{"id":5243,"date":"2011-02-07T01:00:00","date_gmt":"2011-02-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5243"},"modified":"2011-02-07T01:00:00","modified_gmt":"2011-02-07T00:00:00","slug":"exportao-temporria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/exportao-temporria\/","title":{"rendered":"Exporta&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 decis\u00f5es que tomamos sem saber muito bem que portas abrir\u00e3o. Sabemos apenas que devem ser acertadas, ou intu\u00edmos alguma l\u00f3gica no racioc\u00ednio que as justifica. A hist\u00f3ria do meu Mestrado enquadra-se perfeitamente nesta categoria.<\/p>\n<p>Depois de alguns anos em trabalho de campo, que me permitiu conhecer grande parte dos caminhos de cabras do interior e cruzar-me com muita gente interessante, senti que estava a ficar com o c\u00e9rebro &quot;enferrujado&quot;. O trabalho era apenas rotina e n\u00e3o havia nada de novo a descobrir. Tinha de voltar a estudar alguma coisa.<\/p>\n<p>Inscrevi-me num curso de Mestrado em Geof\u00edsica. N\u00e3o era exactamente a minha \u00e1rea, para aprender muitas coisas novas, mas era suficientemente pr\u00f3xima para que n\u00e3o me sentisse totalmente desamparado. Na verdade, durante alguns anos, o curso de Engenharia Geof\u00edsica partilhou os tr\u00eas primeiros anos com o meu. Pelo menos teria a garantia de que falar\u00edamos a mesma l\u00edngua.<\/p>\n<p>Durante um ano fui ao Porto todas as semanas. Sexta-feira de manh\u00e3 apanhava o primeiro Alfa e S\u00e1bado \u00e0 noite apanhava o \u00faltimo Intercidades. Foi cansativo, mas voltei a sentir a cabe\u00e7a ocupada, mesmo que n\u00e3o soubesse qual a utilidade do novo grau acad\u00e9mico. Seria uma etapa interessante.<\/p>\n<p>Aprendi muito e passei mais um ano e meio a estudar a aplica\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas pouco usuais para a medi\u00e7\u00e3o de deforma\u00e7\u00f5es dos terrenos. Defendi a disserta\u00e7\u00e3o num S\u00e1bado e no dia seguinte aterrei em Luanda. Tinha conclu\u00eddo o mestrado e continuava sem saber para que serviria.<\/p>\n<p>Dois anos mais tarde, um conhecido enviou-me o an\u00fancio para uma bolsa de investiga\u00e7\u00e3o exactamente na \u00e1rea em que tinha trabalhado para a disserta\u00e7\u00e3o. Concorri e fui integrado numa equipa pequena, com alguns dos nomes mais sonantes da Geof\u00edsica em Portugal.<\/p>\n<p>As \u00faltimas semanas t\u00eam sido uma verdadeira corrida para recuperar a velocidade de cruzeiro. Muitos livros para ler, muitos artigos para analisar e mat\u00e9rias para reaprender, porque quem n\u00e3o resolve integrais durante dois anos tem de os aprender a resolver outra vez.<\/p>\n<p>E agora, para aprender coisas novas numa das outras institui\u00e7\u00f5es envolvidas, exportam a equipa inteira para a Holanda durante uma semana. A decis\u00e3o tomada h\u00e1 cinco anos revelou um caminho insuspeito &#8211; ir apanhar frio na terra das t\u00falipas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 decis\u00f5es que tomamos sem saber muito bem que portas abrir\u00e3o. Sabemos apenas que devem ser acertadas, ou intu\u00edmos alguma l\u00f3gica no racioc\u00ednio que as justifica. A hist\u00f3ria do meu Mestrado enquadra-se perfeitamente nesta categoria. 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