{"id":5468,"date":"2011-09-04T00:00:00","date_gmt":"2011-09-03T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5468"},"modified":"2011-09-04T00:00:00","modified_gmt":"2011-09-03T23:00:00","slug":"sinais-adaptados-ao-contexto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/sinais-adaptados-ao-contexto\/","title":{"rendered":"Sinais adaptados ao contexto"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, apesar de ter conseguido evitar escrever sobre n\u00e3o conseguir escrever, confessei v\u00e1rias vezes ter deixado muitos artigos morrer como rascunhos que escrevo e acabo por apagar por terem perdido o momento. H\u00e1 outros que nunca chego a apagar &#8211; ainda n\u00e3o decidi se afortunadamente ou n\u00e3o &#8211; porque tenho a certeza de que os hei-de terminei d\u00ea l\u00e1 por onde der. Bom, no m\u00ednimo, quase a certeza. Talvez.<\/p>\n<p>Os menos afortunados de todos s\u00e3o aqueles que nem chegam \u00e0 categoria de rascunho. N\u00e3o passam de uma t\u00edmida ideia que vai surgindo ami\u00fade com um aspecto mal acabado e despenteado.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria deste artigo come\u00e7a com uma destas ideias de artigo sem alinhavo. Surgiu pela primeira vez na viagem entre o Huambo e Luanda, algures perto de um dos muitos encontros com o Keve, que serpenteia em torno da estrada, quando reparei num singelo sinal de tr\u00e2nsito cheio de semelhan\u00e7as com os que se costumavam ver nas estradas do interior de Portugal. Este sinal ostentava uma diferen\u00e7a que s\u00f3 consigo atribuir \u00e0 genialidade de quem o adaptou \u00e0 realidade angolana.<\/p>\n<p>Quando estava a tirar a carta de condu\u00e7\u00e3o, ainda no s\u00e9culo passado, o intrutor de c\u00f3digo, em jeito de brincadeira, apresentou o sinal de perigo A19a (animais sem condutor) como sendo o pr\u00e9-aviso de brigada de tr\u00e2nsito. Posso afirmar com seguran\u00e7a que este instrutor n\u00e3o tinha muita considera\u00e7\u00e3o pela pol\u00edcia rodovi\u00e1ria. O certo \u00e9 que nenhum dos seus alunos esqueceu esta apresenta\u00e7\u00e3o do malfadado sinal e ainda hoje o associam a pol\u00edcias na estrada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Sinal A19a, em Portugal\" border=\"0\" alt=\"Sinal A19a, em Portugal\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/A19a_portugal.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Gado na estrada<\/p>\n<p>A vers\u00e3o portuguesa do sinal tem uma vaquinha preta dentro de um tri\u00e2ngulo vermelho. Este era o gado mais comum e perigoso para os condutores nas aldeias do interior.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Sinal A19a, em Angola\" border=\"0\" alt=\"Sinal A19a, em Angola\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/A19a_angola.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Gado na estrada, vers\u00e3o angolana<\/p>\n<p>Em Angola, as vacas n\u00e3o costumam aparecer perto das estradas. A maioria do gado fica nas grandes fazendas ou \u00e9 criado pelos pastores tradicionais longe dos centros urbanos, usando antigas rotas de transum\u00e2ncia inacess\u00edveis a autom\u00f3veis. As cabras, por outro lado, s\u00e3o omnipresentes. Quando nos aproximamos dos kimbos mais remotos, ainda antes de ser ver gente, j\u00e1 avist\u00e1mos duas ou tr\u00eas cabras a pastar nas bermas ou a fugir esbaforidas \u00e0 frente do carro. Ainda por cima, o raio dos bichos tem o mau h\u00e1bito de esperar pacientemente que o carro se aproxime para dar uma corrida para o outro lado da estrada. Aqui n\u00e3o se pastoreiam as cabras, elas pastam e circulam por onde lhes apetece. O sinal de gado na estrada angolano ostenta, por isso, uma cabra em vez de uma vaca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, apesar de ter conseguido evitar escrever sobre n\u00e3o conseguir escrever, confessei v\u00e1rias vezes ter deixado muitos artigos morrer como rascunhos que escrevo e acabo por apagar por terem perdido o momento. 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