{"id":5290,"date":"2011-04-06T00:00:00","date_gmt":"2011-04-05T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5290"},"modified":"2012-01-05T02:08:16","modified_gmt":"2012-01-05T01:08:16","slug":"o-vulco-adamastor-primeira-parte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/o-vulco-adamastor-primeira-parte\/","title":{"rendered":"O vulc&atilde;o Adamastor (primeira parte)"},"content":{"rendered":"<p>O presente artigo, por ser muito extenso, foi dividido em v\u00e1rias partes. Hoje publica-se a primeira, que trata n\u00e3o do t\u00edtulo, mas de uma pequena introdu\u00e7\u00e3o ao tema.\u00a0A segunda pode ser lida\u00a0<a title=\"O vulc\u00e3o Adamastor (segunda parte)\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5292\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0e a \u00faltima\u00a0<a title=\"O vulc\u00e3o Adamastor (terceira parte)\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5293\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Usando um modelo simplista, o planeta Terra divide-se em cinco camadas conc\u00eantricas. A mais profunda, o n\u00facleo interno, cr\u00ea-se ser constitu\u00edda quase exclusivamente por ferro e n\u00edquel. A envolv\u00ea-lo est\u00e1 o n\u00facleo externo, com a mesma composi\u00e7\u00e3o, mas l\u00edquido. A interac\u00e7\u00e3o entre ambos produz o campo magn\u00e9tico terrestre que faz funcionar as b\u00fassolas e, acima de tudo, desvia grande parte da radia\u00e7\u00e3o solar perigosa para a vida. Imediatamente a seguir vem a camada mais espessa, o manto. A composi\u00e7\u00e3o e fluidez do manto s\u00e3o habitualmente comparadas \u00e0 lava dos vulc\u00f5es, embora se saiba que tal compara\u00e7\u00e3o seja demasiado grosseira para ser levada s\u00e9rio. O aumento da press\u00e3o com a crescente profundidade eleva de igual modo o ponto de fus\u00e3o das rochas, o que tornar\u00e1 o manto um s\u00f3lido com alguma plasticidade.<\/p>\n<p>Finalmente, a fina camada onde vivemos, atmosfera inclu\u00edda, \u00e9 apenas a fronteira entre as rochas quentes do manto superior e o vazio sideral. A crosta terrestre n\u00e3o \u00e9, de forma alguma, representativa da Terra, mas como \u00e9 a \u00fanica parte que os conhecemos directamente, \u00e9 f\u00e1cil tomar a parte pelo todo.<\/p>\n<p>Acreditamos nos nossos sentidos e julgamos que a Terra \u00e9 r\u00edgida, s\u00f3lida e imut\u00e1vel, at\u00e9 porque as for\u00e7as tel\u00faricas que a moldam desde a sua forma\u00e7\u00e3o se manifestam numa escala temporal quase sempre demasiado grande para que as possamos compreender facilmente. Os processos mais importantes, como a expans\u00e3o dos fundos oce\u00e2nicos, movimento dos continentes e as altera\u00e7\u00f5es c\u00edclicas do campo magn\u00e9tico terrestre medem-se em velocidades m\u00e9dias de poucos cent\u00edmetros por ano.<\/p>\n<p>H\u00e1, no entanto, ocasi\u00f5es em que a Terra mostra um pouco da sua natureza, em que a crosta deixa transparecer o que a comanda. Quer sejam os vulc\u00f5es ou os terramotos, de vez em quando somos despertados do sonho. A Terra n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o s\u00f3lida nem imut\u00e1vel como acreditamos. S\u00f3 no \u00faltimo lustre, houve dois grandes abalos s\u00edsmicos acompanhados de maremotos na \u00c1sia e uma erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica na Isl\u00e2ndia que paralisou avi\u00f5es em meio mundo. Grandes terramotos deixam marcas na mem\u00f3ria das gentes e no tra\u00e7ado das cidades por muitas gera\u00e7\u00f5es. Nos solos e rochas ficam por mais tempo ainda.<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o destes abalos e erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3ria. Grande parte deles ocorre onde duas placas crustais se encontram ou em locais espec\u00edficos, chamados pontos quentes, onde as correntes de convec\u00e7\u00e3o do manto s\u00e3o capazes de furar a crosta terrestre. O arquip\u00e9lago do Havai \u00e9 um exemplo deste \u00faltimo fen\u00f3meno.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: inline; border: 0px;\" title=\"Chamin\u00e9 vulc\u00e2nica f\u00f3ssil\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/chamine_fossil.jpg\" alt=\"Chamin\u00e9 vulc\u00e2nica f\u00f3ssil\" width=\"400\" height=\"600\" border=\"0\" \/><br \/>\nPenedo do Lexim (Mafra), chamin\u00e9 vulc\u00e2nica f\u00f3ssil<\/p>\n<p>As placas crustais, cuja parte emersa forma os continentes que conhecemos, movem-se lentamente umas contra as outras, como se tratassem de folhas flutuando num lago. Quando duas placas se afastam, como est\u00e1 a acontecer no Vale do Rift, na \u00c1frica Oriental, abre-se uma grande fenda, que ser\u00e1 preenchida com material vindo do manto. O mesmo sucede na Crista Dorsal Atl\u00e2ntica, que marca o meio do Oceano Atl\u00e2ntico, onde novas rochas se formam \u00e0 medida que a Europa e \u00c1frica se afastam das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Quando se aproximam, a hist\u00f3ria \u00e9 outra. O encontro de t\u00e3o grandes massas n\u00e3o ocorre sem aparato. As grandes cadeias montanhosas s\u00e3o a face mais evidente destes choques, em que as margens das placas se enrugam e uma delas mergulha sob a outra, sendo reciclada no manto.<\/p>\n<p>Nas zonas de subduc\u00e7\u00e3o, locais onde as placas se afundam, a energia cin\u00e9tica e potencial das placas em movimento \u00e9 dissipada de tr\u00eas formas principais, sendo o calor a mais evidente, at\u00e9 porque as zonas de subduc\u00e7\u00e3o est\u00e3o sempre associadas a vulcanismo. A placa do Pac\u00edfico, por exemplo, est\u00e1 limitada a norte pelo chamado Anel de Fogo, uma longa cadeia de vulc\u00f5es activos localizados sobre a zona de subduc\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de novas montanhas, com a eleva\u00e7\u00e3o de grandes quantidades de rocha \u00e9 outra forma de dissipa\u00e7\u00e3o de energia, embora se possa dizer que se trata um pouco da hist\u00f3ria da galinha e do ovo.<\/p>\n<p>A terceira forma, e aquela que mais nos atemoriza por ser imprevis\u00edvel, s\u00e3o os tremores de terra. Sendo a crosta terrestre s\u00f3lida, os movimentos relativos das placas n\u00e3o ocorrem a velocidade constante. O atrito entre as v\u00e1rias estruturas impede-as de se moverem at\u00e9 ao instante em que se d\u00e1 uma ruptura e toda a energia armazenada se liberta de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<p>Continua\u00a0<a title=\"O vulc\u00e3o Adamastor (segunda parte)\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5292\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0e\u00a0<a title=\"O vulc\u00e3o Adamastor (terceira parte)\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5293\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presente artigo, por ser muito extenso, foi dividido em v\u00e1rias partes. Hoje publica-se a primeira, que trata n\u00e3o do t\u00edtulo, mas de uma pequena introdu\u00e7\u00e3o ao tema.\u00a0A segunda pode ser lida\u00a0aqui\u00a0e a \u00faltima\u00a0aqui. Usando um modelo simplista, o planeta Terra divide-se em cinco camadas conc\u00eantricas. 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