixo est\u00e1 um mar agitado<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan8.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA v\u00e1rzea da foz do Kwanza<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan9.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"130\" \/><br \/>\nE o mar a tentar ver-nos mais de perto<\/p>\n<p>As ondas a saltar para a areia deixaram-nos com vontade de as ir ver mais de perto, pelo que descemos \u00e0 praia. N\u00e3o resistimos e fomos todos a correr molhar os p\u00e9s. J\u00e1 distantes de Luanda, as \u00e1guas s\u00e3o mais limpas e n\u00e3o arriscamos ficar doentes depois de um banho de mar. Mas Luanda produz tanto lixo, que at\u00e9 aqui ele chega e suja a areia. As mar\u00e9s trazem muitas garrafas de pl\u00e1stico, muitas latas e, acima de tudo, sand\u00e1lias. \u00c9 curioso ver tantas sand\u00e1lias sem p\u00e9s na praia e tantos p\u00e9s sem sand\u00e1lias na cidade. N\u00e3o estar\u00e1 algo trocado?<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que at\u00e9 na cidade h\u00e1 mais sand\u00e1lias que p\u00e9s, embora muitos andem descal\u00e7os. H\u00e1 at\u00e9 uma rua inteiramente pavimentada de sand\u00e1lias velhas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan10.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA primeira pegada<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan11.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nMas n\u00e3o estava s\u00f3<\/p>\n<p>Naquela tira de areia podemos escolher entre \u00e1guas salgadas do Atl\u00e2ntico e \u00e1guas doces do Kwanza. De um lado h\u00e1 tubar\u00f5es, do outro jacar\u00e9s&#8230; ou pelo menos \u00e9 o que nos dizem.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan12.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nConvidativa<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan13.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nO lado dos tubar\u00f5es<\/p>\n<p>Mas a \u00e1gua \u00e9 quente, quente. Parece que estamos num banho de imers\u00e3o. Temos de c\u00e1 voltar com fato-de-banho e farnel, que aqui vale a pena vir \u00e0 praia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan14.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nFico-me j\u00e1 por aqui<\/p>\n<p>Depois de lavar os p\u00e9s com \u00e1gua salgada e de voltar a cal\u00e7ar os sapatos, pusemo-nos a caminho. Desta vez j\u00e1 havia troco na portagem e pag\u00e1mos a tarifa normal 210 Kz. N\u00e3o se pode ter sorte todos os dias.<\/p>\n<p>No regresso a casa par\u00e1mos no Miradouro da Lua s\u00f3 para ver o p\u00f4r-do-Sol. Diziam que era um espect\u00e1culo magn\u00edfico. N\u00e3o fomos enganados!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan15.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nAs cores ficam mais intensas<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan16.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nCabras a trepar aos montes lunares<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-0000-barradokwan17.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nAt\u00e9 amanh\u00e3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de termos conhecido o Miradouro da Lua era obrigat\u00f3rio passar a fronteira que d\u00e1 o nome \u00e0 moeda do pa\u00eds. Atravessar o Kwanza \u00e9 um marco. Sai-se da prov\u00edncia de Luanda e entra-se na Prov\u00edncia do Bengo. Sai-se de Luanda e entra-se no resto de Angola. 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