{"id":5242,"date":"2011-02-05T01:00:00","date_gmt":"2011-02-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5242"},"modified":"2011-02-05T01:00:00","modified_gmt":"2011-02-05T00:00:00","slug":"o-sexo-vende-tudo-at-margarina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/o-sexo-vende-tudo-at-margarina\/","title":{"rendered":"O sexo vende tudo, at&eacute; margarina"},"content":{"rendered":"<p>Lembro-me de, quando era pequeno, haver um an\u00fancio de margarina absolutamente detest\u00e1vel &#8211; a margarina e o an\u00fancio, em partes iguais. Recordo vagamente uma oper\u00e1ria fabril, complementada pela obrigat\u00f3ria bata azul a afirmar, com um sotaque carregado do Douro Litoral, que \u00abl\u00e1 em casa s\u00f3 se come Pl\u00e1nta!\u00bb. Admito que a mem\u00f3ria desta senhora esteja j\u00e1 um pouco contaminada pela imagem que guardo dos despedimentos colectivos no vale do Ave por volta da mesma altura, e que ela usasse tudo menos uma bata azul.<\/p>\n<p>Mas os tempos mudam, as considera\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas tamb\u00e9m e, com o fim do tecido industrial portugu\u00eas, o p\u00fablico-alvo dos anos oitenta desapareceu. A oper\u00e1ria fabril n\u00e3o apresenta a sofistica\u00e7\u00e3o desejada para a ag\u00eancia publicit\u00e1ria e come\u00e7aram a pensar numa nova campanha para revitalizar a marca.<\/p>\n<p>A Planta \u00e9 uma marca comercial relativamente antiga, mas que sempre esteve associada a produto barato. Tem uma clientela fiel, que n\u00e3o precisa de campanhas publicit\u00e1rias para se decidir a compr\u00e1-la. Por ter uma imagem t\u00e3o enraizada, encontrar uma forma de a tornar apelativa a novos consumidores \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil, quase como tornar a pasta dent\u00edfrica Couto um sucesso de vendas para a gera\u00e7\u00e3o Colgate.<\/p>\n<p>Com falta de ideias, algu\u00e9m se socorreu do plano B &#8211; Sexo! Porque sexo vende tudo, desde autom\u00f3veis a facas e martelos. Claro que tamb\u00e9m vende margarina! E foi assim que se encheram as ruas das cidades de cartazes pirosos com umas mo\u00e7as em roupa interior e com um ar desconsolado. A legenda diz que t\u00eam a cama cheia de migalhas, ou que lhes roubaram as torradas. Mas ningu\u00e9m sabe o que tentam vender. L\u00e1 num cantinho, quase escondido, aparece o nome da margarina &#8211; parece que agora tem um aditivo que lhe disfar\u00e7a o sabor. De imediato imagino a rapariga a vestir uma bata azul e a reclamar das migalhas na cama como se fosse uma peixeira da Ribeira.<\/p>\n<p>Infelizmente, n\u00e3o \u00e9 com estas raparigas <em>chapa-cinco<\/em> que se desembara\u00e7am da imagem datada do produto. Toda a gente sabe que estas caras aparecem apenas porque lhes pagam e que para a semana est\u00e3o a dar o corpo para uma campanha de cremes de barbear ou chaves inglesas &#8211; falta-lhes a convic\u00e7\u00e3o genu\u00edna que a outra senhora transmitia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"V\u00e9nus\" border=\"0\" alt=\"V\u00e9nus\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/planta.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>\u00abAinda hei-de vender margarina!\u00bb<\/p>\n<p>Certamente que as vendas ir\u00e3o aumentar um bocadinho. Afinal de contas, fala-se na marca, mas assim que as mulheres despidas passarem para a campanha do Tulicreme, voltar\u00e1 ao mesmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembro-me de, quando era pequeno, haver um an\u00fancio de margarina absolutamente detest\u00e1vel &#8211; a margarina e o an\u00fancio, em partes iguais. Recordo vagamente uma oper\u00e1ria fabril, complementada pela obrigat\u00f3ria bata azul a afirmar, com um sotaque carregado do Douro Litoral, que \u00abl\u00e1 em casa s\u00f3 se come Pl\u00e1nta!\u00bb. 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