{"id":5488,"date":"2011-09-12T00:00:00","date_gmt":"2011-09-11T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5488"},"modified":"2011-09-12T00:00:00","modified_gmt":"2011-09-11T23:00:00","slug":"bzios-jarras-canas-e-outros-comandos-distncia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/bzios-jarras-canas-e-outros-comandos-distncia\/","title":{"rendered":"B&uacute;zios, jarras, canas e outros comandos &agrave; dist&acirc;ncia"},"content":{"rendered":"<p>Come\u00e7am a rarear as pessoas que se recordem de ouvir os moinhos de vento do Oeste. Moinhos a trabalhar s\u00f3 os recuperados pelas c\u00e2maras municipais com fins tur\u00edsticos e mesmo estes s\u00f3 moem com visitas programadas.<\/p>\n<p>Os moinhos de vento n\u00e3o se limitavam a decorar os montes e a fazer farinha. Davam tamb\u00e9m m\u00fasica a quem passava, mas especialmente ao moleiro, que podia ir a casa enquanto deixava a farinha a moer e saber se o vento mudava s\u00f3 pelo som que os b\u00fazios faziam. Um verdadeiro controlo \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"B\u00fazios, jarras e canas\" border=\"0\" alt=\"B\u00fazios, jarras e canas\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/buzios.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Assobiam ao vento<\/p>\n<p>Para produzir o som amarravam-se v\u00e1rias dezenas de caba\u00e7as, pe\u00e7as de lata ou barro e at\u00e9 mesmo de cana, embora estas \u00faltimas se dissesse trazer m\u00e1 sorte, nos mastros e nas travadoiras, as cordas que unem as pontas dos mastros. Os canudos eram meros cones de zinco, abertos nas duas pontas. Os b\u00fazios e as jarras eram habitualmente de barro e moldados em v\u00e1rias capacidades. Os maiores costumavam aproximar-se dos vinte litros. Cada moinho era afinado de forma a conseguir um som harmonioso. Suspeito que um moleiro pudesse insultar um colega de profiss\u00e3o ao insinuar que o moinho tinha voz de cana rachada.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de fazerem um barulho que variava em fun\u00e7\u00e3o da velocidade do vento e da rota\u00e7\u00e3o das velas, os b\u00fazios de barro absorviam humidade do ar, o que fazia o seu timbre mudar algum tempo antes de chegar uma borrasca. O moleiro sabia que tinha de recolher as velas ou reduzir o pano.<\/p>\n<p>O \u00faltimo sistema de controlo \u00e0 dist\u00e2ncia do moinho consistia num simples chocalho que se colocava na teg\u00e3o com o cereal. Durante a noite, o moleiro escusava de estar sempre a acordar, subir a escada e verificar se j\u00e1 tinha mo\u00eddo tudo e a gastar as m\u00f3s sem necessidade. Assim que o teg\u00e3o estava vazio o chocalho ca\u00eda sobre a m\u00f3 e o seu barulho irritante acabava por acordar o moleiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7am a rarear as pessoas que se recordem de ouvir os moinhos de vento do Oeste. Moinhos a trabalhar s\u00f3 os recuperados pelas c\u00e2maras municipais com fins tur\u00edsticos e mesmo estes s\u00f3 moem com visitas programadas. Os moinhos de vento n\u00e3o se limitavam a decorar os montes e a fazer farinha. 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