{"id":5230,"date":"2011-01-26T01:00:00","date_gmt":"2011-01-26T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5230"},"modified":"2011-01-24T15:08:32","modified_gmt":"2011-01-24T14:08:32","slug":"absteno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/absteno\/","title":{"rendered":"Absten&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Em Setembro de 2008 assisti, com expectativa e um pouco de apreens\u00e3o, \u00e0s segundas elei\u00e7\u00f5es legislativas angolanas. A ocasi\u00e3o hist\u00f3rica, de elei\u00e7\u00f5es em tempo de paz, justificava a expectativa e a apreens\u00e3o surge naturalmente assim que recordamos o ep\u00edlogo da primeira volta das elei\u00e7\u00f5es de 1992.<\/p>\n<p>A melhor mem\u00f3ria que guardo destas elei\u00e7\u00f5es foi a extraordin\u00e1ria aflu\u00eancia \u00e0s urnas que, nalguns casos chegou aos 105%, mas isso \u00e9 ponto de partida para outras hist\u00f3rias. O certo \u00e9 que, nos dias seguintes, toda a gente mostrava, orgulhosamente, o <a title=\"Artigo: A alegria do voto\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1041\" target=\"_blank\">indicador direito pintado de preto<\/a>, sinal inequ\u00edvoco de que haviam votado. Alguns, muito poucos, respondiam com vergonha e olhos postos no ch\u00e3o, desejando que a tinta desaparecesse depressa dos dedos dos vizinhos e escondesse a sua falta.<\/p>\n<p>Na altura <a title=\"Artigo: Semana Santa\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=944\" target=\"_blank\">conversei com muita gente<\/a>, e o assunto eram sempre as elei\u00e7\u00f5es. Ningu\u00e9m acreditava que a absten\u00e7\u00e3o pudesse ser t\u00e3o alta em Portugal. Se havia a possibilidade de eleger governos e representantes, como se podia abdicar desse direito para ir \u00e0 praia ou ficar a ver televis\u00e3o?<\/p>\n<p>A infeliz verdade \u00e9 que por c\u00e1 se elege um Presidente com cerca de 25% dos votos porque metade dos eleitores achou que estava demasiado frio para votar, ou que o filme de Domingo \u00e0 tarde era imperd\u00edvel. Boas not\u00edcias, apenas a surpreendente vota\u00e7\u00e3o nos candidatos independentes. Parece que os portugueses est\u00e3o fartos de ver as mesmas caras no poleiro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Voto secreto\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/090908-0000-rescaldoeleitoral1.jpg\" border=\"0\" alt=\"Voto secreto\" width=\"583\" height=\"400\" \/><br \/>\nO voto \u00e9 um direito nem sempre exercido<\/p>\n<p>Apesar de tudo, para o papel quase decorativo que um Presidente da Rep\u00fablica desempenha, se calhar um Rei n\u00e3o era nada mal pensado, nem que fosse porque um Presidente da Rep\u00fablica reformado continua a pesar aos cofres do Estado com sal\u00e1rio e seguran\u00e7a &#8211; neste momento temos quatro (Ramalho Eanes, M\u00e1rio Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva). Um Rei, em princ\u00edpio, quando se reforma custa apenas um funeral de Estado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Setembro de 2008 assisti, com expectativa e um pouco de apreens\u00e3o, \u00e0s segundas elei\u00e7\u00f5es legislativas angolanas. A ocasi\u00e3o hist\u00f3rica, de elei\u00e7\u00f5es em tempo de paz, justificava a expectativa e a apreens\u00e3o surge naturalmente assim que recordamos o ep\u00edlogo da primeira volta das elei\u00e7\u00f5es de 1992. 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