{"id":5296,"date":"2011-04-27T00:00:00","date_gmt":"2011-04-26T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5296"},"modified":"2013-12-22T19:01:31","modified_gmt":"2013-12-22T18:01:31","slug":"o-sinal-de-trnsito-mais-antigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/o-sinal-de-trnsito-mais-antigo\/","title":{"rendered":"O sinal de tr&acirc;nsito mais antigo"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 dado adquirido que n\u00e3o sabemos estimar o patrim\u00f3nio. S\u00f3 nos preocupamos, se para a\u00ed estivermos virados, depois das paredes arruinadas e dos edif\u00edcios demolidos. Mas esta \u00e9 a forma natural de evolu\u00e7\u00e3o das cidades, com os velhos edif\u00edcios substitu\u00eddos por outros antes que algu\u00e9m se aperceba do seu valor ou chegue a sentir a sua falta. Felizmente que tamb\u00e9m se rasgam novas avenidas, deslocando os centros das cidades para novos bairros, diminuindo o interesse pelas zonas mais antigas, que acabam ignoradas pela vida no resto da cidade. As marcas que resistem de \u00e9pocas passadas sobrevivem da inc\u00faria, da falta de vontade de <a title=\"Artigo: P\u00e9rola do Musseque\" href=\"http:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;source=web&amp;cd=1&amp;ved=0CBgQFjAA&amp;url=http%3A%2F%2Fafonsoloureiro.net%2Fblog%2F%3Fp%3D2586&amp;ei=PBe3TeGmK4ezhAfK7-T7Dg&amp;usg=AFQjCNG5Tzb7mNSoZm-MhadMqKRfZ1ysOQ&amp;sig2=BU7hfFIBY5ErMcOMjQHKBA\" target=\"_blank\">destruir o antigo para fazer o novo<\/a>.<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 caracter\u00edstica exclusiva dos portugueses. Cidades inteiras ca\u00edram no esquecimento e s\u00e3o lentamente desenterradas por gera\u00e7\u00f5es de arque\u00f3logos armados de pequenas p\u00e1s e sonhos de gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mas as marcas do passado n\u00e3o se limitam a edif\u00edcios inteiros. H\u00e1 outras, mais pequenas, que subsistem por falta de uso a dar-lhes depois do seu prop\u00f3sito original se perder. Algumas v\u00eaem-se recicladas, como grande parte das est\u00e1tuas de Roma que, durante a Idade M\u00e9dia, foi sendo transformada em cal ou entulho para enchimento de paredes &#8211; \u00e0 falta de melhor destino.<\/p>\n<p>O Futuro de cada centro urbano est\u00e1 cheio de pequenas cicatrizes, verdadeiras marcas de car\u00e1cter que testemunham vidas passadas da cidade. S\u00e3o as est\u00e1tuas mutiladas, os reclames de neg\u00f3cios falidos ou anacr\u00f3nicos, ou os s\u00edmbolos de munic\u00edpios extintos.<\/p>\n<p>Quando procurava documentar um artigo acerca da freguesia da S\u00e9 de Lisboa, tive not\u00edcia de uma destas cicatrizes desprezadas. Est\u00e1 escondida na Rua do Salvador, que foi importante h\u00e1 quatro s\u00e9culos, quando ligava as portas do Castelo de S\u00e3o Jorge \u00e0 Baixa. Hoje em dia \u00e9 uma pequena travessa cheia de pr\u00e9dios arruinados entre a Rua das Escolas Gerais e a Rua de S\u00e3o Tom\u00e9. A meio da pequena subida h\u00e1 um edif\u00edcio fora do alinhamento dos restantes que a estrangula. No tempo de D. Pedro II este estreitamento era causa de muitas disc\u00f3rdias entre os carroceiros que subiam ou desciam a rua. Se dois se encontrassem a meio nenhum cedia passagem, uma vez que era tarefa dif\u00edcil fazer recuar os animais.<\/p>\n<p>Para evitar disc\u00f3rdia, foi publicado \u00e9dito real estabelecendo a prioridade a respeitar em tal situa\u00e7\u00e3o. Numa parede pr\u00f3xima do estreitamento, lavrado em pedra, foi afixado o que julgo ser um dos mais antigos sinais de tr\u00e2nsito do mundo. Desta \u00e9poca, n\u00e3o encontrei not\u00edcia de nenhum outro sinal de ced\u00eancia de prioridade que sobreviva.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: inline; border: 0px;\" title=\"salvador\" alt=\"salvador\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/salvador.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" border=\"0\" \/><br \/>\nO sinal<\/p>\n<blockquote><p>\u00abANO DE 1686<br \/>\nSUA MAGESTADE ORDENA QUE OS COCHES SEGES E LITEIRAS QUE VIEREM DA PORTARIA DO SALVADOR QUE RECUEM PARA A MESMA PARTE\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p>Por n\u00e3o se lhe ter encontrado pr\u00e9stimo todos estes anos depois do Castelo de S\u00e3o Jorge deixar de albergar o Rei ou da Rua do Salvador ter sido despromovida a travessa, o sinal foi-se aguentando. Hoje est\u00e1 ingloriamente escondido atr\u00e1s de um arm\u00e1rio de distribui\u00e7\u00e3o de electricidade, mas antes escondido do que destru\u00eddo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 dado adquirido que n\u00e3o sabemos estimar o patrim\u00f3nio. S\u00f3 nos preocupamos, se para a\u00ed estivermos virados, depois das paredes arruinadas e dos edif\u00edcios demolidos. 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