{"id":5235,"date":"2011-01-30T01:00:00","date_gmt":"2011-01-30T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5235"},"modified":"2011-01-25T14:26:33","modified_gmt":"2011-01-25T13:26:33","slug":"numeraes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/numeraes-2\/","title":{"rendered":"Numera\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Quando as rela\u00e7\u00f5es humanas deixaram de se limitar \u00e0 vizinhan\u00e7a mais pr\u00f3xima e come\u00e7aram a incluir desconhecidos e intermedi\u00e1rios para as comunica\u00e7\u00f5es, s\u00f3 o nome deixou de ser a forma infal\u00edvel de encontrar algu\u00e9m e inventaram-se as moradas, cada vez mais complexas.<\/p>\n<p>O Fulano de S\u00e3o Miguel da Galafura tornou-se morador da Rua do Meio de S\u00e3o Miguel da Galafura e, mais tarde, passou-se a precisar que era na porta n\u00ba 6, porque o carteiro j\u00e1 n\u00e3o conhecia as pessoas pelo nome. A seguir teve de se juntar \u00e0 morada um c\u00f3digo postal, n\u00e3o fosse haver mais do que uma S\u00e3o Miguel da Galafura no mundo. Fulano, Sicrano e Beltrano passaram a viver em locais codificados com n\u00fameros de porta, c\u00f3digos postais e outras inova\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, a numera\u00e7\u00e3o das portas poderia significar apenas uma altera\u00e7\u00e3o fundamental na forma como se encaram as rela\u00e7\u00f5es humanas, mas a verdade \u00e9 que os vizinhos continuam a conhecer-se e os estranhos encontram quem procuram com maior facilidade. E, \u00e0s vezes, podem at\u00e9 usar os n\u00fameros de pol\u00edcia para se orientarem em cidades desconhecidas.<\/p>\n<p>Quando visitamos uma cidade nova devemos ter o cuidado de procurar alguns pontos de refer\u00eancia, para o caso de nos perdermos. Nas grandes cidades europeias, quase sempre planas, as ruas podem parecer todas iguais e h\u00e1 poucas oportunidades de espreitar sobre os telhados \u00e0 procura de monumentos importantes. As cidades portuguesas, quase todas nascidas em encostas e de uma dimens\u00e3o mais humana, por assim dizer, n\u00e3o pecam nesta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Nestas alturas, mesmo que n\u00e3o tenhamos um mapa \u00e0 m\u00e3o ou n\u00e3o saibamos os nomes das ruas, os n\u00fameros das portas podem ajudar-nos a decidir qual o rumo a seguir. Em Lisboa, salvo rar\u00edssimas excep\u00e7\u00f5es, os n\u00fameros de pol\u00edcia crescem do Rio Tejo para norte ou oeste, acompanhando o abra\u00e7o do rio \u00e0 cidade. \u00c9 f\u00e1cil seguir os n\u00fameros por ordem decrescente, de rua em rua, at\u00e9 chegar ao rio e, a partir da\u00ed, encontrar outros pontos de refer\u00eancia. Esta orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 a seguida na maioria das cidades portuguesas, embora o destino de semelhante navega\u00e7\u00e3o num\u00e9rica seja mais imprevis\u00edvel.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"N\u00famero de pol\u00edcia\" border=\"0\" alt=\"N\u00famero de pol\u00edcia\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/numero.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Ornamento numerado<\/p>\n<p>J\u00e1 em Espanha \u00e9 h\u00e1bito os n\u00fameros das portas crescerem de forma radial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Plaza Mayor de cada cidade. Mesmo que estejamos perdidos, podemos sempre aplicar a mesma t\u00e9cnica e chegar ao caro\u00e7o da cidade.<\/p>\n<p>Muitos munic\u00edpios limitam-se a atribuir n\u00fameros consecutivos, pares ou \u00edmpares consoante o lado da rua, a cada porta. Permitem referenciar cada casa, mas h\u00e1 outros sistemas que acrescentam muito mais informa\u00e7\u00e3o. Nalgumas cidades, o n\u00famero da porta corresponde \u00e0 dist\u00e2ncia desde o in\u00edcio da rua, o que permite saber imediatamente em que ponto se situa determinada morada ou, caso andemos \u00e0 procura do princ\u00edpio da rua, saber quanto falta percorrer. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, infelizmente, saber quanto falta para o final.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando as rela\u00e7\u00f5es humanas deixaram de se limitar \u00e0 vizinhan\u00e7a mais pr\u00f3xima e come\u00e7aram a incluir desconhecidos e intermedi\u00e1rios para as comunica\u00e7\u00f5es, s\u00f3 o nome deixou de ser a forma infal\u00edvel de encontrar algu\u00e9m e inventaram-se as moradas, cada vez mais complexas. 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